O apóstolo Paulo, então, ele vai nos ajudar a pensar biblicamente sobre essa questão na palavra, no trecho que abriu a nossa reflexão. Eu te convido a abrir de novo a sua Bíblia. Então, em Primeira Timóteo, capítulo 6. Nós vamos ler três versos antes do que nós lemos na abertura, porque há um contexto importante. Então, nós vamos ler a partir do verso 3. Agora, Primeira Timóteo 6:3. Veja o que o apóstolo, do que o apóstolo Paulo está falando quando ele entra no texto que nós lemos na abertura. Se alguém ensina alguma outra doutrina e discorda das sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e da doutrina que é de acordo com a piedade, é arrogante e não compreende nada, mas delira em questões e discórdias acerca de palavras. Dessas coisas nascem invejas, brigas, calúnias, suspeitas maliciosas, disputas de homens de entendimento corrompido e privados da verdade que imaginam que a piedade é fonte de lucro. Vamos até aqui por enquanto. Então, Paulo está falando sobre falsos mestres, né? Um tema recorrente nas epístolas paulinas. Agora escrevendo ao seu discípulo Timóteo, ele tem que tratar novamente com falsos messes. Ele está falando, fica bem claro, no verso três, de pessoas que ensinam outra doutrina, uma doutrina diferente das sãs palavras de Jesus e da doutrina que é de acordo com a piedade. Portanto, mestres que ensinam doutrinas falsas. O que torna a doutrina falsa é o fato dela estar em desacordo com as palavras de Jesus. Então, vejam que esses falsos mestres estão ensinando uma doutrina que, de acordo com Paulo, é contra as palavras de Jesus e contra o que ele vai, né, nomear aqui como piedade. Doutrinas que não estão de acordo com a piedade ou não são diferentes da doutrina que está de acordo com a piedade. E é a primeira palavra que piedade vai aparecer do nosso texto. Ela vai aparecer no verso 5 e depois no verso 6 de novo. O que é piedade, meus irmãos? Piedade é um conceito bem amplo, difícil de definir em poucas palavras, mas se a gente fosse fazer uma tentativa, a gente talvez definiria piedade como essa reverência, essa devoção no nosso coração despertada pelo evangelho e que se externaliza, se manifesta numa vida de contentamento, obediência e amor ao próximo. Então, a piedade é tanto algo que existe no meu coração, que o evangelho desperta uma reverência e uma devoção a Deus que não estariam lá, não tivesse o evangelho despertado, mas ela é também a externalização desse sentimento, dessa devoção, dessa reverência em atos que demonstram contentamento, amor ao próximo, obediência a Deus. Isso seria a piedade. Paulo no verso 3, ele faz uma construção interessante porque parece que ele tá dizendo que a piedade, ou seja, essa vida de devoção, de reverência a Deus, é a régua para dizer qual a doutrina é a verdadeira e qual a doutrina é falsa, né? Porque ele fala que a doutrina verdadeira está de acordo com a piedade, como se a piedade fosse a régua de medir. Isso não deixa de ser verdadeiro. É claro que a piedade nos fala algo sobre a doutrina verdadeira, sobre o que é a verdade e o que não é. Mas a construção mais provável, as palavras do apóstolo, que ele quer expressar, meus irmãos, talvez seja mais na direção contrária. É que a doutrina verdadeira, as sã palavras de Jesus, nas palavras do apóstolo aqui, produzem uma vida piedosa. Então, é como se o teste da verdadeira e da falsa doutrina também pudesse passar pelos frutos, pelo que resulta daquela doutrina. doutrina. Existe a doutrina que está em desacordo com o ensino de Jesus e existe a outra doutrina, a doutrina verdadeira. E a doutrina, se ela está de acordo com os ensinamentos de Jesus, ela vai produzir uma vida piedosa, o que faz todo sentido, uma vez que, na nossa definição de piedade, a piedade é despertada no coração pelo evangelho, pelas boas novas. Quais são os frutos da doutrina falsa? Doutrina verdadeira produz piedade. Os frutos da doutrina falsa estão aí colocados no verso 4 e início do verso 5. A pessoa é arrogante, não compreende nada, mas delira em questões e discórdias acerca de palavras. Dessas coisas nascem invejas, brigas, calúnias, suspeitas, disputas de homens e privados de verdade que imaginam que a piedade é fonte de lucro. Então, esse é o teste do ministério de qualquer pastor, de qualquer pregador. A doutrina que essa pessoa ensina está levando a igreja a uma vida mais piedosa, a uma devoção mais profunda a Deus, a uma vida que se externaliza em atos de amor, de obediência, ou ela está levando as pessoas a esses outros frutos aqui, a inveja, briga, calúnia, suspeitas maliciosas. Então, veja que Paulo tá Paulo tá eh contrastando dois ensinos diferentes. E ele termina o verso 5 falando que ou esses falsos mestres ou aqueles que os seguem, né, o verso 5, deixa isso um pouco ambíguo, eles estão entendendo que a piedade, eles tratam a piedade como fonte de lucro. É assim que ele termina o verso 5. Homens que imaginam que a piedade é fonte de lucro. Nessa doutrina, nesse modo de entender a Bíblia, nesse modo de entender a vida cristã, a vida cristã é instrumentalizada, ela se torna somente uma ferramenta, um bem penúltimo, porque o bem último é o lucro. Seguir a Deus, servir a Deus seria uma ferramenta, uma maneira de obter outra coisa. A piedade, ela, na verdade, ela é uma fonte de outra coisa. Eu busco a piedade porque de alguma forma servir a Deus me cai bem, me traz alguma coisa. É como se fosse uma préologia da prosperidade, meus irmãos. Você segue a Deus porque você entende que seguir a Deus te dá acesso a uma série de bênçãos que não estariam disponíveis de outra forma. E essas bênçãos, Paulo vai deixar claro daqui paraa frente, envolvem inclusive uma esperança de riquezas materiais. materiais. Então eu instrumentalizo a vida cristã como uma ferramenta para eu chegar no lucro. Então, no fim de tudo, o que eu estou buscando como bem maior não é Deus, não é a sua justiça, a minha devoção, a minha reverência não é a Deus. Eu estou buscando as riquezas e trato a piedade, a vida cristã como um instrumento paraa obtenção desse lucro. Agora você tem então o contexto necessário para começar a entender o que Paulo vai ensinar a partir do verso 6. Então Paulo vem falar de falsos mestres, de uma falsa doutrina que instrumentaliza a vida cristã, ou pelo menos externamente parece se conformar a vida cristã, mas que na verdade busca Deus para buscar as riquezas. busca Deus não por ele mesmo, mas por aquilo que se pode se obter por meio dessa relação. E é muito interessante quando a gente chega no verso seis, que parece que Paulo na superfície está concordando com essas pessoas. Veja o verso seis. O verso se aqui na minha tradução, ele começa com um de fato, né? De fato, verdadeiramente, a piedade é grande fonte de lucro, né? Isso que tá aí na sua Bíblia no verso 6. Mas tem uma pegadinha aí, né, gente? Tem uma diferença que é uma dinamite aí nessa doutrina falsa. É a piedade acompanhada de, na minha tradução, satisfação, que é a palavrinha que você já ouviu também na nossa série de pregações, é a palavrinha contentamento. É a piedade acompanhada de contentamento é de fato uma grande fonte de lucro. O que é o contentamento? De novo, uma outra palavra também difícil de definir, mas a gente poderia definir talvez como aquela suficiência interior interior que permanece sereno mesmo em frente às adversidades. Tudo fora pode est ruindo, mas a gente tem contentamento no coração. Dentro de nós. A gente sabe que a gente tem uma suficiência. que é a palavrinha satisfação, como tá na minha tradução, contentamento e suficiência, elas andam juntas, elas descrevem um pouco o que essa palavra quer transmitir. Então, vejam, se a piedade vem acompanhada de contentamento, ela de fato traz ganho. Mas ela não vem acompanhada de contentamento, meus irmãos, como se o contentamento fosse um belo opcional. A piedade é um carro e o contentamento é um belo rádio para esse carro. Não é essa ideia. A piedade verdadeira, a devoção interior a Deus, ela se manifesta em contentamento também. Então o contentamento é uma das rodas desse carro. é parte integrante do que significa um coração atingido pelo evangelho, um coração que de fato é devoto a Deus, que se dedica a agradar o seu Senhor. Quando a piedade vem acompanhada, então, de contentamento, meus irmãos, eu estou satisfeito sem precisar das riquezas materiais. Se a meu relacionamento com Deus me torna satisfeito em Deus, então essas outras coisas que esses outros homens, esses falsos mestres estão vendendo e que esses outros homens estão comprando, passa a ser atraente para mim. Então, de fato, o que eu recebo por estar em relacionamento com Deus é um grande lucro, é um grande ganho. Então, Paulo concorda, mas inverte a lógica, porque ele está falando de outra classe de lucro. As pessoas, meus irmãos, elas buscam as riquezas por causa de uma insatisfação. E elas buscam a riqueza, o dinheiro, não pela riqueza e o dinheiro em si, mas por aquilo que elas acham que a riqueza e o dinheiro pode suprir. Ora, se eu já estou suprido, se eu já estou satisfeito sem essas coisas, não é muito melhor?