Convido os irmãos a abrirem as suas Bíblias no Evangelho de Lucas, capítulo 18. Evangelho de Lucas, capítulo 18. Você pode ir procurando aí na sua Bíblia enquanto as crianças terminam de sair. Agora também liberaram alguns lugares para quem estava aguardando em pé. Amém. Nós estamos dando sequência hoje à nossa série de sermões intitulado Evangelho segundo Satanás. A você que nos visita, fique muito tranquilo. Nós não estamos do lado dele. Nós estamos justamente nessa série denunciando as mentiras que Satanás convence à nossa cultura que são reais e que nós estamos tão acostumados como se fosse uma verdade vinda do próprio Deus. Nós já falamos aqui sobre algumas mentiras, né? Cuide da sua própria vida. Eh, você precisa se amar mais. O que importa é ser feliz. E hoje o título da nossa mensagem é Parabéns, você merece. É o que nós falaremos hoje sobre mérito. Então vamos ler juntos essa parábola que Jesus nos conta no Evangelho de Lucas, no capítulo 18, a partir do verso 9. Estou lendo na versão Nova Almeida atualizada. Jesus também contou esta parábola para alguns que confiavam em si mesmos. por se considerarem justos e desprezavam os outros. Dois homens foram ao templo para orar. Um era fariseu e o outro publicano. O fariseu ficou em pé e orava de si para si mesmo desta forma: "Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo o que ganho." O publicano, estando em pé de longe, nem mesmo ousava levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: "Ó Deus, tem pena de mim, porque sou pecador, digo a vocês que este desceu justificado para sua casa e não aquele, porque todo o que se exalta será humilhado, mas o que se humilha será [roncando] [roncando] exaltado." Feche seus olhos, Senhor. Nós estamos diante da sua palavra santa, verdadeira, sem erros. Nos ajude a compreendê-la nesta manhã, a ponto de nós pensarmos menos em nós mesmos e nos humilharmos. É o que nós pedimos no nome de Jesus. Amém. Parabéns, você merece. Eu não tô dizendo aqui de algumas conquistas quando nós nos alegramos com pessoas que estão ao nosso redor e vemos eles conquistando alguma coisa muito importante, dizendo: "Cara, você merece". A questão aqui é que a nossa cultura realmente tem sido convencida por Satanás de que, de fato, nós merecemos algumas conquistas e merecemos um certo valor e uma posição diante de Deus que nos faz julgar sermos melhores do que outras pessoas. Essa é a ideia de que nós vivemos num tempo hoje que valoriza demais a autoestima, o valor próprio. É interessante, gente, que até meado do século XX, a grande parte de todas as culturas acreditavam fielmente que a raiz de todos os males da sociedade era justamente o problema da autoestima elevada. Inclusive a palavra autoestima, ela é realmente uma auto autoestima, porque é auto no sentido de de auto, né? Eu de automóvel. Então é uma alta autoestima. Eh, porque eu vejo gente falando baixa estima, né? Não é uma baixa autoestima, enfim, não tem inutilidades. Mas muitas culturas acredit acreditavam que o grande problema da sociedade é uma autoestima elevada. Desde os filósofos gregos, a palavra híbris, no sentido de orgulho, soberba, uma autoestima elevada demais, sempre foi visto como um problema paraa sociedade. Pessoas orgulhosas, pessoas que se consideram merecedores, sabe? Pessoas que se consideram merecedoras. A própria cultura judaica vê isso como um problema, como na parábola que nós acabamos de ler, os históicos, outras religiões como budismo, por exemplo, vem a autoa autoestima, uma autoestima elevada como um grande problema. Só que recentemente nós passamos por algumas mudanças culturais, como nós já denunciamos aqui nas nossos outros sermões, né, de que o eu, o self, foi colocado no centro do universo e tudo o que importa hoje são os meus desejos. Nós vivemos uma virada cultural onde hoje muitas pessoas acreditam de fato que o problema da sociedade é uma baixa autoestima, uma falta de amor próprio. E que sentido? Pegue uma criança causando bullying na escola, por exemplo. Alguns terapeutas e conselheiros vão dizer: "Calma, essa criança ela tem uma baixa autoestima e ela tá descontando nos colegas a depreciação que ela tem sobre si mesma. Então, o que nós precisamos é fazer com que ela tenha mais amor próprio. Ela precisa se amar mais. A violência doméstica, por exemplo, quando um marido bate numa mulher, o problema é uma cultura que faz com que esse homem se sinta inseguro. Ele não se ama o suficiente. Então, o que ele faz é descontar as suas frustrações na sua esposa. O que nós precisamos é fazer com que ele tenha uma imagem correta de si mesmo. Ele precisa ter uma autoestima mais elevada. A criação de filhos na nossa cultura hoje é um exemplo escancarado desse tipo de pensamento. A criança não pode ser frustrada. A criança não pode ser confrontada com a sua maldade, porque senão isso vai gerar nela uma baixa autoestima e ela vai se tornar uma pessoa problemática no futuro. Isso tem acontecido em muitas escolas, em muitas vertentes de educação. Inclusive o próprio Jonathan Heide, psicólogo social, escreveu um livro muito interessante chamado A super proteção da Mente americana. Não tem em português ainda, eu imagino, essa tradução, mas ele mostra um diagnóstico do por que que os nossos jovens hoje estão despreparados e não conseguem lidar com o diferente, porque eles cresceram numa super proteção que não podiam ser confrontados do seu mal, do seu erro, do seu pecado. Então, o problema do mundo hoje é que as pessoas não têm uma autoestima correta sobre si mesmo, o que é uma grande contradição e acaba sendo muito atraente, né? Essa teoria é atraente, porque eu não preciso lidar com o problema moral do outro. O que que eu preciso fazer? Eu preciso trazer mais educação. Eu preciso que as pessoas tenham mais amor próprio. Se vocês tiverem uma autoestima correta, a sociedade vai ser melhor. O problema, gente, é que as pesquisas demonstram, pesquisas a respeito de autoestima demonstram que quanto mais elevada é a autoestima de uma pessoa, mais perigosa ela é. ela é. Isso é muito interessante. Quanto mais elevada é a autoestima de alguém em comparação com pessoas que estão ao seu redor, que possuem uma autoestima um pouco menor, ela tende a ser mais perigosa. Esse é o grande problema, por exemplo, do por que que os poderosos e os ricos tendem a desprezar as mazelas da sociedade e os pobres. Esse é a razão. Essa é a razão do porque existe muita violência, crimes de guerra, pessoas que se realmente acham dignas ou merecedoras de oprimir alguém. Gente, gente, ninguém ninguém tortura uma pessoa, ninguém é ruim com alguém porque realmente, tipo assim, eu quero ser uma pessoa ruim. Na verdade, no fundo do coração, ela acredita ter justificativa para isso. Ela acredita realmente ser digna de fazer isso, porque ela é uma pessoa superior. Ela tem uma imagem correta de si mesmo, enquanto os outros não têm. Esse é o centro, por exemplo, também de famílias se desintegrando. E o que Jesus faz nessa parábola que nós acabamos de ler é questionar justamente justamente essa autoestima elevada, o orgulho, a híbris. E Jesus está falando justamente com um grupo de pessoas que se consideravam dignas, merecedoras. Aquela pessoa onde Satanás literalmente diz: "Olha, você merece a posição que você ocupa, você merece ter mais dignidade do que alguém, você merece ser uma pessoa mais respeitada do que outras pessoas". E aí no versículo 9 que nós lemos, Jesus conta essa parábola para alguns que confiavam em si mesmos. Veja que interessante. Qual é o público de Jesus aqui? Uma galera que confia muito em si mesmo, que se consideram justos. por se considerarem justos e desprezavam outras pessoas. Jesus está provavelmente falando aqui para um grupo de fariseus. Mas é interessante nós falarmos sobre quem são esses fariseus, porque no mundo evangélico, nosso imaginário evangélico, quando a gente fala fariseu, a gente pensa em coisa ruim. Tanto é que fariseu virou até um xingamento crente, né, seu fariseu. fariseu. Mas é interessante notar que os fariseus eram uns grupo, era um grupo dentro do judaísmo na época de Jesus muito respeitado, estudiosos bíblicos, teólogos, conhecedores da palavra de Deus, eles honestamente prezam por cumprir toda a lei, por serem corretos diante de Deus, diante de outras pessoas. Eles realmente tinham um currículo invejável. Nós poderíamos dizer que eles eram teólogos biblistas muito dedicados, eles eram os corretos, digamos assim, porque o próprio Jesus, ele se posiciona dentro de uma teologia farisa. farisa. O próprio apóstolo Paulo era fariseu. Eles acreditavam corretamente sobre a ressurreição dos mortos, por exemplo. Só que havia um perigo. O perigo de você ser tão bom como eles realmente eram, deles chegarem a pensar muito sobre si mesmos, a terem uma autoestima elevada demais. E agora Jesus diz: "Olha, tinha um grupo de pessoas que tinha uma autoestima elevada demais." E aí ele conta essa história, essa parábola. para colocar, virar de cabeça para baixo esse conceito. E aí ele vai dizer, olha, ele não tava exagerando sobre essa realidade dos fariseus, ele vai dizer: "Dois homens foram ao templo para orar. Um era um fariseu, esse religioso bom, o outro era um publicano. Quem é publicano? Publicano, Mateus, por exemplo, o evangelista Mateus, ele era um publicano. Publicano era um traidor da pátria judaica. é aquele que se macumunou ali com o império romano e eles cobravam impostos do império romano para os próprios judeus, persona não grata e impura. E nós temos aqui dois, o fariseu, o bom, o publicano, o ruim, e eles estão no templo. O fariseu ficou de pé e orava de si para si mesmo. Desta forma, ó Deus, graças te dou porque eu não sou como os demais, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda como este publicano. Percebam a quem esse fariseu dirige a sua oração. Jesus é muito específico. O fariseu ficou em pé e orava de si para si mesmo. Gente, não é uma oração a Deus. Ele até menciona Deus, ó Deus, mas aí começa os autoelogios, né? Ó Deus, obrigado, porque eu não sou uma pessoa desprezível. Eu mereço estar aqui. Eu realmente, sinceramente e honestamente sou uma boa pessoa. Ele não consegue enxergar dentro de si algo que seja desprezível. Ele não consegue ver o seu próprio pecado. O que demonstra, gente, que esse fariseu está no templo, mas ele não tem consciência da presença de Deus. Ele não tem consciência nem da presença de Deus, porque as escrituras são claras. É impossível você ter uma experiência com a presença de Deus e não se humilhar e não sentir o mais miserável de todos. É o que acontece com Isaías no capítulo 6, quando ele tem uma visão da glória de Deus. A primeira reação de Isaías é: "Ai de mim, Senhor, ai mim! Porque eu sou um homem impuro, de lábios impuros, que habita no meio de um povo de lábios impuros." Pedro tem a mesma reação quando percebe quem Jesus é. No momento que Pedro percebe quem Jesus é, lá naquela pesca maravilhosa, Pedro diz: "Se afasta de mim, Senhor". Essa é a reação natural de alguém que tem consciência da presença de Deus, mas parece que esse fariseu não tem consciência nenhuma de que Deus está ali. A única âncora que ele tem para julgar o seu valor é a comparação. A comparação com outras pessoas. Porque se ele não tem consciência da presença de Deus, tudo que resta ele é se comparar com outras pessoas. Só que é interessante que ele não se compara com Samuel, com Isaías, com os profetas do Antigo Testamento. Ele se compara com pessoas de má reputação. Óbvio, Deus, obrigado porque eu não sou ladrão. Eu nunca roubei ninguém. Eu nunca passei a perna em ninguém. Eu sou justo. Eu sou uma pessoa justa. Graças a Deus, gente, meu Deus, na minha empresa, no meu MEI, na minha pequena empresa, eu pago os impostos direitinho. Eu não sou corrupto, eu faço tudo direitinho. Então, eu tenho uma certa dignidade. Obrigado, Deus, porque eu não sou um impostor ou desonesto. Eu nunca fui desonesto com ninguém. Eu tenho piedade das pessoas, realmente tenho misericórdia das pessoas. Então, eu me considero ser uma pessoa melhor que outros. outros. E o parâmetro não é Deus, tá vendo? O parâmetro não é você diante de Deus. O parâmetro é você diante dos outros. Então, eu me considero ser melhor do que os outros. Eu não sou adúltero. Nunca cometi adultério contra. Sou fiel à minha esposa. Mal sabe ele que o próprio Deus usa no Antigo Testamento a imagem de que uma pessoa que abandona Deus para confiar em qualquer outra coisa é adúltero. adúltero. Deus usa essa metáfora dizendo: "Povo de Israel, ó meu povo, vocês me abandonaram, vocês me traíram, vocês cometeram adultério com outros deuses." Mas como ele não tem consciência de Deus, a única a única comparação que ele consegue ter é com com o irmão que tá do lado dele. A atenção dele então finalmente se volta para aquele publicano que tá lá. Provavelmente ele viu o cobrador de impostos, o corrupto, o miserável. E ele olha para aquele homem e diz: "Ainda bem, Deus, que eu não sou igual a ele. Obrigado, porque eu não sou igual a ele." E isso pode acontecer com você hoje, né, de diante de diversas pessoas. Obrigado, Senhor. Obrigado porque eu não sou igual ao meu vizinho. Isso aconteceu comigo ontem, gente. Eu cheguei em casa depois do jogo, maravilhoso. E aí 10, poucas da poucas antes das 10. E o vizinho da frente da rua, no terraço dele, tava com uma banda ao vivo tocando. Música alta, insuportável. Eu esperei um pouco, esperei um pouco e aí passou da quase 11 horas da noite, eu fui lá tentar conversar educadamente, olha, tal, som alto, tem um prédio. Aí a moça, era um aniversário de 50 anos, uma moça fala: "É meu aniversário, eu não vou abrir mão, vai ficar assim, gente. Amém. Obrigado, tá tudo certo. Vaií, vamos ligar pra polícia e tal. Sei, mas o meu sentimento é: "Brigado Deus, porque eu não sou igual essa pessoa. Obrigado pela minha superioridade." Gente, Jesus está mostrando justamente alguém que tem esse senso. E veja só, esse fariseu, ele não apenas se compara a outras pessoas, mas ele tem um excelente currículo também diante de Deus. Veja, ele diz: "Eu jejo duas vezes por semana". O que é muito mais do que o Antigo Testamento sugere. O Antigo Testamento sugere que pelo menos o povo de Deus deveria jejuar uma vez por ano, pelo menos, ou alguns meses do ano. Mas esse fariseu, ele é muito bom. Ele jejua duas vezes por semana e ele entrega o dízimo de tudo, o que também é algo muito bom, porque no Antigo Testamento, por exemplo, você dava o dízimo às primícias de muitas coisas, mas não era tudo. Por exemplo, vegetais. Você não era obrigado a dar o dízimo dos vegetais, mas aqui ele tá dizendo que dá o dízimo de tudo. Veja, gente, nós estamos aqui diante de uma pessoa realmente com um currículo muito bom diante de Deus. Uma pessoa que poderia estar frequentando a nossa igreja e a gente ter todos os tipos de elogios a essa pessoa. Mas qual que é o problema desse fazer? Qual que é o problema de ser tão bom assim? Existe problema em ser uma pessoa boa, gente? É, existe um problema em dar o dízimo, em jejuar? em fazer todas essas coisas. O problema não é esse. O problema parece estar justamente na motivação do coração desse fariseu. Ele realmente se acha merecedor. A a relação que ele tem com Deus é baseado no mérito. E é aí que está o grande problema. Qual que é o grande problema de ser uma pessoa genuinamente boa? Porque essa esse relacionamento com Deus baseado no nosso mérito é algo insustentável. Primeiro, porque você acaba criando dentro de você um alvo do que você deveria ser. É isso que Deus quer que eu seja. E você busca alcançar esse alvo do que Deus quer que você seja. Mas na prática você nunca dá conta. Você nunca dá conta de ser a pessoa que você deseja ser. Sempre tá faltando alguma coisa. Então você vive eternamente inseguro, ansioso. O seu relacionamento com Deus baseado no mérito é um relacionamento de montanha russa. Você sabe disso. Tem dia que você se sente bem porque você orou, você fez se devocional, você saiu de casa, você foi, foi um dia santo e aí você se sente bem. No dia seguinte você tá se sentindo miserável porque você esqueceu do seu devocional, não deu tempo de ler a Bíblia, eu pensei mal de uma pessoa. E aí você tá bem, tá mal, tá bem, tá mal. O problema bem, tá mal, tá bem, tá mal. O problema é que um relacionamento com Deus baseado no mérito, no merecimento, ele não se sustenta porque nós não damos conta. Nós vivemos numa eterna obsessão e pressão de termos algum valor diante de Deus. E isso nos leva naturalmente a oprimir o outro. Porque qual que é a minha única base de qual que minha única âncora que eu tenho então para ter algum valor? Se diante de Deus eu sei que eu não vou ter valor nenhum, qual que é a minha única âncora para ter algum valor? É olhando para uma pessoa que é mais desprezível do que eu e dizendo: [suspirando] "Pelo menos eu não sou tão ruim assim. Ainda bem que eu não sou igual essa pessoa, né? E aí nós passamos a marginalizar os outros. Esse é o problema. Por mais que você tente ser uma boa pessoa, por mais que você tente merecer ter valor diante de Deus, você sabe no fundo do seu coração que você não ora o bastante, que você não serve o seu próximo bastante como você deveria servir, que você mantém no íntimo do seu coração pensamentos impuros que não deveria manter. E aí o resultado é insegurança. E com essa insegurança eu acabo oprimindo o meu próximo ou então me julgando superior ao meu próximo ou merecedor do status e do lugar onde eu estou. Esse é o grande problema. O problema da vida farisaica, nesse sentido, eu tô usando fariseu aqui no no termo ruim mesmo do da religiosidade. O problema da vida farisaica é que nós não temos só uma ruptura da nossa alma, mas cria um conflito social muito grande, porque nós precisamos nos comparar com outras pessoas e nos sentir superior às outras pessoas para algum para ter algum tipo de valor. E aí você pode estar ouvindo tudo isso que eu tô falando. E aí vem o grande plot twist, porque você tá ouvindo tudo isso que eu tô falando. E talvez você esteja aí na sua cadeirinha agora dizendo: "Ufa, pastor, ainda bem que eu não sou igual esse fariseu. Eu não, a minha religião não é baseada no mérito assim, eu tenho tido uma vida piedosa, ainda bem que eu não desprezo os outros, ainda bem que eu não sou igual a esse fariseu. E a gente tá caindo no mesmo erro do fariseu de nos compararmos. A questão é, gente, que de forma surpreendente, ninguém merece. Você é muito pior do que você imagina. E aí eu queria trazer como uma ilustração uma história muito popular dos clássicos da literatura, que é o livro do Robert Lewis Stevenson, O médico e o Monstro. Não sei se vocês conhecem essa história, já foi retratado até no desenho Pica-Papau, né? Interessante. Qual que é a ideia? Nessa história nós temos um médico, Dr. Jackill, e ele se dá conta que é uma pessoa e que dentro dele, dentro de todos nós, existe uma mistura bizarra de bem e mal. E aí ele quer ser bom, mas as coisas boas que ele quer fazer, ele não consegue fazer amplamente porque tem alguma coisa ruim dentro dele que impede ele de fazer essa coisa. Então o que que ele faz? Ele descobre nas suas pesquisas uma poção, uma poção que quando ele bebesse essa poção, a natureza ruim dele seria separada da natureza boa. E aí teoricamente durante o dia, ele conseguiria ser o Dr. Jackel, uma pessoa bondosa. E aí à noite o monstro era libertado e ele seria a sua natureza má. Só que é interessante que quando ele bebe a poção pela primeira vez, ele descobre que essa natureza má que havia dentro dele era muito maior do que ele imaginava. O texto diz, o livro diz o seguinte: "Percebi ser ao primeiro sopro dessa vida mais perverso, 10 vezes mais perverso, vendido como escravo ao meu mal original. E o pensamento daquele instante envolveu-me e agradou-me como vinho. É interessante que ele descobre quando a personalidade se divide, ele se transforma no monstro, que é o o Edward Hide, um monstro, né? Ele percebe que era muito pior do que ele imaginava. E o pior, ele passou a gostar disso. Ele passa a gostar de ser um monstro, de [roncando] sair pela rua espancando criancinhas, por exemplo, e matando qualquer pessoa. Ele passa a gostar dessa natureza. Aí ele percebe uma vez, ele percebe quando ele tá sobre, né, quando ele tá sendo o Dr. J de novo, ele percebe que aquilo era ruim e que ele tinha atos perversos. Então ele faz um compromisso de que ele não vai mais tomar poção. Só que por causa do mal que ele tinha cometido, sendo o monstro, ele resolve praticar boas ações. Ele se descobre, entre aspas, na religião, fazendo boas ações, caridades. Ele passa a se envolver com a sociedade de modo positivo, tanto para reparar o que o monstro causou ou para se justificar de alguma forma. E aí vem a parte mais interessante do livro, que de repente ele se transforma num monstro de novo, sem a poção. E sabe como isso acontece? Ele está sentado no banco da praça, se gloriando dos bons atos que ele estava fazendo. E aí eu queria ler para você, abre aspas. Decidi redimir o passado por meio da minha conduta futura. E posso dizer honestamente que a decisão deu bons frutos. Você sabe com quanta determinação nos últimos meses do último ano trabalhei para aliviar o meu sofrimento. Você sabe que fiz muita coisas pelos outros, mas enquanto eu sorria, comparando-me a outros homens, comparando a minha boa vontade ativa com a crueldade preguiçosa da negligência aleia, no exato instante daquele pensamento de vanglória, assaltou-me um pressentimento, uma náusea horrível, o temor mais horripilante. Baixei os olhos e eu era mais uma vez Edward Hide. Ele se transformou num monstro no momento em que ele olhou pra sociedade e disse: "É, eu sou uma boa pessoa". A bondade dele fez com que ele se transformasse no monstro. Eu acho que aqui é a maior sacada desse autor, mostrando que o nosso orgulho é perigoso. Nós nos sentimos realmente superiores a a outras pessoas. do médico se transforma no monstro por causa da sua bondade. Isso é muito interessante porque quando nós falamos de pecado, geralmente a gente pensa em coisas ruins, maldade. O monstro, ele é pecador. Só que o pecado também se manifesta manifesta em você se tornar arrogante a respeito de você ser merecedor, melhor do que as outras pessoas. A ideia de que você merece o favor de Deus por meio das boas obras. Gente, essa ideia de que você merece o favor de Deus por causa das suas boas obras, só está fazendo você se tornar mais arrogante, mais cruel, mais preconceituoso. Você já tinha parado para pensar nesse revés de ser uma boa pessoa? O que nós precisamos de fato é de uma transformação. E aí Jesus apresenta nessa parábola uma outra perspectiva, porque nós temos dois homens aqui. A primeira perspectiva é a perspectiva do mérito. mérito. Eu mereço o favor de Deus baseado nas minhas boas ações. A segunda perspectiva que Jesus oferece é a perspectiva da humilhação e da graça. E aí as coisas começam a ficar mais interessantes. Versículo 13. O publicano, estando em pé de longe, nem mesmo ousava levantar os olhos para os céus, mas batia no seu peito, dizendo: "Ó Deus, tem pena de mim, porque eu sou pecador digo a vocês que este desceu justificado para sua casa e não aquele, porque todo se exalta será humilhado, mas o que se humilha será exaltado. O primeiro homem é aquele que se orgulha dos seus bons feitos. O segundo homem é aquele que tem consciência do seu pecado e de que nada é. E o que ele faz diante de Deus é se humilhar em arrependimento, sabendo que nada possui de valor e nada possui de mérito. Ele bate no seu peito dizendo: "Senhor, tem pena de mim ou tem misericórdia de mim." A palavra que ele usa aqui é a palavrai, que traz a ideia de expiação. Faça expiação de mim, Senhor. Fazendo uma alusão ao Antigo Testamento, que no Antigo Testamento o pecado, o perdão dos pecados, ele vinham justamente por meio da expiação de um cordeiro que era imolado, morria. E o sangue daquele cordeiro espiava os pecados do povo de Deus. E tinha inclusive o dia da expiação, o dia de onkipur, onde o sumo sacerdote realizava esses rituais. Ou seja, esse publicano pecador tem consciência diante do Deus que ele está. Ele sabe que está diante de um Deus santo e, portanto, ele não é santo e ele se humilha. Só que nessa nessa humilhação dele, ele clama por expiação. E aqui que tá a grande parte interessante, gente, porque Jesus não está argumentando aqui a favor da baixa autoestima, porque esse talvez seria o contraste mais natural, né? Tá, Jesus tá criticando aqui a autoestima elevada. Então, qual que é a solução? Uma baixa autoestima, humilhação, né? você ser uma pessoa realmente miserável, uma autocomiseração. Olha quem eu sou, eu não mereço nada mesmo, eu sou indigno. Não é isso que Jesus tá fazendo. Até porque, gente, eu creio fielmente que a autocomiseração, a essa humilhação excessiva, é da mesma forma um ego inflado do mesmo jeito. É as duas coisas. A pessoa quer chamar atenção para si mesma do mesmo jeito. É a mesma coisa. O que muda tudo não é isso. O que muda tudo é Jesus dizendo que este homem voltou para casa justificado. É aqui que as coisas mudam completamente. É aqui que a perspectiva da graça é aplicada. Porque que que é essa justificação? A justificação é a ideia de que alguém pagou por mim, de que alguém morreu no meu lugar. Se no Antigo Testamento era o cordeiro e que o publicano diz aqui, faça expiação por mim, Jesus é aquele mesmo que vai até a cruz, se humilha e morre em nosso favor e paga a nossa dívida. E aí como o apóstolo Paulo vai dizer em Romanos que não é, vai dizer em Romanos que é pela fé em Jesus Cristo, não pela obra da lei que nós somos justificados. O diagnóstico é que todos nós pecamos e todos nós não somos dignos de qualquer autoimagem de valor diante de Deus. de qualquer autoestima elevada, mas a justificação muda completamente esse cenário, porque ninguém será justificado pelas boas obras, porque os pecados foram pagos pelo próprio Jesus. E aqui vem a grande diferença, gente, do evangelho que Jesus está oferecendo de qualquer outra perspectiva religiosa ou meritocrática que nós possamos conhecer. Porque por um lado, o relacionamento com Deus baseado no mérito diz o seguinte: "Eu obedeço, eu dou o dízimo, eu sou uma pessoa fiel, logo eu mereço, logo eu sou aceito por Deus. Deus me aceita por causa do que eu faço." Só que você nunca consegue viver seguro disso. É como se você corresse eternamente numa esteira ergométrica e você não sai do lugar. você honestamente não consegue sentir esse tipo de aceitação, porque enquanto o seu enquanto a sua aceitação estiver baseada no seu esforço, você vai se viver inseguro pro resto da vida. Mas aí Jesus nos oferece a graça, o evangelho, que traz uma perspectiva completamente diferente. Se por um lado eu obedeço e logo sou aceito, no evangelho eu sou aceito por meio do que Cristo fez na cruz. Ponto. Independente do seu mérito, independente do que você tenha feito. Por isso eu obedeço. A motivação muda completamente. Veja, nós temos aqui nessa parábola duas pessoas em que a grande diferença não está exatamente nas suas obras, mas na motivação do coração. Nós podemos ter duas pessoas aqui hoje sentadas nessas cadeiras. Na verdade, não falo nem falar duas pessoas. Nós podemos ter hoje, nós podemos, não, eu vou ser mais ousado. Nós temos aqui hoje dois grupos de pessoas iguais. Os dois dão o dízimo, os dois são fiéis ao Senhor. Os dois vêm no culto todo domingo, os dois estão frequentando pequeno grupo, os dois são fiéis à esposas, os dois realmente pagam os impostos direitinhos, são honestos. Mas a grande diferença não é essa. A grande diferença tá na motivação do coração. Um pratica essas obras para ser aceito. Outro pratica essas obras por pura gratidão e amor pelo Cristo já fez. E essa motivação leva essas duas vidas para rumos completamente distintos e diferentes. Gente, na religião, eu vou usar religião aqui não no sentido de eu vou usar religião aqui no sentido negativo, tá? Religião no sentido de boas obras. Então me entendam, porque eu sou uma pessoa religiosa, todos nós somos. Mas nessa ideia de religião, onde eu preciso fazer boas obras, o mérito faz com que a gente tenha a sensação de superioridade. Isso acontece com qualquer pessoa, aconteceu comigo ontem à noite, acontece com os liberais que se sentem superiores aos preconceituosos, aos homofóbicos, as pessoas com cabeça fechada. Acontece com os conservadores que se sentem superiores aos esquerditas que não têm eh moral nenhuma. Isso acontece com você mesmo quando você não consegue cumprir os seus próprios valores e aí você se autocomisera e você se autodispreza. Mas e e aí a gente não consegue reatingir o o padrão que nós temos. E como eu já disse, a nossa vida se torna uma constante montanha russa. Quando você tá bem com Deus, você se sente bem. Quando você não faz seu devocional, você se sente mal. E é aqui que a graça ela é revolucionária. Por que que a graça ela é revolucionária? Porque ao mesmo tempo que a graça nos mostra que eu sou o pior dos pecadores, que tem um monstro dentro de mim, que eu sou muito que eu ten um monstro muito maior do que eu imagino, que eu sou pecador a tal ponto de Jesus precisar morrer por mim, isso me traz uma profunda humildade de que eu não tenho como me considerar superior à outra pessoa. Mas ao mesmo tempo o evangelho também me diz que eu sou tão amado por Jesus e que você é tão amado por Jesus a ponto dele morrer na cruz por você sem que você merecesse. É por isso que a graça é a única que traz esse equilíbrio onde eu consigo não me sentir superior a ninguém e ao mesmo tempo ter ousadia, ao mesmo tempo ter uma autoimagem correta. A questão então não é ter uma autoestima elevada e nem mesmo uma autoestima baixa. A questão é pensar menos em si mesmo, trazendo Jesus pro lugar que ele merece ser. E aí eu não consigo me sentir superior a ninguém e mesmo assim eu não preciso provar para ninguém quem eu sou. Olha que fantástico que a graça causa em nós. Eu não me sinto nem superior, nem superior, como o próprio apóstolo Paulo vai dizer. Não importa o que vocês pensam, não importa nem o que eu penso, o que importa é o que Deus pensa de mim. A graça muda inclusive a maneira como nós tratamos os outros, porque sem a graça, o meu relacionamento com outros sempre vai ser baseado na comparação. Se eu sou mais valioso do que outras pessoas, mas no evangelho, o nosso valor não é construído na exclusão do outro, mas construído justamente no Jesus que se autoexcluiu por nós. [roncando] Muda completamente. Eu não sou salvo por minhas boas práticas corretas. E aí quando eu tenho consciência de que eu fui salvo exclusivamente pela graça de Deus, sem mérito nenhum, eu consigo olhar pra pessoa que tá diante de mim, eu consigo olhar para aquela minha vizinha, eu consigo olhar para qualquer pessoa, mesmo que tenha uma crença equivocada, e saber que em diversos aspectos ela até pode ser superior a mim. mim. É esse tipo de humildade que o evangelho provoca e uma confiança plena. A graça não faz com que você seja inseguro a ponto de temer as pessoas. ou temer, perder o seu poder, digamos, ou por alguém ter um talento diferente de você. A graça realmente faz com que a gente pense em nós mesmos. E é interessante que essa graça de Deus, ela transforma completamente o nosso coração a ponto que a nossa vida é transformada completamente também. Porque em certo sentido, gente, a graça ela até pode ser ameaçadora. Eu vou tentar explicar aqui porque pode ser que você esteja me ouvindo aqui nesta manhã e você diz: "Poxa, isso aí é fácil demais. Quer dizer, então, que Jesus já me perdoou de tudo e eu não preciso fazer nada, que eu não mereço, mas ele mesmo assim me perdoa. Isso é bom demais para ser verdade. Então eu posso viver a vida do jeito que eu quiser, que eu vou ser perdoado do mesmo jeito. Como por exemplo, uma moça no Brasil que ficou conhecida por ter se convertido. Ela era garota de programa e se converteu, ficou muito tempo na igreja. E aí, recentemente ela voltou paraa vida de prostituição, largou a igreja e voltou paraa vida de prostituição e de garota de programa. E aí eu vi uma notícia de que uma pessoa perguntou para essa pessoa nessas caixinhas do Instagram: "Você não tem medo de ir pro inferno porque você se afastou da igreja?" Alguma coisa nesse sentido. Ela fala: "Mas eu não vou pro inferno, uma vez salvo para sempre salvo. Eu creio na graça do Senhor Jesus. Eu também creio nisso. Eu creio que uma vez salvo para sempre salvo. Só que uma pessoa que ousa dizer uma coisa dessa, ela nunca teve um encontro com essa graça arrebatadora. Nunca. Porque na verdade quando você se descobre diante dessa graça que te perdoa por completo, não tem como isso causar uma reação de gratidão em nosso coração, de transformação completa. E é nesse sentido que eu digo que a graça ela pode ser até ameaçadora. O Tin Kelly, no livro dele, Féerodeticismo, ele conta um testemunho interessante que ele pregou sobre a diferença entre religião e graça na igreja dele. E aí no final do culto uma irmã o procurou e falou: "Não gostei". Tipo assim, não gostei, né? Porque pensa comigo, se eu fosse salvo por minhas obras, então haveria um limite pro que Deus pode pedir de mim. Ou me posso ou pedir porque que eu hairia um limite do que Deus pode pedir de mim ou pedir que eu passe, né? Eu seria como um contribuinte que paga os impostos corretamente e tem os seus direitos, cumprindo o meu dever e eu tinha uma qualidade de vida merecida. Mas se eu sou uma pessoa pecadora, salva pela graça, então não há nada que ele não possa pedir de mim. Não gostei. E é isso mesmo, porque pensa comigo, não tô falando que ele vai tipo assim, que Deus vai pedir, mas se você não merece e se você foi salvo por pura graça, isso significa que realmente Deus pode pedir tudo de você. Como o apóstolo Paulo vai dizer, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E aí você pode olhar para tudo isso e falar: "Ah, pastor, agora ficou pesado demais". demais". Se por um lado acho que era fácil de a graça, quer dizer que a graça eu posso fazer tudo e agora você tá dizendo que Jesus pode exigir tudo de mim? Então, eu não tô entendendo muito bem essa graça aí não. Isso aí pode parecer pesado demais se você tá olhando lá de fora. Agora, se você realmente tá entendendo o que tá acontecendo aqui, meu irmão, se o Espírito Santo realmente tá falando aí no seu coração, se você entende o tamanho do perdão que Deus está te oferecendo, se você entende o tamanho do amor de Jesus por você, se você experimenta essa graça de fato, aí a motivação do seu coração muda de tal forma que é só alegria. O fato de Jesus pedir tudo de mim não é um peso, mas uma alegria tremenda. Por exemplo, pense no dia que você se apaixonou profundamente por uma pessoa e finalmente essa pessoa correspondeu você. Porque eu sei que algumas pessoas já passaram por amores não correspondidos, né, gente? Eu oro por vocês para que vocês tenham os seus amores correspondidos. Mas quando a gente tá muito apaixonado por uma pessoa e essa pessoa corresponde, opa, ela tá gostando de mim mesmo, ela tá correspondendo. Você sabe como que é, né? Você a sua vida muda, você passa a fazer de tudo para descobrir o que que ela gosta e aí você quer fazer o que agrada ela. Por não existe pressão nenhuma, gente. É simplesmente porque seu coração já foi revirado de um jeito que a sua maior alegria é fazer algo para agradar a ela. É ou não é verdade? É isso que a graça causa em nós. A graça, a graça de Deus é um perdão tão absurdo, escandaloso, que não tem outra possibilidade. É naturalmente como um transbordamento de amor. Eu preciso descobrir o que é que Deus ama para poder amá-lo e viver dessa maneira buscando. Essa é a grande diferença do que a graça causa em nós. Não existe mais uma intimidação, uma obrigação. O nosso comportamento já foi completamente alterado pelo coração de quem nós amamos. É uma diferença absurda entre o fariseu e o publicano. Um não entendeu a graça que recebeu, outro volta para casa justificado, entendendo quem ele é diante de Deus e que ele foi completamente perdoado pelo Senhor por pura graça, sem mérito nenhum. E essa graça nos arrebata a viver para esse Jesus dessa forma. Se a nossa cultura diz e se Satanás tá querendo fazer você acreditar que você merece, que tudo depende do que você merecer, né? Se tudo depender do que você merecer, meu irmão, você tá perdido. Só que tem uma notícia melhor ainda. Tem uma notícia melhor, uma notícia escandalosa. Só existe um homem na história da humanidade que realmente era merecedor. Só existe um homem na história da humanidade que poderia dizer: "Eu sou digno, eu mereço". que nunca pecou, que poderia levantar os olhos a aos céus com uma autoestima muito elevada, dizendo: [limpando a garganta] "Eu nunca pequei". Mas sabe o que que esse homem fez? Ele desceu justamente pro lugar do fariseu, pro lugar do publicano. Ele foi fiel até a morte, morte de cruz. Porque Deus amou você de tal maneira que Deus é o único filho para que todo aquele que nele crê não morra, mas tenha vida eterna. Jesus se humilhou na cruz justamente para que nós pudéssemos ser exaltados. Não para que você pudesse se orgulhar disso. Muito pelo contrário. E aí Jesus termina o texto justamente com essa expressão, né? Quem se orgulha será humilhado, mas o que se humilha, esse será exaltado. Porque no fundo, meu irmão, você sabe que você não merece coisa nenhuma, nenhuma, nada. nada. Porque se você tomar a poção hoje aqui, o monstro que vai sair dentro de você, você não faz ideia. Quase todo mundo aqui, muita, tem muita gente aqui vivendo a vida do doutor e o monstro que na hora tá contendo esse monstro. E de vez em quando acontece algum gatilho aí que funciona como poção que esse monstro aparece, né? Mas a perspectiva da graça, ela nos humilha. humilha. A graça de Deus nos humilha, mas ao mesmo tempo nos traz uma plena confiança de que nós somos completamente perdoados. Eu não sei qual é a posição que você tá aqui hoje, se é a do fariseu, larga esse currículo. Quando o apóstolo Paulo contemplou a Jesus Cristo, ele diz que tudo o que ele tinha feito de bom, ele era um excelente fariseu, bo da sign lei, que tudo que ele tinha feito de bom era esterco diante da glória de Jesus Cristo. Então, desce desse pedestal de você achar que merece alguma coisa. Nós não merecemos nada. E isso, na verdade, é uma excelente notícia, porque aquele que merece tudo veio nos resgatar com uma graça escandalosa. Isso nos traz um equilíbrio de sermos pessoas humildes e ao mesmo tempo ousadas, que tem uma autoimagem correta de saber que o que vale não é o que você pensa de mim, nem o que eu penso de mim, porque o que eu penso de mim pode estar muito errado, mas o que Deus fez por mim na cruz do calvário. E essa graça tá disponível para você hoje. Essa parábola, ela é uma boa notícia tanto pro fariseu. Gente, Jesus tá contando essa parábola aqui, não é para mandar os fariseus pro inferno. Jesus tá contando essa parábola aqui, porque o desejo dele é resgatar esses fariseus. Mas pode ser que você esteja aqui hoje não como fariseu, mas como a figura oposta. Pode ser que você esteja aqui hoje justamente sabendo que não merece nada. Eu realmente não mereço nada. A minha vida é uma miséria. Eu não tenho valor nenhum. Eu não sou digno de nada. Mas o evangelho é essa notícia escandalosa de que hoje, por meio da fé em Jesus Cristo e sua obra na cruz, ele pode declarar você justificado, sem pecado. E aí eu sei que essa graça é muito escandalosa, né? Mas como pode? É bom demais para ser verdade. Essa graça é tão escandalosa que vai causar um rebuliço na sua vida de um jeito que você não vai conseguir mais viver do mesmo jeito, a não ser seguir esse bom mestre que te amou por inteiro. Feche seus olhos. Pai, obrigado por essa palavra tão poderosa. Obrigado pelo teu texto. Bíblico e obrigado, Senhor, porque sem merecer o Senhor veio até nós e morreu numa cruz e nos justificou. derruba o nosso orgulho, quebra o nosso ego e a nossa nosso sentimento de que merecemos qualquer coisa. Nos ajude a ter o olhar de Jesus a respeito dos outros. Que nós não tenhamos nem mesmo uma autoestima elevada e nem mesmo uma baixa autoestima, mas que nós tenhamos simplesmente a tua palavra sobre nós e o que o Senhor diz a nosso respeito. No nome de Jesus é que nós oramos. Amém.