Filipenses capítulo 2. Nós leremos a partir do versículo 1. Semana passada nós demos uma pequena pausa na nossa série por causa das celebrações de Pentecostes e hoje nós já estamos retornando pra nossa série Evangelho segundo Satanás. Eu sei que esse nome pode parecer surpreendente para aqueles que estão nos visitando, mas nós estamos aqui justamente para quebrar essas mentiras de que o Satanás tem um evangelho próprio, tem uma boa notícia própria. E nós estamos tratando alguns temas aqui nas últimas semanas. Filipenses capítulo 2, eu tô lendo na versão nova Almeida atualizada. Diz assim a palavra do Senhor. Portanto, se existe alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há profundo afeto e sentimento de compaixão, então completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor e sendoos unidos de alma e mente. Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmos, não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também o interesse dos outros. Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, que mesmo existindo na forma de Deus, não considerou que o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos e reconhecido em figura humana. Ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou sobre maneira. Ele lhe deu um nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho nos céus, na terra e debaixo da terra. E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus, o Pai. Feche seus olhos. Vamos orar mais uma vez. Pai, aqui está a tua palavra e nós pedimos, eu peço que o Senhor fale conosco, Deus, o que o Senhor deseja. Se não for a tua palavra, o que o Senhor deseja, não tenho nada para dizer nesta manhã. que o Senhor realmente tenha acesso aos nossos corações, nos traga arrependimento no nome de Jesus. Amém. Essa semana apareceu no meu Instagram uma dessas frases motivacionais e nessa frase motivacional tava escrito o seguinte: "Pense mais em você, não de forma egoísta, mas com consciência de que se não se você não cuidar de si, ninguém fará isso por você". Essa frase parece muito bonita e parece ter verdade nela. Olha, pensa mais em você mesmo. Provavelmente você já ouviu algum podcast, alguém falando sobre isso. Você já viu algum conselho do tipo: "Olha, você tem que se cuidar mais, você tem que se importar mais com você mesmo. Cuide mais da sua própria vida, pare de se importar tanto com a o problema das outras pessoas e se importe mais com você." Não é para você ser egoísta. Aí sempre tem essa, né? Não, não é que você tem que ser egoísta, é porque senão ninguém vai cuidar de você. Parece ser lindo, mas tem uma contradição enorme aqui que nós vamos ver. Nós estamos, né, nessa série falando sobre o evangelho de Satanás. Satanás tem boas notícias e uma delas é essa: cada um cuide da sua própria vida. Há uns dias atrás, eu tava assistindo esses res de Instagram e apareceu para mim uma cena daqueles programas de talento do American Talent, né, ou do X Factory. E aí um rapaz começou a cantar a famosa, a famosa música do My Way, do Frank Sinatra. Eu fiz do meu jeito, uma performance linda. A música é impactante, né? E e parece que esse programa ele já é editado para que você se emocione, a plateia vibra junto, o pessoal começa a aplaudir, aí tem aquele botão de ouro, né, que o pessoal clicar, aqueles negócio de ouro quando a apresentação é bonita. Eu tava assistindo o rapaz cantar e eu comecei a de certa forma me emocionar com aquela apresentação. E aí depois eu parei: "Mas esa aí gente, essa letra, essa letra é meio estranha. Eu fiz do meu jeito." Na verdade, o próprio Funk Sinatra, no futuro, depois em em certas apresentações, ele chegou a declarar que ele odiava essa música. E aí a filha dele deu uma entrevista uma vez dizendo justamente isso. Olha a filha falando. Ele sempre achava que aquela música era egocêntrica e autoindulgente. Ele não gostava dela. Só que a música grudou nele e ele não conseguia se livrar. E aí ele acabava tendo que cantar sempre a música porque foi uma das músicas mais famosas do Frank Sinatra. Ela gruda e ela ficou tão impactante no mundo. Por quê? Porque a letra dela é interessante, né? Não se importe com o que as pessoas digam de você. Você não tem que se se submeter às a a à estrutura das outras pessoas. Faça do seu jeito. Eu vou fazer do meu jeito. Tudo que o homem tem é justamente a si mesmo e ele precisa fazer do seu jeito. E nós estamos aqui apresentando essa série de O Evangelho Segundo Satanás. Por quê? Porque essa ideia de que cada um se importar com a sua própria vida, por que que isso é uma mentira? de Satanás, que muitas vezes é absorvida na nossa cultura como uma boa notícia. Isso é interessante, gente, porque Satanás, ele é esperto, ele é especialista, ele é ele é astuto. O diabo não vai aparecer na sua frente em forma demumoníaca para te causar medo. A maior especialidade de Satanás ou é você fazer você acreditar que ele não existe, que não existe reino espiritual. Se você não acredita em batalha espiritual, se você não acredita no reino das trevas, Satanás está feliz da vida com você. Ele cumpriu o seu dever. Agora, se você crê que existe mal uma batalha espiritual no mundo, uma das especialidades Satanás é fazer você acreditar que a ideia dele vem do próprio Deus, que é coisa boa. A especialidade de Satanás é pegar as boas obras de Deus e distorcê-las para que nós possamos desfrutar de maneira equivocada no tempo equivocado. Porque quando nós falamos e trazemos essa ideia de que cada um precisa cuidar da sua vida, no fundo existe uma certa virtude. Satanás ele não é bobo, ele pega coisa boa. Existe uma certa virtude no cuidado próprio. Nós vemos o próprio apóstolo Paulo em Primeira Tessalonicenses, no capítulo 4, dizendo que nós devemos, ele diz o seguinte: "Se empenhem em viver tranquilamente, cuidar do que é seu, de vocês e trabalhar com as próprias mãos, como ordenados". Veja, Paulo diz: "Olha, cuide do que é seu, se empenhe, trabalhe". E aí lá em segunda Tessalonicenses no capítulo 3, Paulo vai dizer: "Pois de fato ouvimos que há entre vocês algumas pessoas que vivem de forma desordenada, não trabalham, mas se intrometem na vida dos outros. Veja, para de se intrometer na vida dos outros e cuida da sua vida. Parece que é isso que Paulo tá dizendo aqui, né? Existe uma certa virtude nisso. O próprio, a própria carta de Gálatas, Paulo também diz que cada um deve levar o seu próprio fardo. Só que se a gente lê esse texto fora do contexto, a gente não vê o texto imediatamente depois dizendo que cada um também deve ajudar uns aos outros a levar os seus fardos. Existe, existe uma certa virtude que a própria Bíblia nos apresenta de uma responsabilidade pessoal com a nossa vida, de cuidar do que Deus nos deu, de cuidar da nossa vida diante de Deus. Existe uma virtude genuína em não ser fofoqueiro, em não ser controlador, em não vigiar realmente, ficar vigiando a vida dos outros, e não oprimir o outro, e não usurpar do seu poder em controle da vida de outras pessoas. Realmente a Bíblia nos apresenta isso. É a própria escritura que nos apresenta a ideia de que cada indivíduo, e não somente o coletivo, mas cada indivíduo possui a imagem de Deus. Foi criado a imagem semelhança de Deus. E foi justamente o princípio teológico da imagem de Deus num indivíduo que estourou, que fez, por exemplo, que a luta contra a escravidão se emergisse na Inglaterra. Primeiramente, é justamente a ideia de que cada indivíduo foi criado à imagem de Deus, que faz com que a gente não se curve, ou pelo menos deva resistir a estados opressores, a governos tiranos, a pessoas que desejam controlar a nossa vida. Portanto, existe uma certa virtude nisso. Satanás não consegue criar nada de bom, gente. Inclusive, existe um livro do CS em que ele imaginou como seria o diabo treinando o seu demônio aprendiz. Chama Cartas de um diabo ao seu aprendiz. É um exercício imaginativo muito interessante. E nesse livro, o Diabo sior tá aconselhando o seu diabo mais novo. Ele diz o seguinte: "Olha, nós não conseguimos criar nada de bom. Só Deus consegue criar coisas. Só ele fala, só o nosso adversário consegue criar coisas boas". O que nós conseguimos fazer é pegar essas coisas boas que o nosso adversário criou e fazer com que os seres humanos as desfrutem de maneira equivocada, na hora errada, do jeito errado. E é isso que nós devemos fazer. Em que sentido essa ideia se torna ruim? Por quê? Porque hoje nós vivemos num tempo onde não se trata mais de um autocuidado, não se trata mais de impor limites corretos. Nós vivemos numa cultura onde ao invés de eu sou responsável por mim diante de Deus, [roncando] aí você tira o Deus e fica só o eu sou responsável por mim, eu sou responsável pela minha vida. Ao invés de termos limites saudáveis, como o próprio Jesus, por exemplo, se afastava da multidão de vez em quando para ter tempo com Deus e orar, ao invés de nós termos esses limites saudáveis, nós erguemos muros ao nosso redor. E quem tá do outro lado, não é problema meu. Não é problema meu. Ao invés de nós termos uma dignidade infinita diante de Deus, nós dizemos: "Então, já que eu sou um indivíduo que tem uma dignidade única, eu não devo prestar contas para ninguém. Eu devo viver dentro da minha própria liberdade. Eu tenho liberdade de escolher as minha própria vida. Ao invés de nós termos responsabilidade pela vida que Deus nos deu, nós transformamos isso em indiferença para com o outro e exclusão. E sem perceber, nós estamos nos tornando indivíduos isolados. Essa é a realidade que nós vivemos hoje. E nós estamos sem perceber, nos tornando individualistas. E por que que eu digo sem perceber, gente? Porque ninguém acorda do dia paraa noite dizendo: "Hoje eu vou ser mais egoísta. Hoje eu quero ser mais egoísta." Não. Na verdade, a cultura em que nós vivemos está nos discipulando com tudo que você assiste, com tudo que você consome, com tudo que você vê. está nos discipulando a sermos indivíduos que não se importam com os outros, que se importam somente conosco mesmo. Shes Taylor, um filósofo canadense muito relevante na atualidade hoje, que fala muito sobre como essa cultura da do self, do eu, do individualismo, do da da do siga o seu sentimento, segue o seu coração, como isso se colocou no nossa sociedade hoje. Ele descreveu um texto muito interessante há um tempo atrás dizendo que em outras épocas, no passado, o que nós tínhamos na sociedade era o que ele chama de euporoso, um self poroso, um euoso. Qual é a ideia do euporoso? Como se fosse uma esponja que absorve, sabe? A esponja quando você coloca na água, ela absorve toda a água que tá ao redor. Ele diz que no passado assim era a nossa identidade, assim era o nosso eu. Nós absorvíamos, absorvíamos a ideia de existir um Deus. Nós estávamos abertos a absorver espiritual. Nós estávamos abertos a absorver a comunidade. Nós estávamos abertos a absorver a ideia de que existe uma ordem moral para além de nós no mundo e que eu tenho que absorver isso e me amoldar a história do mundo. Ou seja, não é o mundo que gira ao meu redor, mas sou eu que me adapto à história que Deus tem no mundo. Nós estávamos dentro de uma história e o Taylor vai dizer que esse eu poroso era inerentemente o viver em sociedade, o estar dentro de uma comunidade, o estar a estar aberto a ser absorvido pelo outro e deixar que a sua própria identidade, o seu eu, fosse moldado pela família, pela vizinhança, pela sociedade, pelo lugar onde você está. Mas algo mudou. Algo mudou que a à medida que a sociedade, o ser humano foi colocando, jogando Deus por andar de cima, foi colocando Deus de lado e tudo que resta é o eu, tudo que resta é um indivíduo, uma grande mudança aconteceu e que o nosso pastor Guilherme de Carvalho já falou aqui que se antes, se antes Deus estava no centro e todas as coisas orbitavam ao redor do senhorio de Jesus Cristo, hoje o eu é colocado no centro do sistema solar e as outras coisas orbitam, não em torno do ser humano, mas em torno do meu eu, do meu desejo. E aí o Taylor vai dizer que o tempo que nós vivemos hoje é o tempo do eu encapsulado. Nós criamos uma redoma ao nosso redor, uma cápsula, uma capa de proteção, onde nós nos fechamos, nos fechamos ao mundo exterior e os meus propósitos supremos são aqueles que brotam dentro de mim e as coisas que eu desejo eu vou fazer, como a música do Frank Sinatra diz, eu vou viver do meu jeito, eu vou fazer do meu jeito. E aí nós nos abrimos pro outro apenas na medida que aquilo é economicamente viável. Economicamente viável, não falo de financeiro, não. Economicamente viável, emocionalmente. E aí, provavelmente você já ouviu algum influencer contemporâneo dizendo: "Olha, olha, se essa amizade não acrescenta mais nada na sua vida, abre mão, abre mão, cai fora. Nós nos fechamos ao interesse dos outros e vivemos como eu encapsulado." Isso, meus irmãos, não é por acaso. Na verdade, essa é a própria definição do pecado humano. Agostinho de Pona, quando definiu qual que é o nosso principal problema diante de Deus, qual que é o nosso maior pecado, é justamente que nós deixamos de nos curvar diante do criador, de adorar o criador e nos curvamos diante de nós mesmos. Estamos curvados diante de nós mesmos. O Lutero deu um termo a isso falando de homos homo encurvatos em si. Nós somos os seres humanos que estão curvados sobre o próprio umbigo e se fecharam ao relacionamento com o outro. E todo tipo de relacionamento que eu tenho um com o outro é apenas se ele é economicamente viável para mim. Nós nos tornamos cada vez mais individualistas e a família vai perdendo o poder e o sentido. A comunidade vai perdendo o poder, o sentido. O o o o atomismo se torna o centro. Isso é um é uma expressão que vem do próprio Charles Taylor também, que é a sociedade atomista, que cada indivíduo se torna um átomo onde ele é autossuficiente, completo em si mesmo. E o indivíduo existe antes da sociedade e ele se envolve com a sociedade apenas na medida em que aquilo é benéfico para si mesmo. O que há uma grande contradição, né? É uma grande contradição, porque o próprio Taylor vai definir, vai mostrar e como os muitos filósofos mostram, que ninguém aprendeu nada sozinho. Ninguém é um átomo, ninguém é uma ilha. O que você aprendeu a falar, a língua portuguesa, você recebeu de alguém. Os sentimentos que você denominam, você aprendeu a denominar porque você conviveu com alguém. O que você é, foi recebido de alguém desde criança. Tudo o que nos foi dado foi dado por outros antes, antes que nós pudéssemos escolher qualquer outra coisa. A ideia de ser livre para viver você mesmo, para se preocupar mais com você mesmo, é completamente contraditória. É um ideal de ser humano que nós nunca poderemos ser. É isso que nós estamos imergidos na nossa cultura hoje. A nossa cultura ironicamente nos ensina que você tem que se preocupar mais com você mesmo e se preocupar menos com as pessoas ao seu redor. E aí o mundo hoje, inclusive dentro da igreja, entre os evangélicos, qual que é a pergunta que nós fazemos hoje? A pergunta que nós fazemos hoje não é mais o que Deus diz ou qual que é o meu dever para com o meu irmão? Para quem eu fui feito? Essas não são mais as perguntas. As perguntas de hoje é: isso me realiza? Isso me deixa feliz? Eu tô bem, essa igreja me faz bem? A família tá fazendo bem para mim? Senão eu preciso cortar esses laços e eu vou buscar uma comunidade que me faça bem. Percebe a grande mudança do nosso tempo? Se eu chegasse pro meu avô, gente, se eu chegasse pro meu avô, meu avô paterno, trabalhou a vida inteira, ele trabalhou por muito tempo consertando televisão de tubo, depois trabalhou na roça com café. Eu imagino que se eu chegasse para ele lá no passado e perguntasse: "Vô, você é realizado com seu trabalho? Você é feliz com o que você faz?" Essa pergunta não ia fazer muito sentido. Como assim? Eu trabalho porque tem que trabalhar. Eu tenho responsabilidade para com a minha família. Eu tenho responsabilidade com a sociedade. Eu tenho responsabilidade com um todo, com o outro. Não existe isso. Agora hoje Agora hoje pergunta se alguém permanece num trabalho em que não me realiza, que não me deixa satisfeito comigo mesmo, em que eu preciso preocupar mais comigo mesmo, sabe? Eu não tenho que preocupar com o outro que tá ao meu redor. Esse é o diagnóstico do ser encapsulado, dos átomos. estão convencidos de que cuidar de si mesmo é a coisa mais sábia, mais livre, mais autêntica que existe. E na verdade essa é a mente de Adão. Essa é a mente de Adão e de sua descendência, que somos nós. Essa foi a tentação da serpente para Adão. Você não precisa servir a Deus. Você pode ser dono de si mesmo. E aí, meus irmãos, a primeiro registro na Bíblia que nós temos de alguém dizendo: "Eu cuido da minha vida é justamente Caim depois de ter assassinado o seu irmão Abel, de ter pensado diante si eu não sou responsável pela vida do meu irmão, eu cuido da minha vida, eu tenho que pensar mais em mim mesmo." E ele assassina o seu irmão. E quando Deus aparece para Caim perguntando: "Cadê o seu irmão?" Caim responde: "Ué, acaso eu sou guardador do meu irmão? Acaso eu sou responsável que me importa o outro? Acaso eu sou responsável pelo meu vizinho? Acaso eu sou responsável pelos meus familiares? Acaso eu sou responsável pela igreja perseguida? Que tenho eu a ver com isso? Eu preciso mais é cuidar de mim mesmo, senão ninguém vai cuidar de mim. Se eu não cuidar de mim, ninguém vai cuidar de mim. Isso é uma grande contradição. Sabe por quê? Porque no fundo, você sabe disso, ninguém dá conta de viver desse jeito, porque nós fomos criados, não como ilhas, mas nós fomos criados para o outro. Nós fomos criados para a comunidade. Quando Deus criou Adão e ele olhou para Adão, o texto bíblico em Gênesis, no capítulo 2, diz no versículo 18 que não é bom que o homem esteja só. farei para ele uma auxiliadora, que lhe seja semelhante a ele. O texto não tá fal, tá falando de homem e mulher, mas não só isso, tá falando que o ser humano não foi criado para viver sozinho. O ser humano não foi criado para viver como indivíduo. O ser humano foi criado à imagem de Deus. E [limpando a garganta] o próprio Deus é um Deus comunitário. Trindade, pai, filho, espírito santo, onde existe uma perfeita dança, um perfeito relacionamento de amor. E se nós fomos criados à imagem de Deus, nós não damos conta de viver uma vida onde eu me importo mais comigo e não com os outros. Isso só traz colapso. Ninguém aguenta viver desse jeito, porque nós fomos criados uns pros outros. Tudo que a promessa de cuido de você mesmo, de autorrealização oferece, na verdade é solidão. A única coisa que a sociedade atômica conseguiu nos entregar é uma solidão profunda. E aí quando nós vamos pros dados, pras pesquisas, nós descobrimos que o número de pessoas que não t amigos profundos e íntimos estão crescendo cada vez mais. Cada vez mais. Jonathan He, no livro dele, Geração Ansiosa, que fez uma ampla pesquisa não só nos Estados Unidos, mas no mundo sobre o que tem acontecido com a nova geração hoje, com a geração ansiosa, ele tem diagnosticado e mostrou que cada vez mais o mundo está vivendo em solidão. Na pesquisa que ele fez, 28% dos jovens que ele tinha pesquisado de meninos que ele tinham pesquisado, não tinham conversado sobre coisas íntimas e pessoais nos últimos seis meses com ninguém. Não tinham com quem contar. A solidão aumentou para cerca de 35% dos jovens que se sentem sozinhos. Essa é a grande ironia. A ideia de liberte-se do que te prende, liberte de quem cuide de você, cuide de você mesmo e você será feliz. Ironicamente nos tem entregado uma epidemia de gente que não tem quem cuide dela, de gente solitária, de gente sozinha. Aí a pessoa quer cuidar de si mesmo. Olha, eu preciso, eu preciso me importar mais comigo. Eu não posso mais ficar na minha família que me puxa para baixo, sabe? Que me trava, que me prende no meu potencial. A igreja que tem atrapalhado os meus planos. E aí essa pessoa larga o casamento porque o casamento exigia demais, se afasta ou então se afasta família porque a família tava atrapalhando seus planos, solta os laços, né, em busca de si mesmo e ironicamente essa pessoa abandona exatamente o lugar onde ela tinha o maior potencial de encontrar felicidade e satisfação, que é na comunidade um com os outros. Isso ironicamente. E olha que interessante, gente, isso isso tem um impacto até na vida social, tá? Isso tem impacto na vida social. Por quê? Porque se cada um se importa com a sua própria vida, cuide mais de você mesmo. Não se importe tanto com as outras pessoas, se importe mais com você. As coisas que antes nos uniam começa a se desfazer. A família perde o seu valor, enfraquece. A vizinhança some. Quantos aqui t relacionamento com seus vizinhos? Desaparece, né? Nós vivemos como um monte de cápsulas dentro de um prédio de 20 e poucos andares, com centenas de pessoas morando uma do lado das outras, mas cada um dentro da sua bolha, cada um na sua individualidade, cada um sem olhar pro outro, sem conhecer o outro. E aí quando essas instituições se dissolvem, o que é que fica no lugar? É interessante que um filósofo há 200 anos antes, eh, um filósofo francês chamado Alexis Tockville, não sei se a pronúncia é desse jeito, mas ele fez algo, ele falou algo quase que profético. Ele disse, ele disse que quando os indivíduos se isolarem e que quando cada um se recolher dentro do seu próprio círculo e abandonar a sociedade, a própria sorte, vai sobrar um vazio. E aí alguém tem que preencher esse vazio. E ele vai dizer, sabe quem vai preencher esse vazio? o Estado, o Estado vai tomar o lugar daquilo que nós deveríamos estar fazendo uns pelos outros. E aí um outro sociólogo chamado Robert Bá, ele falou a mesma coisa. Ele disse: "Olha, uma sociedade só funcionam com pessoas que cuidam voluntariamente umas das outras. Quando cada pessoa começa a cuidar de si mesmo, a única coisa que sobra para nos manter junto é um governo cada vez mais coercitivo. Porque se ninguém tá cuidando de ninguém, que é que sobra? Se ninguém tá olhando para outro, se cada um tá cuidando do próprio umbigo, o que sobra é um estado cada vez mais coercitivo. Aí ele vai dizer que ironicamente a busca de liberdade nos trará a opressão. Olha que bizarro, que coisa irônica. Eh, e a maior contradição de todas não é nem essa. Existe essas contradições sociais que ironicamente parece que já estão até acontecendo. Mas uma outra grande contradição é que, como eu já disse, ninguém dá conta de viver sem o outro. Ninguém dá conta de viver cuidando só da sua própria vida. Você até pode dizer, você pode chegar para mim hoje falar: "Quer saber? Eu não me importo com que a igreja diz de mim. Eu não me importo o que minha família pensa de mim. Eu vou romper com esses laços e eu vou cuidar mais de mim mesmo. Você pode até fazer isso, mas imediatamente depois você inevitavelmente vai buscar um outro grupo de pessoas que te afirma e que te acolhe. Porque ninguém dá conta de viver como um átomo. Ninguém dá conta de viver isolado como uma ilha. Essa é a grande contradição. Nós ansiamos por pessoas que se preocupem conosco. Nós ansiamos por sermos amados, porque nós fomos criados à imagem de um deus trino que tem um perfeito relacionamento de amor. E enquanto você se preocupar mais consigo mesmo, ironicamente o que você vai encontrar é realmente ninguém cuidando de você. Essa frase, por isso que a frase que eu falei no começo é contraditória. Veja a frase, olha, pense mais em você mesmo, porque sen não ninguém vai cuidar de você. Mas é exatamente isso. Pense mais em você mesmo e aí sim ninguém vai cuidar de você. Essa é, olha a grande contradição. Quanto mais, quanto menos você pensa em si mesmo, mais próprio você está para viver numa comunidade que cuida uns dos outros. [roncando] Isso é que é irônico. Não só irônico, como é uma verdade bíblica. Aí nós voltamos pro texto que nós lemos aqui no começo. Filipenses capítulo 4. Paulo escreve essa carta. Enquanto Paulo escreve essa carta, ele estava preso. Olha que interessante, Paulo tava preso e ao invés de preocupar mais consigo mesmo na prisão, eu quero sair, eu preciso de liberdade, ele escreve uma carta para resolver problemas de uma igreja que tava passando por problemas de relacionamento, de egoísmo, de pessoas que estavam mais preocupadas consigo mesmo do que os outras. E ele escreve uma carta que é chamada a carta da alegria. Enquanto Paulo tá preso, ele quer que os outros se alegrem. Ele não, ele tá preocupando pouco consigo mesmo. Olha que interessante. E aí essa, essa igreja tava vivendo alguns conflitos. Provavelmente Cintic que Evódia estavam causando problema lá na igreja. Tinham pessoas orgulhosas que se preocupavam mais consigo mesma do que as outras pessoas. E aí Paulo no capítulo 2, ele vai dizer: "Portanto, meus irmãos, já que vocês receberam Jesus, já que vocês conheceram esse evangelho, portanto, se existe alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão de espírito, se há profundo afeto e sentimento de compaixão, então completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor e sendo unidos de alma em mente. Não façam nada por interesse pessoal ou por vaidade. E agora vem o grande golpe da mentira de Satanás, né? Mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os interesses do outro. É muito interessante que Paulo tá dizendo aqui. Ele começa primeiro trazendo o que Cristo causa em nós. A união que Cristo, a união que quando nós nos unimos com Cristo, o que isso causa em nós? E Paulo diz: "Portanto, se se vocês se encontraram com Jesus, se Jesus já preencheu vocês, se Jesus é aquele que os exorta, ou seja, que os encoraja, que os corrige, que coloca no lugar certo, se o Espírito Santo já tá transbordando amor dentro de vocês, se vocês receberam essa graça imerecida, se vocês estão cheios, [roncando] então transbordem." Mas não é transbordar em vanglória, não é transbordar se sentindo superior a outras pessoas, não é transbordar dizendo: "Olha, olha o que meu Deus faz comigo". Mas é: "Transbordem em humildade, humildade, considerando os outros superiores a vocês mesmos. Essa vida de comunidade não nasce do nosso esforço." Isso é interessante. Esse é o poder do evangelho. É algo que só o evangelho pode causar. Sabe porque só o evangelho pode causar algo assim em nós? Porque o evangelho é aquele que nos humilha, nos equilibra. O evangelho é aquele que diz: "Você é mais pecador do que você nunca ousou imaginar. Você é mais pecador do que você pensa. Isso nos humilha. Isso coloca o nosso eu no lugar certo. Isso tira o nosso orgulho. Isso nos tira dos pedestal e nos coloca no lugar correto diante de Deus e diante das outras pessoas. Eu não tenho o direito de me sentir superior a ninguém, mas ao mesmo tempo, o mesmo evangelho nos diz que nós somos mais amados e perdoados por Deus do que também nós ousamos imaginar. Isso nos traz um equilíbrio perfeito. Sabe por quê? Porque eu não tenho condições de me orgulhar e de sentir que eu sou superior a ninguém, porque tudo que me foi dado é pela graça. Eu sou um miserável pecador. Então eu consigo olhar pro meu irmão, não como alguém que é inferior a mim, mas ao mesmo tempo eu também tenho uma ousadia de saber que eu fui perdoado por Deus imerecidamente. E é isso que Paulo tá dizendo, gente. É uma grande contradição você ter recebido a Jesus e você continuar fechado dentro da sua própria bolha, cuidando da sua própria vida. Não faz sentido, porque se você foi cheio desse evangelho, então transborde em humildade. Completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, sendo unidos em alma e mente. É esse evangelho que nos une e a direção é Cristo. O evangelho não apaga a nossa singularidade, como eu disse, não apaga o nosso indivíduo, a dignidade do indivíduo. O evangelho nos tira do centro. É isso que o evangelho faz e nos traz humildade. E Paulo vai dizer: "Não façam nada por interesse pessoal, mas por interesse do evangelho ou vaidade, mas com humildade, considerando os outros superiores a si mesmos. A ideia aqui não é que você precisa se autodesprezar, né? Eu vou me autodesprezar para considerar o outro superior. Não, muito pelo contrário. A ideia aqui é aquilo que eu disse que o evangelho nos equilibra, não coloca no lugar certo. Eu não consigo mais olhar pro outro como alguém que é inferior a mim ou superior a mim. O outro é carente da mesma graça que eu. Por isso eu consigo considerar os interesses do outro mais do que os meus próprios interesses. Mas o que nós vivemos hoje é uma vida egoísta centrada dentro de nós. O nosso coração naturalmente ele é egoísta, gente. Nosso coração naturalmente é egoísta desde criança. Quem tem criança pequena sabe dessas experiências que quando duas crianças pequenas se encontram, aí você vê quem que é mais egoísta que o outro. A gente é egoísta até hoje. Quer ver um lugar onde o egoísmo aparece sempre, até no mais crente? Você tá no trânsito e aí você vê o cara lá na sua frente dando seta que vai mudar de faixa. Ao invés de você deixar ele mudar de faixa, você acelera. Não vai mudar de faixa não. Nosso coração é egoísta, gente. Naturalmente egoísta. E eu dei um pequeno exemplo aqui, mas naturalmente nosso coração é egoísta. É um milagre ter essa união com Cristo que nos transborda de humildade. Porque nós entendemos que a graça que nós recebemos, o perdão que nós recebemos, não vem do nosso esforço, não vem de nós mesmos. É uma graça que nos foi dada. E por isso nós podemos viver, não tendo em vista os nossos próprios interesses, mas também os interesses dos outros. E a palavra interesse aqui não é só no sentido subjetivo de ideia, mas as coisas dos outros. É no sentido de se interessar com a vida do outro. Então essa é a ideia de que cada um cuide da sua vida é demoníaco. Nós precisamos uns dos outros. Eu preciso cuidar dos outros e eu preciso permitir que os outros cuidem de mim, que me aconselhem a ouvir esses conselhos. conselhos. Isso é interessante que Paulo vai trazer como autoridade para para que nós possamos viver dessa forma. o exemplo do próprio Cristo. E ele vai trazer o próprio Jesus como modelo a ser seguido. No versículo 5, ele diz: "Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus". Portanto, tenham a mesma mente de Cristo, tenham o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, que mesmo existindo na forma de Deus, não considerou que o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. Pelo contrário, ele se esvaziou assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante a seres humanos. E reconhecido em figura humana, ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. O modelo a ser seguido é o próprio Jesus. E olha que interessante, mesmo sendo Deus, então nós temos aqui um hino cristológico. Mas é interessante esse hino cristológico, provavelmente esse hino já existia na época do apóstolo Paulo. O que ele faz é incorporar aqui na sua carta para usar como um modelo. O que Paulo tá fazendo aqui não é só teologia cristológica. O que Paulo tá falando aqui é colocar cristologia como um modelo de vida prática para resolver o problema da igreja. E isso é o mais interessante da carta. Não é só teologia, é vida prática. E ele vai dizer: "Tenham esse mesmo modo de pensar de Cristo Jesus". Que modo de pensar é esse? Jesus era Deus. E mesmo Jesus sendo Deus, ele não agarrou, ele não pegou a força. Esse é o significado da palavra aqui de eh de ser retido. Arpagmós, ele não reteu, ele não se apegou à força, ele não Ele não usou desse dessa prerrogativa de ser Deus para o benefício próprio. Ele não se apegou a isso. Ele se recusou a explorar a sua própria glória em vantagem própria. Olha que interessante o contraste. Quando Paulo escreve isso, provavelmente aqui ele ainda não tá pensando em Adão. Paulo usa o modelo de Adão em Romanos, por exemplo. Mas é inevitável nós fazermos [roncando] uma comparação aqui entre a mente de Adão e de Caim, que é aquele que tá curvado sobre si mesmo, e a mente de Cristo. A mente de Adão, o homem criado à imagem de Deus, que quis reter e ser como Deus e se curvar diante de si. E a mente de Cristo, que é aquela que solta e se esvazia, se esvazia de si mesmo. Esvaziou-se a quenos de Cristo, o que gerou muito debate teológico ao longo da história, né? O que que isso significa? Significa que Jesus então deixa de ser Deus quando ele vem como ser humano. Ele se esvazia do seu poder. Que ideia é essa? Isso não é um debate legal, que não dá tempo aqui da gente falar sobre isso, mas não, Jesus não se esvaziou da sua divindade. Na verdade, eu acho muito interessante o William Hendriksen que ele faz uma analogia de que, na verdade, Jesus não se esvazia por subtração, ele se esvazia por adição. Ele já sendo Deus, ele se esvazia adicionando algo que é ouvir como servo. Isso é interessante. Então, ele não perde a sua divindade. Jesus, mesmo sendo Deus e Senhor de todas as coisas, ele assume a forma de servo para servir a todos. Só que é interessante que Paulo não usa só a palavra de servo aqui no sentido de servir uns aos outros, mas ele usa a palavra escravo, dou-los. Diz: "Tenham o mesmo modo de pensar de Jesus, que sendo Deus se esvaziou e veio como escravo. Esse é o modo de pensar que você deve ter. da mesma maneira de Jesus Cristo. E nós vemos uma escada de esvaziamento nesse texto. Jesus sendo Deus se esvaziou paraa forma de servo, que se esvaziou paraa semelhança humana, que se esvaziou a obediência até a morte e morte de cruz. O nível de esvaziamento de Jesus que Paulo tá colocando como modelo de vida para nós. A cruz aqui até um adendo de grande humilhação, né? Ele se esvaziou até a morte. Não é qualquer morte não. Morte de cruz, morte humilhante. Porque morrer pela cruz era uma maldição. Como o próprio livro de Deuteronômio diz, que todo aquele que for pendurado no madeira é maldito de Deus. Esse é o grande contraste. De um lado, nós temos Adão curvado em si mesmo, desejando agarrar e conquistar sua própria vida. Do outro lado, nós temos o modelo de Cristo que se esvazia em favor dos outros, que se se esvazia em favor de nós. Cristo derramando o seu sangue pela sua vida, pela minha vida. O esvaziamento. E Paulo vai ser muito claro aqui. Considerem os outros superiores a vocês mesmos e tenham como modelo a mente de Cristo. Tenham o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, que sendo Deus se esvaziou. Se o próprio Deus, criador da terra, se esvaziou, quem é você para não se esvaziar? esvaziar? Para não se esvaziar diante do teu próximo? Eu acho linda a história do CS, que ele era ateu, professor universitário, e ele se converte ao cristianismo e ele relata que ele tinha uma um um certo desconforto a ir numa igreja, porque ele é uma pessoa, ele era uma pessoa intelectual, uma pessoa da alta classe. Ele chegava na igreja e encontrava do lado dele um velho maltrapilho, com botas velhas, ajoelhado orando ao Senhor. Até que ele percebeu, até que ele percebeu que o evangelho nivela todo mundo e que ele tinha muito a aprender com aquele homem maltrapilho que todo domingo estava lá na igreja fiel ao Senhor, dependendo da graça de Deus. Esvaziamento. Depois do esvaziamento, nós temos aqui a exaltação de Jesus. Versículo 9 vai dizer que por isso Deus também exaltou-lhe sobre a maneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho nos céus, na terra e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus o Pai. Esse hino tem um formato de V, onde Cristo se humilha e desce e depois ele é exaltado. Mas é interessante que essa exaltação de Jesus Paulo não tá usando aqui como um modelo para nós no sentido, olha, se esvazie porque Deus vai te exaltar. Não é isso, né? Não é aquela música que você vai ter uma uma vitória do sabor de mel. Não é essa a ideia. Paulo não tá usando isso como modelo de que olha, se você se humilhar, então Deus vai te exaltar. Isso seria o mesmo tipo de orgulho, né, gente? Seria o mesmo tipo de busca. O que que eu quero? Eu quero ser exaltado. Eu quero, eu quero a minha individualidade. Eu quero ser honrado. Mas não é isso. O que acontece com Jesus Cristo é que ele é exaltado de volta ao estado original dele mesmo. Ele está recebendo de volta a glória que sempre pertenceu a ele. E é interessante que Paulo vai dizer que quando Jesus Cristo é exaltado novamente, ele diz que tudo isso é para a glória de Deus, o Pai. Aí sim, esse é o modelo que Paulo quer. O modelo de Paulo é: "Tenham a mente de Cristo que se esvazia e quando é exaltado não é nem paraa sua glória, mas para a glória de Deus, o Pai. É interessante, agora falando um pouco de cristologia aqui, é interessante que Paulo cita aqui Isaías 54, quando ele diz que diante dele todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor sobre o mundo, sobre todos. Isso vem de Isaías 45, que é um texto monoteísta, onde Deus, lá noem Isaías, no capítulo 45, Deus diz que não há outro além de mim. Só existe um único Deus. E aí ele vai dizer que diante de mim se dobrará todo o joelho, jurará toda a língua. E agora Paulo pega isso e aplica a Jesus, dizendo que Jesus é esse Deus. Jesus é o Deus a quem é digno de toda a glória e de toda a língua, confessando ao Senhor. Essa confissão de que Jesus Cristo é Senhor. E é interessante porque assim que termina o hino, né? Para que todo joelho se dobre. Se você se dobra diante de Jesus Cristo, diante do Senhorio de Cristo, significa que você não está mais curvado diante de si mesmo. Você não está mais prostrado diante de si. É abrir mão da sua própria vida, é abrir mão do controle, é abrir mão da autonomia e se curvar diante de um senhor, o senhorio de Cristo. E confessar que Jesus Cristo é Senhor sobre todos, é o oposto do Cada um cuida da sua vida. é completamente oposto para a glória de Deus, o Pai. De um lado, nós temos a mente de Adão, que é justamente o que a serpente diz: "Seja como Deus". Agarra, cuida da sua vida, faz do mundo uma extensão do seu eu, canta mesmo a música do Frank Sinatra, I did my way. Eu não quero fazer do meu jeito, por mais que essa música seja bonita. A mente de Cristo é aquela que justamente desce, se esvazia e se esvazia justamente para se encontrar com aquele que é Senhor da vida e pode nos dar fato verdadeira comunhão e acabar com a nossa solidão. solidão. Afinal de contas, por que que eu deveria descer? Por que que eu deveria me esvaziar? esvaziar? Por que que eu deveria parar de cuidar só de mim? Quer dizer que eu não posso cuidar de mim? Como eu disse, existe sim uma virtude nisso. É óbvio que nós precisamos de limites saudáveis, de um hábito de cuidar, de cuidar da nossa vida diante de Deus, que é diferente de cuidar só de mim. Mas por que que eu deveria deixar alguém entrar na minha vida? Por que que eu deveria deixar a minha vida ser moldada pela minha família, comunidade ou igreja, receber conselhos? Por que que eu deveria entrar na vida confusa de outra pessoa? O que que eu ganho com isso? Que que eu ganho com o esvaziamento? Sendo sincero, a vida de esvaziamento não é uma vida fácil, não. Você não ganha uma vida mais fácil ao se esvaziar. Muito pelo contrário, ter a mente de Jesus Cristo custa amar custa caro. Abrir-se para alguém custa caro. Carregar a dor do outro custa caro. Amar custa caro e ser amado custa caro. Mas qual é a alternativa a isso? Qual que é a alternativa a isso? O CS LS, ele tem uma analogia muito interessante também. Ele diz o seguinte: "Olha, se você não quiser sentir essa dor, se você não quiser se machucar, então pega o seu coração, tranca ele dentro de um cofre e deixa no canto. Pronto, você não vai mais se machucar. Só que inevitavelmente você vai ser morto. Você vai virar uma pedra. Seu coração vai virar uma pedra. Você não vai ser capaz de sentir mais nada, nem de ser cuidado. Amar e ser amado é um risco. Com certeza as pessoas vão decepcionar você. Com certeza eu vou decepcionar você. Mas qual que é a alternativa de se fechar e cuidar da sua própria vida? É solidão. Deixa eu perguntar honestamente para você. Tem, se tiver alguém aqui que tá nessa ideia de que eu preciso cuidar mais de mim, eu vou me envolver menos com o problema dos outros, isso não é problema meu, ai que vida difícil essa pessoa tem, não vou mais me envolver. Quer saber? Isso aí é problema da minha família, eles que lidem com isso. Eu não quero mais carregar esse peso na minha vida, não. Eu não vou mais me envolver com essa dificuldade. Eu só sofro. Isso só traz problema para mim. Deixa eu perguntar. Esse caminho de cuidar só de você, esse caminho de não dever nada para ninguém, de manter todo mundo numa distância segura, né? Vou manter as pessoas uma distância segura. Funcionou? Tá funcionando para você? Você se sente realmente mais livre, satisfeito, alegre, contente? Ou o grupo de contatos que você tem, só um número de contato na lista de telefone, você tem alguém para ligar às 3 horas da manhã quando você precisar? Essa vida tá funcionando de viver de forma autônoma? Você tá fazendo do seu jeito, do mesmo jeito que Frank Sinata falou. Tô fazendo do meu jeito. Mas e aí? Você tá mais realizado? Tá funcionando? A alternativa que Cristo nos oferece é justamente encontrar a nós mesmos diante dele, por meio de uma união com Cristo e por meio disso nos esvaziarmos. Sabe por que não tá funcionando? Porque você não foi feito para viver desse jeito. Você foi feito para viver com um Deus. Você foi feito por um Deus que é comunidade, pai, filho, espírito santo, que transborda isso desde a eternidade. Você foi feito a imagem de um Deus amoroso que dá amor e você foi feito para receber amor enquanto você se fecha pro problema dos outros, enquanto você se fecha dentro de uma cápsula, não vou mais me envolver. Enquanto você exclui o outro, enquanto você abandona o outro, você tá indo contra a sua própria natureza. E tudo que nós encontramos é solidão. Solidão. Mas a boa notícia é que a boa notícia é que você não precisa ir atrás ou subir atrás de Jesus para que você encontre mais uma vez, para que você encontre amor, para que você ame e seja amado. A boa notícia é que esse texto nos revela que o próprio Jesus foi quem se esvaziou e desceu para te buscar. para te encontrar. Ele morreu numa cruz. Ele se fez maldição até o fim, justamente para que você pudesse não mais estar encurvado sobre si mesmo, mas com a cabeça levantada, curvada diante do Senhor, o seu Deus. E o que nós ganhamos com a mente de Cristo é que a gente não precisa mais fingir que você tá sozinho, que você não tá sozinho, que você dá conta de cuidar da sua própria vida. Ninguém dá conta. Então, meu irmão, hoje Ninguém dá conta. Então, meu irmão, hoje você pode tirar essa armadura aí, você pode tirar e esvaziar um pouco esse ego e reconhecer que você precisa. Você precisa de gente. Olha em volta. O que nós temos aqui é uma comunidade de pessoas que necessitam umas das outras. Então você pode descer do seu pedestal um pouco, porque você sabe que não tá dando conta e finalmente reconhecer que se envolver numa comunidade, num pequeno grupo, grupo, são coisas que nós precisamos. Corra o risco de abrir o seu coração, de permitir que alguém entre na sua vida, que cuide de você. Tem a coragem de ser vulnerável e de reconhecer que a gente precisa uns dos outros, de entrar num grupo pequeno. Se você é membro aqui da igreja, de ligar aqui na igreja e pedir um aconselhamento bíblico e rasgar o seu coração, reconheça que você não foi feito para cuidar da sua vida sozinha. Nós fomos feitos uns para os outros. Nós dependemos uns dos outros, assim como nós dependemos piralamente do Senhor. E é aí que a gente para de ser um átomo. É aí que a solidão termina, porque alguém desceu para nos buscar e nos fazer corpo, Cristo. Portanto, não acredita nessa ideia de Satanás aí, não, que você precisa cuidar mais de você mesmo. Sim, existe um autocuidado que é saudável, como eu falei, mas nós precisamos uns dos outros. Nós precisamos uns dos outros, pai. Obrigado por essa palavra. Nós pedimos que o Senhor nos ajude a esvaziar o nosso ego. Esvazie o nosso ego, Senhor. Nos traga humildade, nos ajude a considerar os interesses dos outros, mais do que os nossos próprios interesses. Como isso é difícil, porque naturalmente o que nós queremos é o nosso próprio conforto. Nós queremos viver os nossos próprios interesses. Mas a mente do Senhor Jesus Cristo é totalmente diferente. Ela é doadora, humilde, que se esvazia em favor do outro. Nos ajude a viver desta forma, Pai, no nome de Jesus. Amém.