Irmãos, nós estamos dando continuidade a uma série de sermões chamado Evangelho segundo Satanás. E vocês que nos visitam pela primeira vez, não se assustem com o título. Não é [roncando] nada satânico que vai ser pregado aqui. A gente ah pretende com essa série denunciar, denunciar, desmascarar mentiras que Satanás tenta apresentar pros nossos corações na sociedade e às vezes até mesmo dentro das nossas igrejas, como se fosse um evangelho, como se fosse uma boa notícia. E na intenção de desmascarar e denunciar essas mentiras como mentiras, nós também pretendemos apresentar como o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo supre o que realmente o nosso coração necessita. Então hoje a mentira que nós buscamos desmascarar e denunciar é a mentira: "Faça a tua parte e Deus te ajudará". ajudará". Conversando com o irmão mais cedo aqui no primeiro culto, ele falou, né, como muitas pessoas inclusive pensam que isso é um versículo bíblico, né, tá na Bíblia, né? Faça a tua parte e Deus te ajudará. Faça por ti e Deus te abençoará, né? Tem variantes aí da Mas a mas não é texto bíblico, tá? E a gente vai ver muito bem o na verdade o que a Bíblia mostra pra gente ao invés disso aí. E eu convido para ah você abrir a sua Bíblia para o Evangelho de Mateus. capítulo 20. E juntos a gente vai ver um texto onde realmente na boca e nas palavras de Jesus nós vamos encontrar a boa notícia, o verdadeiro evangelho. [limpando a garganta] Mateus capítulo 20. Se você abriu a sua Bíblia em Mateus, capítulo 20, você está de parabéns. Mas eu quero pedir para você voltar um versículo. Quero começar de Mateus, capítulo 19 versículo 30. E aí sim, iniciando por esse versículo, a gente adentra o capítulo 20. Então, Mateus 19, versículo 30 nos diz palavras de Jesus. Contudo, muitos primeiros serão últimos e muitos últimos serão primeiros. Pois, versículo 1 do capítulo 20, o reino dos céus é como um proprietário que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para sua vinha. Ele combinou pagar-lhes um denário pelo dia e mandou-os para sua vinha. Por volta das 9 horas da manhã, ele saiu e viu outros que estavam desocupados na praça e lhes disse: "Vão também trabalhar na vinha e eu pagarei a vocês o que for justo". E eles foram saindo outra vez por volta do meio-dia e das 3 da tarde, fez a mesma coisa. Saindo por volta das 5 horas da tarde, encontrou ainda outros que estavam desocupados e lhes perguntou: "Por que vocês estiveram aqui desocupados o dia todo?" "Porque ninguém nos contratou", responderam eles. Ele lhes disse: "Vão vocês também trabalhar na vinha." Ao cair da tarde, o dono da vinha disse ao seu administrador: "Chame os trabalhadores e pague-lhes o salário, começando com os últimos contratados e terminando nos primeiros." Vieram os trabalhadores contratados por volta das 5 horas da tarde e cada um recebeu um denário. Quando vieram os que tinham sido contratados primeiro, esperavam receber mais. Mas cada um deles também recebeu um denário. Quando vieram os que tinham sido contratados primeiro, perdão, [roncando] repeti o mesmo versículo, versículo 11, quando receberam, começaram a se queixar do proprietário da vinha. Versículo 12. Dizendo-lhe: "Estes homens contratados por último, trabalharam apenas uma hora, e o Senhor os igual a nós, que suportamos o peso do trabalho e o calor do dia." Mas ele respondeu a um deles: "Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não concordou em trabalhar por um denário? Receba o que é seu e vá. Eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que dei a você. Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso? Assim, nos últimos serão primeiros e os primeiros serão últimos. Oremos. Pai nosso, obrigado por ter trazido esse texto até o nosso colo nessa manhã. Isso atravessou milênios, isso atravessou continentes. E de alguma forma nessa manhã, a gente consegue se assentar aos pés de Jesus e ouvir a voz dele nos contando essa parábola. que o teu espírito faça ecoar bem alto em nosso meio a voz de Jesus por meio da palavra, por meio do texto e que ao ouvir a voz de Jesus passeando e ecoando em nosso meio, a gente possa ser levado até a face do Pai. Que ao encontrar Jesus sejamos levados até o Pai, que saiamos daqui, sim, acolhidos, acolhidos, renovados. renovados. mas também encorajados, repreendidos, exortados. exortados. Dá para cada coração aqui o que cada coração precisa receber. É o que nós clamamos no nome de Jesus. Amém. Amém. Amém. Irmãos, nossa mentira é: faça a tua parte e Deus te ajudará. Se você tava aqui na semana passada, o pastor Felipe Breder compartilhou com a gente da forma como Satanás não é nem um pouco criativo. Na verdade, ele pega a boa criação de Deus e distorce, perverte isso transformando numa mentira. E de alguma maneira essa mentira que nós buscamos desmascarar nessa manhã pode sim em alguns contextos, funcionar muito bem como uma boa verdade. Se você quiser um exemplo, pensa aí naquele seu filho adolescente, naquela sua filha adolescente. Estamos num domingo, imagina que hoje à noite seu filho chega para você e diz: "Pai, mãe, amanhã tem prova". E você olha pro seu filho como um pai responsável, como uma mãe responsável e pergunta: "Estudou?" E ele diz para você: "Não, eu orei. Eu fui lá no culto na esperança hoje de manhã e eu orei que só toda vez que o pessoal falava: "Fecha os teus olhos, vamos orar". Eu orava só por isso, Senhor, amanhã na prova. Ah, que seja o Senhor no meu lugar, que sejam as tuas palavras e não as minhas. [risadas][roncando] Como um bom pai, uma boa mãe, você vai olhar bem pro olho do seu filho e dizer assim: "Ó, faça a tua parte e Deus te abençoará". E aí sim, Deus te abençoará. Sim, existe um aspecto em que faz muito sentido nós dizemos que você precisa pegar o chifre, o boi é pelo chifre, né? Você precisa fazer o que você precisa fazer. Você precisa cumprir suas responsabilidades, suas tarefas, seus deveres. E isso, obviamente, não só para os adolescentes na escola, mas para qualquer dimensão onde você possui responsabilidades. Você vê muito bem isso, por exemplo, lá no livro de Provérbios. Muitos dos provérbios bíblicos dizem justamente isso, né? Preguiçoso. Se você ficar preguiçoso, você vai colher o fruto do seu trabalho, que é nada. Você plantou nada, vai colher nada. Então, sim, a Bíblia dá muitos conselhos de, olha, a a bênção de Deus vem em muitas áreas da sua vida quando você se expõe a ela. Mas não é bem sobre esse aspecto da frase, do conceito que nós estamos trabalhando nessa manhã. A lógica negativa que nós estamos trabalhando, que nós estamos denunciando, é uma lógica implícita de que a ajuda divina vem só como uma resposta ao esforço humano. Primeiro a pessoa faz sua parte, primeiro o indivíduo toma iniciativa. Depois Deus complementa como se jogasse um temperinho, sabe? como se Deus fosse só a cereja em cima do bolo sobre uma recompensa, sobre o seu esforço. Uma filosofia que tanto na sociedade secularizada quanto na religião, nas religiões, mas na religião cristã também resulta numa na numa [roncando] coisa que a gente pode chamar de meritocracia. Ao mencionar meritocracia, você pode muito rapidamente colocar esse discurso numa numa embalagem de politização, porque querendo ou não, quando você fala sobre meritocracia, muitas pessoas estão politizando esse termo, né? Não vou tratar sobre isso, mas só para a nível de exemplificação, quando a gente num domingo no almoço coloca na mesa o tema de cotas universitárias, pronto, você acabou com o seu almoço de domingo, domingo, porque a ali entra, né, a ideia de mérito, né, a pessoa tem que merecer, mas a cota não não dá mérito pra pessoa. Enfim, tem todo esse dilema ali e bem politizado, gente. Então, eu quero generalizar o mérito na nossa conversa, não só na política, mas de uma forma como a meritocracia é uma e é uma cracia que esmaga como uma sociedade, inclusive uma religião vivida com base no mérito, se torna cansada. Uma sociedade baseada no mérito é uma sociedade cansada. Uma religião vivida no mérito é uma religião cansada. E nós acreditamos sim que nós devemos responsabilizar de maneira digna o esforço do indivíduo, como no nível de provérbios que a gente estava conversando. Sim, nós acreditamos nessa responsabilização digna, mas nós denunciamos a desumanização em nome do progresso. Precisamos progredir a qualquer custo e isso gera desumanização. para sentir um pouco dos efeitos dessa desumanização, dessa tonelada que o mérito, né, a sociedade vivida com bases no mérito coloca nas costas do indivíduo. Eu quero trazer para você uma canção. Eh, não vou cantar para o bem dos seus ouvidos, mas eu vou só declamar a letra de uma canção de uma banda chamada O Teatro Mágico. Se você não conhece, pesquise, vai fazer muito bem paraa sua playlist. A música do teatro mágico que eu trago para você tem como título O mérito e o monstro. E a letra diz assim: "O metrô parou, o metro aumentou. Tenho medo de termômetro. Tenho medo de altura. Tenho altura de 1 m e tanto. Me mato para não morrer. Minha condição, minha condução, meu minuto de silêncio. Os meus minutos mals somados, sadomasoquismo, são meu trabalho mais que forçado, morrendo comigo na mão. Morrendo comigo na mão. Morrendo comigo na mão. correndo comigo na mão. Para dilatarmos a alma, temos que nos desfazer. Para nos tornarmos imortais, a gente tem que aprender a morrer com aquilo que fomos e aquilo que somos nós. Essa letra é de uma banda não cristã, mas apresenta muito bem uma análise, um diagnóstico dos efeitos de uma sociedade ressecada, amortecida amortecida pelo mérito. A lógica do mérito desumaniza e exaure a lógica da graça humaniza e abençoa. Nós temos aqui o evangelho segundo Satanás. faça por ti. E com isso ele nos resseca, nos cansa, nos esmaga. Muitos de nós estamos exatamente assim nessa manhã. Mas o evangelho de Jesus, na lógica da graça, hum, nós vamos ver muito bem o que esse evangelho faz com um coração como seu, como o meu. Por isso, volta os teus olhos pro Evangelho de Mateus. Ali nós vamos ver o próprio Jesus expondo de maneira quase que artística. artística. A lógica da graça do reino de Deus. Como eu disse antes, abra a sua Bíblia em 19, versículo 30. Capítulo 19 versículo 30. Aqui existe um a o uso de um método literário, podemos dizer assim, muito comum em alguns textos bíblicos chamado inclúio. O inclúio é quando o autor bíblico apresenta uma ideia e essa mesmíssima ideia é repetida alguns versículos depois. E com isso ele inclui todo um conteúdo dentro dessa repetição. E nós temos uma repetição muito clara aqui. Só que o que que acaba acontecendo? A divisão da nossa Bíblia, né? O capítulo 20, vem ali bem e no meio e quebra a lógica do argumento do autor. E você sabe disso, né? Não tô pregando heresia para você não, porque o a divisão de versículos e capítulos não é original do autor bíblico, não é inspirada pelo Espírito Santo. Isso foi, enfim, é um artifício usado muitos séculos depois, é, que nos ajuda bastante, né? Porque você tem bem delimitado ali o seu espaço de devocional, né? Antes de ir pro trabalho, você sabe muito bem o que precisa ler. Mas, eh, às vezes essa quebra de capítulo ou divisão de versículos coloca ali uma pausa bem onde você não deveria parar, você deveria continuar lendo, porque a ideia continua. E aqui acontece exatamente isso no capítulo 19. Não, não vou gastar muito tempo com isso. Acontece uma história bem conhecida. No meio do capítulo 19, você tem a história do jovem rico. Você lembra desse encontro? Onde jovem religioso e muito rico se encontra com Jesus e ele chega, se derrama, se prostra diante de Jesus e fala: "Bom mestre, que que eu farei de bom para herdar o reino dos céus?" E aí Jesus responde: "Bom, mestre, por que você me chama de bom? Só há um que é bom. E você sabe o que vem depois, né? O fim da história é trágico, é triste, né? Porque o rico ele não quer abandonar sua riqueza, ele quer entrar no reino carregando todas aquelas toneladas. E e de alguma maneira, não sei se você sabe disso, mas na cultura daquela época a riqueza era até entendida como um mérito. Porque se uma pessoa é rica, é abençoada por Deus, é porque ela é digna, ela merece. Se uma pessoa é pobre, é porque ela é muito pecadora. Deus não gosta dela e por isso ela é pobre. Então, olhar paraa riqueza é de alguma forma sinônimo de olhar para o mérito de alguém na sociedade. E você vê justamente aquela pessoa cheia de riqueza e teoricamente cheia de mérito diante de Deus, virando as costas pro Messias e preferindo permanecer com seu mérito e sua riqueza do que com o Messias que o chama para segui-lo. A a reação da dos discípulos é é de ficar de boca aberta, né? Eles ficam assim espantados. Meu Deus! Principalmente quando Jesus olha para eles e diz: "Eu digo para vocês que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus." Pronto. Aí isso acaba vira tudo na cabeça deles, de cabeça para baixo. Como o que mais merece, o mais abençoado por Deus é difícil para ele assim desse tanto? Imagina para mim, pobre e pobre e pecador. pecador. Jesus olha para eles e diz: "O que é impossível pro homem é possível para Deus". Pedro olha para Jesus e diz: "Jesus, nós nós não temos muita coisa não, né? A gente não tem muita riqueza para deixar para trás, mas tudo que temos deixamos para te seguir. Deixamos pai, mãe, filhos, casa". E Jesus olha bem para ele e fala: "Ah, é salva de palmas para você. Não há ninguém que tenha deixado tudo para me seguir, que não receba 100 vezes mais. Porque deixar tudo por mim, no fim das contas, é deixar nada para ter tudo. Eu sou tudo. sou tudo. E nesse exato momento é quando Jesus diz, versículo 30, muitos primeiros serão últimos e muitos últimos serão primeiros. Olha só. E com isso ele abre um inclúzio. Ao invés de fechar um capítulo, ele abre um inclúio. E ao abrir o inclúio, ele vai contar uma parábola. E aí ele vai fechar lá no seu versículo 16, 20, 16, dizendo: "Os últimos serão primeiros e os primeiros serão últimos". Entende que tem uma lógica? vem de um contexto e tem uma lógica aqui, gente. Versículo um nos diz, iniciando essa parábola, pois o reino dos céus é como um proprietário que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para sua vinha. Ele combinou pagar-lhes um denário pelo dia e mandou-os para a sua vinha. vinha. O que nós temos nessa primeira cena da parábola de abertura é é extremamente cotidiano, uma cena extremamente corriqueira, banal, porque isso acontecia constantemente. Donos de plantações iam para praças públicas nas suas cidades, eh, contratar trabalhadores que eram generalistas, né? Eles não eram especialistas em nenhuma profissão específica, contratava eles para fazer alguma função específica no seu negócio, na sua plantação, que o que quer que fosse. E é o que acontece aqui. Um dono de uma vinha chama alguns trabalhadores lá da praça e promete para eles um denário. E o denário é uma moeda com o valor exato do salário mínimo de um trabalho, aliás, do trabalho de um dia. Então justo tudo kit é perfeito. Você vem trabalha um dia e eu te pago trabalho de um dia. OK. Bruce Malina é um estudioso do Novo Testamento, também especialista em ciências sociais. Num comentário dele sobre os evangelhos sinóticos, ele comenta essa cena que nós temos na abertura da parábola dizendo o seguinte: "Na escala da economia doméstica, diaristas estavam perto da base, então a gente tinha os escravos lá embaixo e um pouco acima dos escravos tinha esses trabalhos, esses trabalhadores diaristas. Então eles estavam perto da base. Eles se achavam dentre as pessoas mais pobres na sociedade. Normalmente eles eram camponeses sem terra ou filhos que não eram herdeiros ou pessoas, olha só, que haviam perdido suas terras ancestrais mediante dívida e foram sendo levados para as grandes cidades e povoados em busca de trabalho. Dado que a perda da terra, como significava a perda da família e da rede de apoio que isso implicava, tais pessoas eram frequentemente desesperadas. A sobrevivência era a miúde e uma luta amarga. Imagina essa esse pai com uma esposa e alguns filhos tendo que sair da sua região para ir para uma grande cidade, onde não conhecia nada nem ninguém, onde não tinha nada, tendo que trabalhar dia a dia para ganhar moeda após moeda para comprar o pão de cada dia. Situação desumana, situação desesperadora. Era assim que ficavam aqueles homens na praça. Era esse o coração dos homens lá na praça. Agora você imagina, vem esse dono da vinha, contrata alguns e ficam lá ainda outros tantos esperando serem contratados por algum outro senhor de terras. Versículo 3. E aí onde a parábola começa a aparecer uma parábola de Jesus. Ele sempre pega uma situação banal e acrescenta um elemento que ninguém espera. No versículo 3 aparece um elemento que ninguém espera. Por volta das 9 horas da manhã, ele sai e vê outros que estavam desocupados na praça. E ele lhes diz: "Vão também trabalhar na vinha e eu pagarei a vocês o que for justo". Olha só, primeira pergunta que você precisa parar para pensar. duas, na verdade, por que eles continuaram na praça até às 9 horas da manhã e porque ele volta na praça às 9 horas da manhã? Duas perguntas que você precisa fazer aqui nessa situação. Eles continuarem esperando na praça até às 9 da manhã para ver se ainda aparecia alguém. Era um gesto de muita esperança. [limpando a garganta] Eles esperavam ansiosamente que aparecesse alguém. Só que perceba, se eles são contratados às 9 horas da manhã, o salário que eles vão ganhar naquele dia não é mais um denário, é menos do que um denário. E é menos do que eles precisavam para comprar o pão para suas famílias, mas ainda assim eles ficaram lá. Por que que esse senhor da vinha sai de novo? A gente não tem resposta para isso. É um negócio que fica no ar. Você tem uma alternativa. Pode ser que ele seja um desorganizado. Ele tem x quantidade de trabalho. Ele foi lá cedo e comprou. Comprou não, ele contratou dois ou três funcionários. Eles foram e ó, aí ele viu, ó, não vai dar, preciso de mais. E aí ele volta lá para pegar mais. Pode ser, né, uma hipótese de que ele seja desorganizado, uma pessoa com mau planejamento, mas sinceramente não parece ser esse o caso. Quando você lê toda a história, você vai vendo que ele é uma pessoa de um caráter bem estável, parece que ele é um personagem bem admirável. Então, é bem pouco possível que ele seja um, hã despreparado, um confuso. Resta uma outra alternativa. [roncando] Quando ele leva às 6 horas da manhã alguns contratados, ele vê que ficam outros lá esperando na praça. E aí dá 9 horas da manhã, ele pensa: "Hum, será que eles conseguiram alguém? Será que eles conseguiram trabalho para hoje? Eu vou lá ver. E ele vai às 9 horas da manhã. E olha, eles estavam lá realmente. E imagina esse encontro, eles lá esperando. Será que ainda vem alguém? E ele vem, será que ainda tem alguém? Olha, sim, tem alguém. E aquilo é festa para ambos os corações. Mas a história não acaba aí, certo? Você tem o versículo 5, que parece que só aprofunda e agrava o escândalo da parábola de Jesus. Porque no versículo 5 diz que saindo outra vez e ainda por volta do meiodia, o pior horário para você sair andando na rua, ir praça. E das 3 horas da tarde também ele fez a mesma coisa, gente. Ele foi naquela praça quatro vezes no mesmo dia. Quatro vezes. E ainda tinha gente lá. A cada vez que ele voltava, ainda tinha gente esperando e procurando por um contrato, por um emprego. Só que a pior, vamos dizer assim, o pior cenário mais imprevisível é o do versículo 6, que nos diz: "Saindo por volta das 5 horas da tarde, encontrou ainda outros que estavam desocupados e lhes perguntou: "Por que vocês estiveram aqui desocupados o dia todo? todo? Porque ninguém nos contratou", responderam eles. Ele lhes disse: "Vão vocês também trabalhar na vinha. Por que esses homens ficaram até às 5 da tarde naquela praça, gente? Sabe por quê? Porque aquela era uma cultura de honra e vergonha. Imagina esses homens voltando paraas suas casas 1 hora da tarde, 3 horas da tarde, ou que seja 5 horas da tarde. Voltar para casa era o pior momento do dia, porque ele ia olhar os seus filhos no olho e o pai ia perguntar: "Tem pão, pai? Tem peixe hoje?" E ele ia ter que dizer: "Não, bebe água. bebe água. Bebe água. Hoje não deu, filho. Imagina a tortura desse coração que esses homens lá na praça até às 5 horas da tarde, sabendo que a própria família ia passar mais um dia com a barriga vazia, eles ficam na praça, eles ficam lá. Mas o mais interessante é esse dono da vinha voltar lá às 5 horas da tarde. Qual é o coração dele? Tá, vamos ser bem realista. Esse eh ele não tinha, enfim, uma empresa, né, de vinha e aí de repente ele virava a esquina e tinha a praça. Ele tinha que andar alguns quilômetros, alguns minutos para chegar na praça, certo? E ele tinha que andar mais alguns quilômetros e alguns minutos para voltar paraa sua vinha. Ele chega lá na praça pela última vez às 5 horas da tarde e o turno de trabalho terminava geralmente por volta das 6 horas da tarde, quando o sol se punha. Depois que anoitecia, ninguém mais trabalhava em colheita, em plantação. Eh, era perigoso até. Então, ele vai lá 5 horas da tarde, contrata aqueles homens, vai lá trabalhar na vinha vocês também. Fala sério, até eles chegarem lá, deu 6 horas. Eles não trabalharam naquele dia. Mas tem um outro estudioso do Novo Testamento chamado Kenneth Bailey. Ele diz o seguinte: "Olha só que interessante, o Senhor da vinha não lhes diz: "Olhem, peguem um denário para cada um de vocês, vão e comprem alguma comida para suas famílias". Não, ele se recusa a humilhá-los ainda mais, pondo-os na condição de necessitados extremos. Em vez disso, dá-lhes a única coisa que eles tão ansiosamente desejam, trabalho. Olha isso, gente. Se aquele homem, se aquele rico fosse para aqueles homens e falar assim: "Olha, toma uma gorgeta aí para vocês, toma um denário aí, corre para ir comprar pão antes que anoitece, antes que feche as padarias". Se ele fizesse isso numa cultura de honra e vergonha, ele estaria acabando com a reputação daqueles homens. inclusive acabando com a possibilidade desses homens serem contratados no dia seguinte, porque eles iam chegar lá no dia seguinte de manhãzinha e todo mundo ia falar: "Ó lá, aqueles lá, ó, ontem eles nem trabalharam nada, compraram pão pra família, foi com esmola contrata eles não, ó, eles não sabem nada, eles vivem de pedinte. Ia acabar, eles não iam ter mais pão nem pro dia seguinte, nem para nenhum mais. Então, ao invés desse dono da vinha crescer a sua generosidade com base no esmagamento da dignidade daqueles homens, ele não faz isso. Porque a graça que ele expressa pros homens, vem trabalhar na vinha, preserva a dignidade deles. deles. No dia seguinte eles ainda iam ter emprego. Bom, pelo menos a tentativa de um emprego no dia seguinte. Isso é muito interessante. Mas vamos lá. O que que acontece no versículo 8? Olha comigo para essa Bíblia. Diz assim: "Ao cair da tarde, o dono da vinha disse a seu administrador". Hum. Hum. Administrador? Quem é esse administrador? Tinha mais um funcionário lá esse tempo todo. E por que que esse dono da vinha foi pessoalmente cinco vezes lá na praça contratar aqueles homens? Por que que ele não mandava o administrador no lugar dele? Isso é de se pensar. Tinha um desgaste pessoal da parte dele em contratar cada um daqueles empregados tardios. De qualquer maneira, ele diz pro seu administrador ainda, versículo 8ito, chame os trabalhadores e pague-lhes o salário, começando com os últimos contratados e terminando nos primeiros, porque os últimos receberão primeiro. Isso, gente, com isso, olha só que interessante. Se ele não pagasse aqueles homens, inclusive os que vieram depois, ele estaria quebrando um mandamento da Torá, ele estaria quebrando um mandamento de Levítico. Lá em Levítico 19:13 diz assim a lei do Senhor: "Não retenha até amanhã do dia seguinte o pagamento de um diarista". Ele era obrigado a pagar aqueles homens no mesmo dia e é isso que ele faz. Mas a grande pergunta é: por que que ele começa pelos últimos? Se você concorda comigo, se ele tivesse entregue a o pagamento dos primeiros, antes de tudo, eles iam receber o pagamento e iam ir embora, certo? sem revolta, sem crise, sem comparação, sem sem espetáculo. Mas parece que ele quer um espetáculo, parece que ele faz de propósito, né, assim, deixa eles esperando ali, porque eu quero que eles vejam eu dando um denário inteiro pros outros, igualando de alguma maneira os dois. Parece que ele fez isso bem de propósito. E o versículo 9 vem com a reação de tudo isso, né? Vieram os trabalhadores contratados por volta das 5 horas da tarde e olha só, cada um recebeu um denário. Que bonito. Mas versículo 10, quando vieram os que tinham sido contratados primeiro, eles esperavam receber mais. Por quê? Cada um deles também recebeu um denário. Quando receberam o denário justo, que tinha sido, né, acordado lá no no contrato, eles começaram a se queixar do proprietário da vinha, dizendo-lhe: "Estes homens contratados por último, trabalharam apenas uma hora e o Senhor os igual a nós, que suportamos o peso do trabalho e o calor do dia. Isso te lembra alguém quando uma ação generosa, graciosa, desperta escândalo, desperta resistência, revolta, indignação? Você já leu o livro de Jonas? O livro de Jonas é sobre isso. É sobre esse coração aqui. É sobre um coração que fica indignado com Deus, sendo gracioso, abundante em em compaixão. Porque você tem ali um um israelita, né? Não. OK. OK. Deus nos contratou no começo do dia, né? Deus nos buscou desde lá de Abraão. E nós estamos desde Abraão, né? Passando por escravidão no Egito, passando por trancos e barrancos, Saul, Golias, é tanta coisa, né, que a gente enfrenta. E estamos aqui até hoje [roncando] pelo nosso denário. E agora ele vem e olha pros ninivitas e diz que vai deixar tudo bem, tudo OK para esses que empalam seus inimigos. Não, a eles o fogo, a eles a ira, a eles o juízo. Não a graça, não a mesma graça que nós somos dignos de receber, que nós merecemos receber. Tem mais alguém com coração parecido assim na Bíblia? Você lembra da parábola do filho pródigo? Temos o filho mais novo, o pródigo, voltando para casa, sendo acolhido com abundância de compaixão, de perdão, de generosidade pelo pai. Mas o mais velho não gosta daquilo. Ele gastou tudo com prostitutas. Ele desperdiçou toda a sua riqueza e você vai e abraça quando ele volta e o acolhe. Tua graça não pode ser assim tão de graça, gente. Esse pode ser o seu coração também. Esse pode ser exatamente o mesmo coração quando você vê um pastor que você julga quando você vê um pastor que você julga herege herege entrevistando uma política trans, você olha para isso com que coração? Tenhamos corações que não se escandalizam com a possibilidade da graça de Deus se estender aos nossos mais opostos quando eles se arrependerem. Que as nossas portas permaneçam abertas aos quebrantados, aos arrependidos. que quando o seu pior inimigo for contratado na última hora e receber o mesmo denário que você, faça a festa. Faça a festa. A graça do coração do Pai é capaz de colocar qualquer pecador, mesmo dos mais baixos e excluídos, ao lado das alturas dos apóstolos, dos profetas e dos patriarcas. O denário é igual para todo mundo. Tem duas perguntas que eu quero te fazer hoje. A primeira delas é: você consegue, por um lado, continuar se alegrando por ter sido chamado graciosamente na última hora e e recebido o mesmo denário que, por exemplo, o povo de Israel? Você consegue ainda se alegrar com o perdão que Deus derrama sobre sua vida. Você consegue se lembrar dos primeiros dias quando mergulhado em sensação de indignidade você falava: "Pai, perdoa os meus pecados. Senhor, eu não sou digno nem de olhar, eu não sou [roncando] digno nem de acessar, de falar contigo. Perdoa os meus pecados, Senhor. Me me dá uma nova história, um recomeço. E quando você, nessa situação experimentava o abraço gracioso de Deus, você se sentia perdoado, amado, renovado, encorajado a levar a mesma graça para outros. Isso ficou pelo caminho. Onde tá essa alegria, essa festa? Porque ele me perdoou, ele me recebeu, ele me deu um denário e eu não fiz nada para merecer. Onde tá a sua festa? Porque você ainda é salvo? Ela [roncando] não pode ficar presa lá na primeira década, década de conversão na sua vida. Isso precisa vir até o seu último fôlego. Isso precisa ser como era pro apóstolo Paulo, por exemplo, aquele que vem e interrompe a sua cavalgada de de pecado e de indignidade, de falta de amor, é o mesmo ao qual ele ama e entrega quando necessário é, inclusive sua própria cabeça, por amor aquilo que é tudo por ele. O perdão de Cristo precisa manter esse lugar no nosso coração, senão você esquece que o denário que você recebeu é imerecido. E aí quando você chega nesse ponto de esquecer quão gracioso ele foi em te dar esse denário, você começa a olhar pros outros e dizer: "Ele não merece esse denário". Tá, eu já me acostumei com o meu, mas aquele ali, se Deus perdoar aquela, se Deus aceitar aquele, Deus não sabe ser Deus. Se Deus for gracioso, perdoador, misericordioso, amoroso com aquele tipo de gente, eu tô fora. Prefiro ir pro inferno do que para um céu desse Deus, desse tipo de Deus. Aí, gente, esse é o coração de Jonas. Esse é o coração do filho mais velho. Esse pode ser o seu coração, sim, nessa manhã. Então, alegre-se com a graça para que você não prive outros dessa graça e que, pelo contrário, ao se alegrar tanto com essa graça recebida, você possa expandir e espalhar elas para outros. Eu imagino, ah, não, não vou chegar nessa parte, não, vou guardar um pouquinho. Isso vai fazer mais sentido daqui a pouco. A gente precisa continuar olhando pro texto, versículo 13, onde Jesus continua sua parábola dizendo, mas ele, o dono da vinha, respondeu a um deles. Olha só, ele não parece que ele direciona o foco para um, né? Tem um grupo de revoltosos ali, mas ele foca um que parece ser meio que uma espécie de líder e diz assim para ele: "Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não concordou em trabalhar por um denário? Receba o que é seu e vá. Eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que dê a você. Eu quero, eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que dei a você. Não tem o direito de fazer o que eu quero com meu dinheiro ou você está com inveja porque eu sou generoso? Uau! dos discursos bíblicos, quem sabe este seja o mais poderoso. poderoso. A retórica desse discurso é muito potente e a parábola acaba aqui. Como muitas parábolas, igual a do filho pródigo, por exemplo, né? O pai fala assim: "Eu recebi este teu irmão e tal, tal, tal". E a parábola acaba ali. Você não sabe o que que o filho mais velho fez. Você não sabe o que esse trabalhador indignado aqui fez depois que ouviu esse discurso? Será que ele se arrependeu e falou: "Poxa, é mesmo, né? Você tá certo, o dinheiro é seu?" Ou se ele: "Não, mas você não sabe assim também como eu não sei o que que você vai fazer depois de ouvir essa pregação. A gente não sabe, mas a resposta precisa ser dada e ela não é pronta. Olha, essa é a resposta que você tem que dar. Não tem isso. Uma a informação muito importante que você precisa ter sobre esse texto é sobre a palavra amigo. Você vê aí no versículo 13 quando ele diz assim: "Amigo, não estou sendo injusto com você". Essa palavra que que Mateus usa para escrever o seu evangelho aqui é uma palavra diferente. A gente tem uma palavra clássica para amigo que é usado na Bíblia inteira. é a mesma palavra sempre que envolve fraternidade, enfim, um sentimento de de de gostar, né, de identificar com o outro, mas aqui não. E na verdade essa palavra que é usada aqui nesse lugar, nessa nesse amigo aqui, ela só aparece em outros dois lugares, totalizando três usos no Novo Testamento inteiro. E todos os três usos no Novo Testamento inteiro estão aqui no Evangelho de Mateus. Mateus parece que forma uma cadeia, né? Um encadeamento de usos da mesma palavra para porque ele quer chegar em algum lugar. A primeira vez que ele usa a palavra amigo é aqui. E o que que de fato ela significa? É um amigo é uma forma geral de tratar alguém cujo nome você não sabe. E um título educado para um desconhecido, para um estranho. Mais ou menos quando você tá, por exemplo, num comércio e você vai falar: "Ô, amigo, onde é que fica o arroz?" você não conhece, você não sabe o nome, mas ao mesmo tempo, lá naquela época, essa palavra tinha uma conotação também de distanciamento, como se você colocasse o braço bem assim no peito da pessoa e falasse: "Amigo, você entende? aproxima e ao mesmo tempo distancia, mantém a pessoa no lugar dela. Você não chama ela para um relacionamento, para uma proximidade. Esse é o ponto. O Senhor aqui usa essa palavra pro funcionário indignado. Mas onde mais são as outras duas vezes que essa palavra aparece? Outra, a segunda vez eh, numa outra parábola de Jesus, eu não sei se você se lembra dessa, quando ele tá falando sobre um banquete de casamento, e lá no final da parábola, o o dono do da festa vai passeando ali no meio dos convidados e aí ele vê um convidado que não tá com roupa nupcial, com vestes adequadas paraa festa de casamento. Ele vai para ele e diz assim: "Ei, amigo, a mesma palavra, por que você não tá usando as vestesiais?" E aí ele bota o cara para fora, onde há choro e ranger de dentes. A terceira vez em que essa palavra é usada, e aí você percebe onde é que Mateus estava querendo chegar com o uso dessa palavrinha, Jesus no Getsêmane diz para Pedro, Tiago e João: "Vamos daqui, aí vem o que me trai." Chega Judas, dá um beijo, Jesus olha para Judas e fala: "Amigo, "Amigo, o que te traz aqui?" Essa palavra é a palavra para um funcionário que trabalhou o dia inteiro para aquele senhor, mas não tem relacionamento nenhum com ele. Essa palavra é a palavra para um convidado que tá até no casamento, mas não deveria est é posto para fora, não tem relacionamento com o noivo. Essa palavra é para Judas, que tá até no meio dos discípulos, mas no fim das contas não continuou por lá. Será que se Jesus tivesse aqui hoje, ele olharia nos teus olhos e te chamaria de amigo? Porque tem um coração que trabalha para Deus e em nome de Deus, mas não tem o coração de Deus, é permanecer como um amigo desse tipo, um amigo Judas. Que Deus nos livre disso. Versículo 16. Assim, os últimos serão primeiros e os primeiros serão últimos. Você pode olhar para essa frase nesse ponto da parábola e perguntar assim: "Mas como assim? Não ficaram todo mundo igual?" Não, não ficaram todos iguais? Um denário para esse, um denário para esse. Todo mundo com denário. Não tem primeiro e último. Pera aí. Tem primeiro e último? Sim. Sabe por quê? Tem um uma nuance de contexto sociocultural da época que se a gente não tiver, parece mesmo que o negócio fica mal resolvido. Olha só, nesta parábola, ainda citando Bruce Malina, aquele cientista social que eu disse, nessa parábola temos um dono de casa agindo exatamente como um típico patrono mediterrâneo. Olha só, esse bom dono de casa, ele paga a todos mediante um acordo. Contudo, qualquer coisa dada acima do pagamento combinado exige um relacionamento entre patrono e cliente. cliente. O patrono mostra patronagem ao dar a este último o mesmo que a ti. Este é o favor que se espera de um patrono. Não clientes recebem simplesmente o que lhe é devido e por isso lançam um olhar de inveja contra o patrão. Embora a inversão de valores aqui implícita pudesse chocar o público de campones também levaria a admirar a generosidade do patrono. Vamos trocar isso, miúdos. Que que tá sendo dito aqui? Quando ele paga um denário combinado no contrato para aqueles que trabalharam o dia inteiro, ele tá mantendo relação contratual. Ou seja, no dia seguinte, se aqueles homens eh para aqueles homens trabalharem novamente para esse senhor, ele tem que contratar de novo. Por isso, amigo, há um distanciamento aqui. É um negócio contratual, eu não te conheço. Por outro lado, olha só, quando ele dá um denário inteiro para aqueles que foram contratados por último, ele tá dando um presente, uma dádiva, um dom grande demais para alguém que não merecia. E ao fazer isso, ele estabelece uma relação de patrono cliente. Ele estabelece um relacionamento duradouro. No dia seguinte, esses homens não estariam mais na praça procurando alguém que os contratasse. Agora eles tinham um relacionamento. Isso é o escândalo. Por isso os últimos se tornaram primeiros. vê aqui que existe um desnivelamento social absurdo. Não tem igualdade. Ainda que o denário foi igualado, mas por relacionamento a coisa tá completamente distante, uma uma cena da outra. E com isso a gente precisa dedicar atenção para para um coração que talvez a gente não parou muito para olhar, que é o coração justamente do dono da vinha. Gente, ele tinha um administrador que ele poderia ter enviado o dia inteiro para lá para se desgastar com esse translado, mas ele fez aquilo tudo pessoalmente. Ele foi o que ficou no sol o dia todo. O o revoltado disse, né? Nós trabalhamos debaixo do sol o dia inteiro, ganhamos um denário. Ah, só ele que tava embaixo do sol o dia inteiro. O senhor da vinha andando para lá e para cá o dia inteiro. Não tava embaixo do sol, não. Ele foi o que mais se desgastou. E olha só, sabe o que é mais escandaloso aqui? No final, todo mundo tá mais rico do que estava no começo da história. Só tem um que foi empobrecido. Só tem um que tem o cofre mais vazio do que tinha no começo da do dia. Ele se esvaziou para que aqueles fossem enriquecidos. A graça de Deus o esvazia. Você tem noção de que isso é Jesus? Isso é o próprio Jesus contando uma parábola que coloca em cheque. Cada um precisa diagnosticar o seu próprio coração, mas acima de tudo ele tá revelando o próprio coração, porque ele é aquele que tinha toda a glória de Deus e não julgou como usurpação ser igual a Deus. antes a si mesmo se esvaziou e distribuiu dos seus denários e chamou a gente que não era nada na última hora do dia, quando já não tinha mais esperança alguma para mim e para você. Ele vem e estabelece relacionamento. Eis o nosso patrono. Ele é o nosso dono. >> E que prazer é ser dele, não é? É segurança. Como você fez para merecer isso daí? Onde, Onde, ó pois está o mérito, onde há jaquitância. Não tem espaço para ninguém aqui bater no peito e dizer: "Ah, mas eu vou herdar a vida eterna porque eu guardei os mandamentos desde a juventude. Porque olha só pras minhas condições financeiras, pra minha carreira, pra minha, olha os meus títulos acadêmicos, olha pra minha família que bonita, como Deus me dá tantos filhos, olha como eu sou abençoado." E é óbvio porque todos esses sinais apontam que eu sou digno do reino de Deus. Gente, a graça a graça é a graça. é a graça. É a graça. Abra a sua Bíblia comigo e ali a gente vai encerrar. Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 4, versos de 4 a 8. Romanos 4 de 4 a 8. de 4 a 8. Faça a tua parte e Deus te ajudará. Isso só pode ser evangelho de Satanás mesmo, porque por um lado tem esse evangelho de Satanás aí que planta essa meritocracia inclusive dentro das igrejas. E aí a gente vive nessa autoavaliação o tempo todo. E a avaliação alheia o tempo todo. Nessesse jogo de espiritualidade para ver quem faz mais devocional e tira foto e põe no Instagram. A gente fica nessa autoavaliação de quem levanta a mão mais alto no na hora do louvor e quem é mais espiritual, quem vai mais nos presídios para evangelizar. Gente, não, [suspirando] nós não trabalhamos para Deus. Ele é o Deus que trabalha para os que nele confiam. Paulo nos diz: "Ora, o salário do homem que trabalha não é considerado como um favor, mas como dívida. Todavia, Todavia, aquele que não trabalha, mas confia em Deus, que justifica o ímpio, sua fé lhe acreditada como justiça. Davi diz a mesma coisa quando fala da felicidade do homem a quem Deus acredita justiça, independente de obras. Como são felizes aqueles que têm suas transgressões perdoadas, cujos pecados são apagados. Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa. Meu irmão, minha irmã, nós vamos paraa ceia agora. Nós vamos pro pão e pro cálice. E não é à toa que nós vamos para lá. Não é porque faz parte da nossa liturgia, é porque não tem outra forma da gente terminar essa pregação. É porque não tem outro modo. É inescapável. O sacrifício de Jesus Cristo no nosso lugar é inevitável, é inescapável, não tem para onde ir. Se você mergulhar na meritocracia, você vai se exaurir. Suas fotos podem ser bonitas, os elogios podem ser até abundantes, mas o seu coração vai tá seco, seco e cansado. Mas mergulha na graça para você ver. Reencontra mais uma vez o de o Deus perdoador que te recebe de novo e de novo e de novo e oferece para você o corpo e o sangue de graça mais uma vez. É no mérito de Cristo e não no nosso. Esse é o evangelho de Jesus. Esse é o evangelho de Jesus que não nos resseca, não nos mata. É água que flui pra vida eterna >> e que te torne alguém que se é que é fonte a jorrar para outros também. Que você volte amanhã na praça e pegue aqueles que ainda não foram contratados e diz: "Olha, tem uma boa notícia. Não é pelo que você faz ou deixa de fazer, é pelo amor de Deus por você. Ele ainda tem mais denários para distribuir. Distribuamos. Portanto, [música]