Igreja Presbiteriana do Brasil
02 de julho de 2026
1h 5min
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Participe do Congresso APECOM 2026 (26‑28 junho/2028, Águas de Lindóia‑SP)! Com preletores como Rev. Roberto Brasileiro, Rev. Hernandes Dias Lopes, Rev. Ronaldo Lidório e Rev. Jeremias Pereira. Tema: “FAÇA DISCÍPULOS: Comunique o Evangelho em todo tempo e lugar” Momentos de louvor com Rachel Novaes, Júlio Filho e Trio Tris Compartilhe, inscreva‑se e ative o 🔔 para acompanhar cada transmissão e impactar sua fé na santidade! --------------------------------------------------------------- Igreja Presbiteriana do Brasil - Instagram: instagram.com/ipboficial - Facebook: facebook.com/ipb.org.br - Site: https: ipb.org.br - Multi IPB: https://multi.ipb.org.br/ #CongressoAPECOM2025 #SantificaiVos #ipb
Então aquele médico diante diante do laudo para autismo dos meus dois filhos e da suspeita a meu respeito, ele falou assim: "Olha, você tem três alternativas. Alternativa primeira, você pode fazer como a maioria dos pais e a gente vai ver daqui a pouco na palestra cerca de 80% dos pais. Você simplesmente ignora. Ah, eu era assim quando era criança. Você é coisa de criança, mas não tem nada a ver. Deixa para lá. É bom, não dá para fazer isso. Outra alternativa, você pode fazer como uma parcela bem privilegiada da população. Você pode ser uma pessoa que tem muitas posses, uma vida bem confortável, você terceiriza todo o ônus e fica só com bônus da relação. Isso não vai fazer diferença nenhuma no seu dia a dia. Falei: "Bom, essa menos ainda qual a terceira?" Ele falou assim: "Se vira, são seus filhos, se vira, você vai encontrar o caminho." Lógico que no primeiro momento eu falei: "Meu Deus, né? Tô pagando a consulta, doutor. Senhor, me diga o que que eu tenho que fazer." Só pensei, mas não disse. Mas depois eu eu fui entender que ele tava ele tava sendo o instrumento de Deus para mexer comigo. E ali a nossa vida começou a mudar radicalmente, porque a Lidiane, que até então tinha uma formação em pedagogia, uma pós-graduação em coordenação e orientação do trabalho escolar, ela começou a a se especializar, formou-se em neuropsicopedagogia e mais tarde, então, nós dois engrenamos eh no estudo da neurociência e e tudo isso com a intenção de arregaçar as mangas, tudo isso na preocupação de entender os nossos filhos e sermos os melhores pais que essas crianças teriam, porque a gente também entendeu que eh nós não teríamos mais filhos. Então, nós jamais, isso significa que nós jamais teremos a experiência de ter filhos típicos, né? E eu não sei se você entende o impacto disso, falar numa linguagem popular, porque eu também não sou uma pessoa muito preocupada, me perdoe se você é assim, mas eu não sou uma pessoa muito preocupada com essas milindres das expressões. Então, a verdade é que assim, os meus filhos, comparando com o padrão normal da população, eu nunca terei filhos normais. Meus filhos sempre serão fora do comum, serão atípicos. Aí você acha a forma sinônimo que você quiser. A verdade é essa, né? Nunca, nós nunca saberemos, como pai e mãe, o que que é ter uma hora de refeição tranquila, uma hora de banho tranquila, eh uma experiência de viagem tranquila. nós nós nunca saberemos o que é isso na vivência da paternidade. Então, a gente precisou se capacitar para isso, entender melhor esse contexto. E o que a gente não percebeu é que Deus estava usando eh essa nossa experiência eh em algo para ser compartilhado. E nos últimos anos a gente tem tido o privilégio de que a nossa dor ela é uma dor identificada com a dor de muitas famílias. E como canta um amigo nosso, o bem que nasceu dessa dor há de vingar. Amém. >> Amém. Então, só para introduzir você nesse nesse universo, mas a gente vai começar falando ou situando eh numa questão muito importante, porque quando a gente fala hoje de inclusão, a gente tá falando de uma eh não a palavra em si, mas a toda todo o movimento de inclusão, ele é muito recente. A neurociência fala de quatro grandes períodos na na construção disso na história, começando lá na antiguidade o conhecido período da a da exclusão. E note, esse período vai até o século XVI. Que que era esse período? Era a exclusão total. Uma criança que nascesse, por exemplo, com deficiência física, ela era comum, ela já era assassinada ali mesmo. Não prestava, era descartada. Era sim, a sociedade era o comportamento da sociedade. Depois, mais tarde, quando percebia alguma deficiência mental, da mesma forma, eles eram eram sacrificados, descartáveis. A gente viveu isso enquanto humanidade. No final do século XVI, começo do século XIX, até o século XX, né? Note, muito perto da gente, isso começou a mudar e entra aquele período chamado período da segregação. Então, assim, eles já não eram mais sacrificados, eles eram mantidos vivos, mas eram completamente eh excluídos da sociedade. Você deve ter ouvido falar, por exemplo, lá, eu sou eu eu sou de 1980, 1980, então eu tenho 45 anos, eu vivi isso no interior, isso é muito comum. De repente a gente fica sabendo de algumas famílias que escondiam filhos com alguma deficiência. Você já ouviu falar sobre isso? Às vezes você descobrir que aquela família tinha um um filho, uma filha assim, uma pessoa deficiente ali e você fica chocado. Como assim? Ah, pois é. Note como tá perto da gente isso. E somente na virada do do do milênio, início, né, do século do século eh eh XX, de fato, até agora perto da gente, a gente começa o período da aceitação. O período da aceitação, ele é marcado pelo seguinte. A sociedade agora literalmente começa a aceitar a presença dessas pessoas, desde que elas se adaptem, esse é o ponto, desde que essas pessoas se adaptem ao ou se adaptassem à sociedade. Então você pode ter vida comum agora. Você vai ter que concorrer, por exemplo, com a vaga de emprego com todo mundo. Não tem adaptação para você. Você pode caminhar tranquilamente pela rua, mas não conte com um guia rebaixado para você. você tem a sua vida, eram aceitos, mas ainda continuavam segregados. A inclusão de fato, como eh vou usar essa expressão, como política pública, como mobilização da sociedade é algo que vem dos últimos 100 anos para cá. é dos do final do século XX, 100 anos, muito menos 50 anos para cá, segunda metade do século XX até a atualidade. E a chave que muda é que agora, finalmente, nós estamos vivendo um momento em que a sociedade não apenas aceita, mas ela está preocupada em adaptar-se. Nós estamos, desculpa a expressão, parindo uma geração que com a graça de Deus vai ver a inclusão como uma vivência comum, não como uma exigência de legislação, sabe? Porque hoje, por exemplo, se você vai eh abrir um negócio ou inaugurar uma igreja, se você não tem adaptação de acessibilidade, você não tem alvará. Então, já é uma lei, né? Agora, muitas vezes a gente faz para cumprir a lei. Nós estamos parindo uma geração que vai olhar e falar assim: "Não, tá faltando alguma coisa, né?" Então, nós somos uma geração privilegiada nesse sentido, ao mesmo tempo, uma geração extremamente responsável ou responsabilizada. E a gente tem que entender isso, porque a inclusão precisa deixar de ser uma uma pauta, uma necessidade e precisa ser algo que a gente encara com naturalidade no nosso dia a dia. A gente assume essa responsabilidade, né, que antes de ser da igreja é uma responsabilidade social. Quanto tempo os nossos filhos passam na igreja, por exemplo, e eu sou pastor, hein, gente. Meus filhos passam assim para ser bem crente mesmo, coisa que, graças a Deus eles são por causa da mãe, não por causa do pai. do pai. >> Eles passam umas 3, 4 horas por semana na igreja. O resto eles estão na escola, eles estão na clínica, eles estão na rua. Então, a igreja, na verdade, ela acaba sendo um extrato dessa realidade. A minha proposta é que a gente possa perceber que a gente pode ser o contrário, a gente pode ser o principal agente de mobilização da sociedade, porque nós temos um pressuposto que a sociedade não tem. Qual é o pressuposto? O evangelho, né? a unidade. Então esse é esse é o trilho da nossa caminhada aqui. Ah, portanto, qual é o ponto central? A gente não quer aprofundar tanto nessa questão, mas qual é o ponto central? O ponto central de toda essa discussão, como eu acabei de dizer, é que ela tem sim implicações históricos, científicas e sociais, mas como eu acabei de dizer, a igreja ela tem ou ela ocupa um lugar central nessa questão. Por quê? Porque a igreja ela sem ela é sempre contemporânea. Eu sei que a gente às vezes fica assim, a igreja preseriana do Brasil, principalmente ela é uma igreja mais nostálgica, né? A gente não embala tanto naquilo que é do nosso tempo. A gente fica olhando, ah, mas você vê isso pelas músicas que a gente canta, pelos hinos, pelo a predominância dos formatos litúrgicos. Isso é bom. A gente tem uma identidade. Agora, a gente não pode querer ser a igreja de 50 anos atrás. Por quê? Porque a gente não é, a gente é a igreja de hoje. Então a gente precisa entender esse aspecto da contemporaneidade da igreja. O que por quê? Porque as pessoas que frequentam a nossa igreja ou que acompanham a nossa igreja são as pessoas que vivem os desafios comuns da sociedade. Então não tem como a gente entrar na igreja, a gente viver uma uma cosmovisão, uma realidade, a gente sai da igreja e viver outra. Ninguém aguenta esse negócio. A igreja ela é reflexo dessa sociedade e ela ocupa um lugar central. Por quê? Como eu acabei de dizer, a igreja ela ela ela tem a prerrogativa do evangelho. Agora, o ponto, como eu tô dizendo aqui, é como não é como nós estamos apenas enxergando isso, mas como nós estamos tomando parte, como nós estamos interagindo com essa realidade. Enquanto as pessoas ou as famílias atípicas que frequentam a nossa igreja não apenas se sentem parte da igreja, mas saem da igreja como resposta missional para uma sociedade. Ao mesmo tempo que a gente precisa lembrar que a igreja não é clínica. Logo de saída eu preciso dizer isso, porque tem muito, por exemplo, isso é muito predominante no departamento infantil, né? Aquela preocupação que a gente identifica ali uma criança atípica e a gente fala assim: "Mas pastor, o que que a gente faz?" Muitas vezes a nossa preocupação é muito mais uma preocupação de ordem científica, neurocientífica, do que de ordem eh eclesiástica. Nós precisamos entender isso. Nosso papel ali é levar essas crianças, a despeito da sua condição, levar essas crianças a Cristo. A escola tem o papel de alfabetizar essas crianças. A clínica tem o papel de corroborar no desenvolvimento neurológico dessas crianças. A igreja tem o papel de levar essas crianças a Cristo. Então, todas as ferramentas que a igreja precisa pensar são nesse sentido. Alguém tá entendendo o que eu tô dizendo aqui? É muito importante isso, porque tem muita igreja com preocupação, muito mais preocupação clínica e social do que preocupação eclesiástica e evangelical. Certo? Certo? Vamos avançar. Pra gente também aprofundar um pouquinho mais. Eu queria falar sobre neurodiversidade, porque a neurodiversidade também é um, enquanto conceito, algo muito recente. Quem começou a falar, a escrever sobre isso foi a Jud Singer em 1998. Então, note que é muito recente. Ela começa a usar essa expressão no universo da neurociência para poder começar a deixar claro que a a sociedade, de modo geral, ela é um uma expressão da neurodiversidade que é natural das pessoas. Cada cérebro, cada mente funciona de um jeito diferente. Você quer ver um negócio disso importante? Só um, eu vou, às vezes eu dou uma saio um pouquinho, mas eu eu volto. volto. Ah, eu cresci numa escola para ver o impacto da neuro da da do estudo da neodiversidade e que isso vai, se já não impacta, vai impactar a igreja, porque isso tá ficando mais claro. Nós não estamos falando de mudança, mudança, nós estamos falando de transformação. São duas coisas diferentes, certo? Mudar é você virar para uma cadeira e querer que ela se torne uma mesa. mesa. Transformar é você pegar uma cadeira antiga quebrada, reformar essa cadeira e deixar ela uma cadeira nova, restaurada. Isso é transformação. Continua sendo cadeira. Tá entendendo por que eu tô dizendo isso? Porque ah, eu venho de uma de uma de uma sociedade, por exemplo, que você chegava na escola precisa fazer prova, você só tinha duas alternativas, muito raramente uma terceira. A primeira alternativa, o professor dava algumas questões e você respondia essas questões de forma dissertativa. Quando o professor era muito gente boa, as ele dava prova com múltipla escolha, alter sinal, alternativa, certo? Agora, quando ele era assim um cara crente mesmo e e quando você era alguém como eu, que não tinha jeito na escola e eu só aos 40 anos eu fui descobrir um pouquinho alguns possíveis razões para isso, ele fazia uma prova oral. Agora, hoje a gente percebe que o rendimento das pessoas pode ser totalmente diferente na hora de aplicar o conteúdo. Nem sempre para todo mundo você vai aplicar uma prova dissertativa. Às vezes uma criança se aprova uma prova, você aplica uma prova dissertativa, ela tira 10. Depois você pergunta sobre o conteúdo, ela não sabe nada. E aí você pega uma outra criança que tira zero, tira um, tira dois, quando você pergunta sobre conteúdo, ela sabe tudo. Percebe? Então, já começa a discutir esses métodos. A neurociência contribui para essa reflexão. A neurodiversidade revela essa multiplicidade no mecanismo cerebral de cada um de nós. Tá entendendo? Agora, a neurodiversidade, ela tem alguns pressupostos do ponto de vista da sua efetividade. Para que a gente possa partir da neurodiversidade, entender, entendê-la como tal e responder a partir dos dilemas que ela apresenta, a gente precisa partir desses quatro pressupostos: aceitação, valorização, apoio e inclusão. Então, primeiro, a gente aceita aquela condição, a gente valoriza suas potencialidades, a gente apoia o seu desenvolvimento para que finalmente a gente possa chegar na inclusão. Isso aqui é uma base para essa reflexão que a gente tá propondo aqui. Quem é que diz pra gente então qual que é o parâmetro que a gente tem hoje dentro da neurociência e da medicina e do universo das ter das intervenções terapêuticas? O principal documento ou o documento mais esclarecedor e mais explícito sobre a questão da neodiversidade, que vai dar pra gente fundamentação para o neurodivergente, é o DSM5. Quem já conhece o DSM5 aqui? Algumas pessoas. O DSM5 é o manual diagnóstico estatístico de transtornos do neodenvolvimento. O que que ele faz? Ele é taxonômico, ou seja, ele pega e fala assim: "Uma pessoa para ter TDAH, transtorno de déenção, hiperatividade, ele vai listar os possíveis, eu tô falando de forma bem simplificada, ele vai listar de forma objetiva quais são os traços de uma pessoa que tem TDAH". Então, ele é uma pessoa que tem dificuldade de concentrar, ele é uma pessoa que fala muito, ele é uma pessoa que tá vai tá todos os traços. Então o médico ele vai pegar e na anamnese, na conversa com a família, ele vai pegar esses traços, como é que ele é assim, como é que é o comportamento e vai ali dando check, check, check, check. É lógico que não apenas a presença desses traços, mas o mais importante é o quanto esses traços causam prejuízo para o seu desenvolvimento. Por que que isso é importante? Por exemplo, quando fala em autismo, é muito engraçado isso, o autismo, o DSM traz 50 traços autísticos. Aí você vai lá e baixa o DSM que tá de graça em PDF. Você fala assim: "Ah, pastor falou umas coisas, quero ver se eu sou autista". A maioria da população vai checar pelo menos 25 desses desses traços. Aí você vai entrar em pânico, fal: "Meu Deus, eu sou autista". Não, gente, é a neurodiversidade mostrando que ela tá aí. Agora, o ponto é o quanto isso prejudica o seu desenvolvimento. O que que é prejudicar? prejudicar é o seguinte, você eh você imagina quando a maior forma de talvez entender isso é assim, sabe quando a criança é pequenininha que tem aquela cartilha que tem os marcos do desenvolvimento da criança? Tem algum pediatra aqui? Não é assim, doutora? Então a doutora pega, você vai naquela consulta com determinada idade, tem que tá sentando, tá firmando ali, né? Então você tem um gráfico que inclusive varia muito dentro do gráfico, que eu imagino que são sinais que podem apontar para algumas coisas. Por isso é muito importante papai e mamãe observar. Mas não é apenas rotina, isso é fundamental, porque você identificando algumas coisas no começo, a chance de intervenção e diminuir o impacto, principalmente do quando é a questão é transtorno do neodenvolvimento, é muito grande. Mas você imagina, você pega lá esse traço padrão e aí na nas consultas o gráfico sai do padrão ou para cima ou para baixo. significa que essa criança tem apenas um um um desvio, mas ela passa a ter um prejuízo. Isso é um sinal de alerta. E às vezes já é uma evidência de uma patologia, não é isso, doutor? Então, é mais ou menos isso que o DSM faz ou considera não apenas a presença de traços, mas o prejuízo que eles causam, certo? Então, tão comigo? Tão entendendo? Dá para entender isso? Por conta disso, ele é o que vai mostrar pra gente ou indicar pra gente um padrão que é o aceito pra maioria da população, que é o padrão neurotípico. E em contraste o padrão neuroatípico ou neurodivergente. Então, a aquela pessoa que dentro do padrão observado e relatado no DSM, ela está em conformidade com a maioria da população, ainda que ele apresente alguns traços, beleza, [limpando a garganta] cara, diz? Não tão beleza assim. Ainda tem mais um parêntese aqui. Eh, às vezes, eu não sei se eu vou falar isso aqui, não vou falar já, senão eu esqueço coisa de TDH. Não, você não precisa esperar, com todo respeito, a doutora e ela vai, acho que ela vai concordar comigo. Você não precisa esperar um laudo de um transtorno transtorno para começar para levar, principalmente quando é criança, o seu filho para um psicólogo, para uma fonudiologista, pelo amor de Deus. Tem gente que fala assim: "Não, mas eu não tenho um laudo ainda." Gente, é a corrida quanto tempo? Por exemplo, uma criança até 2 anos de idade tem que ter um repertório com 200 palavras. É isso, doutor? 200 palavras, ela só fala 50 palavras. Gente, pode parecer pouco, mas você imagina em 4 anos se ela continua com atraso, ela diminuiu a metade da vida dela no desenvolvimento. Se ela tinha dois com quatro e não tem intervenção, quando ela chegar em quatro, ela perdeu metade da vida dela de desenvolvimento. Então, às vezes a gente às vezes a gente fica muito com esse milindre, sabe? Cuidado com isso. Às vezes tá tudo normal, o médico não, não, não. Mas você tá ali com a pulga, traidor, pai, mãe, vai atrás. Vai atrás. Não, não porque é uma pessoa neuroatípica, mas porque tá apresentando uma dificuldade. Precisa entender isso. Amém, pessoal. Então, o DCM, a importância dele é só pra gente fundamentar aquilo que a gente tá chamando aqui de família atípica. Então, a família atípica é nada mais nada menos do que uma família que tem na sua composição, na sua configuração, algum membro membro que [roncando] seja eh neurodivergente ou neuroatípico, seja ele com autismo, seja ele com TDH, com transtorno de opositor desafiante, com dislexia e várias outras possibilidades. Por que isso? inclusive uma família atípica. Hoje se discute isso, esse termo, ele vem principalmente desse universo eh da neurociência, mas admite-se socialmente com a família atípica também é uma família que tem um deficiente físico. Por quê? Porque empurra ou ou ou pressiona essa família para desafios e para adaptações no seu cotidiano que uma família neurotípica não tem. Às vezes não é uma questão de transtorno do neurodenvolvimento, mas é uma deficiência física que faz com que essa pessoa tenha muito mais dificuldade paraar ambientes, para poder se desenvolver em outros aspectos. Então, entendamos por família típica, incluindo também eh esse esse universo. Amém, pessoal. Até aí a nossa ênfase principal, até por conta do nosso da nossa vivência, ela é do autismo. E aí em rápidas definições, porque como eu disse, o nosso assunto é que é igreja, mas a gente tem que fundamentar tudo isso. O que que é o autismo? Basicamente, o autismo é um transtorno do neodenvolvimento caracterizado por déficit, que eu falei, prejuízo na interação social e na sua comunicação e por padrões de comportamento restrito e repetitivo. Ela é denominado assim porque espectro, essa palavra também ela passou por várias por várias, ela ela é mais recente. O autismo começou lá com transtorno da esquizofrenia infantil e veio desenvolvendo até chegar no espectro. Você imagina o espectro como um leque aberto, com várias possibilidades dentro desse leque. Então, a ideia de espectro é isso, porque tem um um um neuropediatra lá em Curitiba, de onde a gente vem, eh, nos últimos anos, agora a gente já tá em Valinhos, mas eu ainda falo de Curitiba como a gente vem, porque acabou de sair de lá. Então, ainda tem isso. Eh, é o Dr. eh, eh, Paulo Liberalço e eu não ganho nada para isso, mas eu incentivo você a segui-lo nas redes sociais, é uma grande referência. inclusive é um médico autista, ele fala o seguinte: "Se você é autista e não tem nenhuma comorbidade por conta do espectro, ou você não é autista, ou você ainda não sabe que tem, porque o espectro ele ele eh eh eu eu observando o que que eu percebo na minha família, que o autismo acaba sendo quase que uma plataforma para você desenvolver outras outros prejuízos, porque ele prejudica muito eh a o o neodenvolvimento em várias em várias áreas. Contudo, o autismo não é uma doença. Não é uma doença. Portanto, não tem cura. O autismo é ante tudo uma condição genética de causação multifatorial. Pastor, mas eu já ouvi dizer cientista do Instagram dizendo que se comer muito doce, que se ficar muito tempo no Instagram, irmãos, a ciência trata com evidência. evidência. Esses dados são com base em evidência. Tem pesquisa, tem todo dia. Quando você entra para estudar neurociência, você fica assim, você tem que ter paciência, porque a cada disso é um artigo novo, a cada disso é uma pesquisa nova, não é assim, doutor? Então, a gente fica atento a isso. Agora, o que você tem de evidência científica é que o autismo ele é ele é de ordem genética. 81% genética herdada. Lembra a coisa do pai quando vai lá no médico e fala assim: "Ah, eu era assim quando criança? Hum. 81% o pai ou a mãe, né? Antes falava-se muito mais do pai, hoje já não se fala tanto entre pai e mãe, né? Tem um fator importante aí que é eh paraa ciência. Aliás, a Bíblia já falava isso. Livro do Salmo diz assim: "Que a nossa vida sobe há quantos anos? >> 70, havendo vigor >> a 80, né? Então metade de 70 é quanto? >> 75. Então, a ciência descobriu, olha para você ver como é que a ciência é boa, que o homem a partir dos 35 anos começa a envelhecer. Olha só, né? Alguém já disse isso, né? Agora começa, desculpa o pessoal, os homens aí com mais de 30 cal, é, começa a envelhecer. O que significa dizer que quando ele vai se reproduzir depois dos 35 anos e a a possibilidade desse desse embrião receber uma carga genética em processo de envelhecimento, o que pode ser um fator de maior comprometimento na hora do desenvolvimento desse feto. E o que que tá acontecendo com a sociedade hoje? com os homens >> sendo pais cada vez mais tarde. É lógico que esse esse fato não é o responsável pelo boom diagnóstico, ele é só mais um fator, tá? 81% genética herdada, 18% genética não herdada, que é o que a partir de receber essa carga, aquele embrião vai começar a produzir a própria genética, chama mutação de novo, né? Vai começando a replicar aquilo. E 1% ligado a fatores, o 0.8 8 a 1.2% ligado a fatores eh ambientais que também não são externos. Ambientais são ambientes intrauterinos, geralmente relacionados a consumo de ácido valpróico, que é um anticonvulsivante, muito comum, né? Eh, infecções graves, consumo de maconha, são as principais evidências, mas a gente tá falando de 1%, ou seja, isso é um fator de complicação a partir de uma genética já presente. Pastor, mas eu fumei maconha até anteontem e tô grávida. calma, [roncando] tem que ter outros fatores presentes e etc e tal. Só pra gente entender isso aqui. E como eu disse aqui, comorbidades, o que são as comorbidades? São fatores, são associações. Então, como eu disse, o autismo normalmente ele é ele ele é covarde, ele vem acompanhado, ele não vem sozinho, né? Então o autismo ele vem normalmente com outro transtorno que pode ser um TDH, pode ser um transtorno de ansiedade generalizada, pode ser, pode ser três, quatro, cinco, pode ser aí de onde vem inclusive muitas vezes a classificação de nível de suporte que essa criança precisa, porque ela vai ter o autismo associado a vários outros transtornos, o que significa que ela vai precisar de mais suporte pro seu desenvolvimento, pro seu acompanhamento, etc, tal. Tudo bem até aí, gente? Ou mais ou menos dá para ter um mapa do que que a gente tá falando. Amém, igreja. Agora o ponto nosso aqui é por que nós estamos falando disso na igreja. Só que eu precisava fazer essa introdução. Nós estamos falando disso, dessa necessidade na igreja, porque a despeito de todo o universo científico aqui, nós estamos lidando com essas famílias que estão extremamente sobrecarregadas. Eu eu quero que você perceba extremamente que sobrecarregado todo mundo tá, não é assim? Não tem uma pessoa que quando eu chego para falar assim: "Rapaz, tô cansado". A pessoa fala assim: "Eu também tem uma pessoa toda vez que eu falo: "Tô cansado" e fala assim: "Ó pastor, não tô não, nunca fiz." Já viu? Ninguém. Todo mundo você fala: "Me essa semana foi difícil, você fal não sabe como é que foi a minha. Tá todo mundo disputando o pior". Não é assim? Agora pais eh de autistas ou, né? Eles sofrem sofrem particularmente estresses extremos relacionados, por exemplo, a briga com plano de saúde, né? É uma bção esses planos de saúde, né? Eh, questões na escola, por exemplo, toda escola, por mais adaptada que seja, a vivência ali no cotidiano é sempre desafiador. Tem que ter acompanha de terapeuto, fica mais caro, a escola tem que contratar. É, é um, é um estress diário, né? no nas coisas mais comuns do dia a dia, o impacto dessas comorbidades, né, que que tornam ainda mais eh sensível, mais nevráutico, mais doloroso o dia a dia. Segundo, a alta incidência, a última pesquisa feita pela Associação Americana de de Pediatria aponta para um, para cada 31 crianças até 11 anos com diagnóstico de autismo no mundo. Brasil último senso. O Brasil é abençoado. Brasil último senso apontou um para 100. Falar aqui no Brasil é tudo melhor. Nós não temos, nós temos menos autista. É tão bom assim que teve que revisar essa pesquisa, uma movimentação de famílias atípicas, acabou revisando a pesquisa. E hoje a gente fala no Brasil em um para 38. Então você imagina aqui quantas pessoas estão aqui, né? a possibilidade, a probabilidade da gente ter autistas adultos sem diagnóstico, porque autismo não é de hoje, não apareceu na pandemia porque o pessoal ficou em casa vendo TV e com celular, né? Agora, sobretudo porque nós temos um chamado bíblico, irmãos. E aí que tá o lance. Nós temos uma prerrogativa que a clínica não tem, que a escola não tem, que o governo não tem. Nós temos um chamado para amar essas pessoas, para colher essas pessoas, porque o corpo de Cristo é assim, é composto por vários membros. E o evangelho na prática é justamente é a vivência da graça de Deus na nossa comunidade, na nossa comunidade. Mas não somente isso, a partir disso, nós temos um aspecto missional, ou seja, nós temos que alcançar essas famílias e não apenas alcançá-las com o evangelho para a salvação, mas alcançá-las com pastoreio, com discipulado, com acompanhamento, transformação real, porque a inclusão exige ações práticas efetivas. Treinar, adaptar, ouvir, amar. Agora, a principal urgência que a gente percebe, que tá destacada aqui, eu quero que você note isso. Olha esses números. Caso de suicídio até oito vezes maior em autistas nenhum de suporte. Gente, o ano passado a minha filha sofreu tanto bullying na escola, 70% das crianças eh e adolescentes sofrem. A min a minha filha sofreu tanto bullying na escola o ano passado, eu vem sofrendo não, o ano passado foi demais, porque chega uma hora que ela entrava no carro e eu pergun eu não perguntava mais para ela e se aconteceu. Eu perguntava para ela, filha, o que aconteceu hoje? Falando, por exemplo, desse dessa taxa de suicídio, teve um episódio especificamente que a Isabela teve uma crise de desregulação na quadra, né, na na aula de educação física. Ela foi pro banheiro, ela se trancou dentro do banheiro e a professora não se deu conta que ela tava lá. Quem foi dar conta era uma coleguinha na próxima aula. Eu falei, gente, a minha filha poderia ter tirado a própria vida e a escola nem percebeu, né? Isso é muito mais comum, gente, do que a gente imagina. 70% das mães atípicas desenvolvem algum trauma transtorno durante o processo. Está aqui uma mãe que tá trat em tratamento de burnout, burnout, né? Então se o que eu tô falando para você rasga minha pele. Então não é uma palestra, é uma partilha aqui. Esses números nos afetaram no nosso cotidiano. O índice de divórcio chega a 70%. E é triste porque são são casais se perdendo para si mesmos. Não tem um adultério, sabe? Não tem. É, o stress é tão grande, porque, por exemplo, quando chega na hora do casal à noite, quando vai pra cama, né? cama, né? A gente quer dormir, gente, quando consegue, porque quando dá três lá em casa, 3:28 noite, há 13 anos, papai, sabe o que é 13 anos sem saber o que é uma noite completa? A ponte quando eu vou viajar, eu tô lá em Palmas, lá na casa da da da Eliane, lá no [risadas] 3 horas da manhã eu pum, cadê o José? Cadê a Isabela? Ah, não, eu tô em Palmas. Aí eu volto >> noites interrompidas, isso causa cansaço, sabe? E essa taxa que eu disse agora, 80% dos pais abandonam as mães ao longo do processo. E eu e aqui eu tenho tido cuidado, porque normalmente a gente pega esses pais e fala assim: "Esse homem é um inergúminumo, como é que ele faz um negócio desse? Abandonar a mãe covardia". Mas o ponto que a gente começa a perceber é o que que leva esse pai a fazer isso, porque não resolve fazer isso da noite pro dia. Tem rejeição, gente. Tá traz tanta coisa de histórico familiar esse processo de diagnóstico, você não tem ideia. Eu, por exemplo, tive que sentar com os meus pais, resolver um tanto de coisa que eu nem sabia que tinha de problema, históricos que vão se repetindo, né? Eh, quem sabe num outra oportunidade a gente fala um pouco sobre teologia da inclusão que a gente tá preparando esse material, mas por exemplo, só para você entender, quando Deus cria o ser humano, você vê o impacto disso aqui que tem ordem, tem explicação. Quando Deus cria o ser humano, Gênesis capítulo 1, versículo 28, ele diz assim: "Sede fecundos", não é isso? E a gente associa isso, essa fertilidade nossa, apenas ao fato de ter filhos. Multiplica, enche a terra. Não, gente, Deus nos criou férteis. Então, nós somos reprodutores. Filhos, é só um detalhe. Nós reproduzimos comportamento, nós reproduzimos trauma, nós reproduzimos experiên, nós somos reprodutores. Tudo que a gente recebe, aliás, a gente só dá, recebe. >> Então, essa questão é muito mais profunda. Nós estamos o tempo todo reproduzindo sensações, comportamentos, não só do ponto de vista genético, mas do ponto de vista espiritual. Não tô falando aqui de maldição hereditária, não. Espero que você entenda isso que eu tô dizendo. Eu tô falando de comportamento, falando de trauma, falando de um pai que que é um que é um pai travado em algumas coisas, porque é um pai que sofreu abuso ou que ou que teve um pai ausente. Tá entendendo a importância de intervenção terapêutica, de intervenção terapêutica não apenas para o autista, mas pro casal, pra família, bagunça tudo, gente. E isso aponta para esses números aqui. Então a gente chega, vai chegando na questão mais prática, a importância do suporte. A gente fala hoje, tirando esse esse terceiro aqui embaixo, que é onde eu eu tô colocando a gente, mas tradicionalmente a gente fala em três três eh eh eh eh eh esferas de suporte. Primeiro o suporte familiar, evidentemente, né, que é o primeiro âmbito onde eh essa pessoa atípica encontra os seus desafios, né? Uma criança, por exemplo, com diagnóstico de autismo, primeiro apoio que ela precisa é de quem? Pai, da mãe, né? E pasmo em você. Não é natural. A gente tá falando isso, não é natural que o pai e a minha mãe olhe pro filho e acolha. Eh, o natural nas estatísticas é o contrário. É falar: "Ah, não, você quando crescer melhora, isso é natural". Aí tem o suporte educacional aqui. A gente tem, eh, por exemplo, eh, eh, hoje fundamento de educação inclusiva que são importantes nesse processo. E a gente tem a importância do suporte terapêutico, as intervenções no cotidiano, acompanhamento com neurologista, com psiquiatra, etc. e tal. tal. Isso aqui é o esperado. Esse tripé, essa triangulação aqui é fundamental essa triangulação. Por exemplo, a família aponta necessidades paraa clínica que intervém e vai ter resposta na escola que relata pra família como foi a semana, que leva pra clínica, que desenvolve e ele vai pra escola. Então essa triangulação é fundamental pro desenvolvimento. Só que tem uma questão nessa triangulação que perdura. Porque ainda que a família colha, ainda que a intervenção terapêutica seja ótima, ainda que a escola seja perfeita, tem uma questão, uma pergunta que não quer calar no coração de cada família. E a pergunta é: por que que isso aconteceu comigo? O porqu que que a gente ouve isso todo dia dos nossos filhos diante dos desafios. Por que que eu sou assim? Quando é crente, por que que Deus me fez assim? assim? Isso. A família, por mais crente que seja, não consegue responder. A clínica não consegue responder, a escola não consegue responder. Aí entra a importância do suporte espiritual. E é nesse ponto que a igreja desempenha um papel muito importante, irmãos. A igreja do pressuposto do evangelho, ela tem uma responsabilidade intransferível e crucial no acolhimento dessas famílias. Sabe, antes de qualquer outra coisa, é papel da igreja levar esperança para essas famílias. Porque há lugares nesse nesse nesse s rincões do nosso país aí nesse nesses rincões do nosso país aí que você tem famílias com diagnóstico, mas que não tem nem na rede pública, muito menos no particular, acesso à saúde com qualidade, à escola com qualidade, qualidade, tudo que eles têm, e graças a Deus por isso, é a esperança que o evangelho dá. tava falando da minha filha, e eu já vou largar isso logo de cara. Eh, na no ano passado, numa dessas eh eh eh dessas experiências da Isabela, teve um dia já no final do ano assim, a gente já não aguentava mais. E a Isabela todo dia entrava no carro, jogava a mochila assim, falava: "Eu não quero, quero morrer porque eu não quero mais as escolas". E eu tinha que esperar aquela crise, meia hora de crise para depois, né? Haja sorvete, chocolate, criatividade para tentar tirar daqui. Tem hora, irmãos, eu não me critique por isso. Tem hora que a gente não aguenta. Melhor coisa a gente tem para um chocolatinho. O chocolate muda muita coisa, não é? Não perceberam, né? Mas teve um dia que a Isabela entrou no carro quieta, não tá chorando. Eu olhei pelo retrovisor assim, falei: "Gente". "Gente". Aí deu uns 10 segundos, eu falei assim: "Filha, tá tudo bem?" E eu e lá em Curitiba a gente fala que ela tava chorandinho, sabe, né? Assim, assim, ó. assim, ó. [roncando] [roncando] Só ouvia isso assim. E o normal dela é tem alguma coisa, filho. Tá tudo bem? E ela enxugando a lágrima assim, ela falou assim: "Tá tudo bem, papai, ainda bem que no céu não vou ser autista". >> Eu falei: "É isso, é isso, porque eu vou falhar com ela como pai. A escola tá falhando com ela. As intervenções não serão suficientes, mas a Isabel entendeu que o que a define não é uma condição genética de prejuízo. O que a define é o Cristo ressurreto que há de conceder Isabela, um corpo glorificado do alto da cabeça a planta dos pés, sem nenhuma deformidade genética, onde não haverá nem pranto, nem dor, nem luto. E nós viveremos eternamente gratos em adoração a ele. Amém. Amém. >> Aleluia. >> E quando uma família conhece essa verdade, irmãos, isso muda tudo. Ela continua enfrentando todas as lutas. Mas quando ela chega no fundo do poço, ao invés dela ficar lá, ela tem uma um impulsionamento. E aí outro dia Isabela pegou a mochila e falou: "Vamos embora pra escola. Bora. Bora. E é assim até hoje. E vai ser todos os dias da vida dela. Essa menina vai casar em nome de Jesus, vai ter filhos e vai ser assim até o dia que ela encontrar com Jesus. Vai ser assim. Essa é a vida dela. Agora o evangelho alcançou minha filha, irmãos. Isso não é método nem meu, nem da Lidiana. É a graça de Deus. E só a igreja faz isso, irmãos. Quando a escola falha, quando a família desestruturada falha, quando a quando a medicina falha, o evangelho não falha. Então não é só acolhimento, irmãos. E Deus não abre mão da gente. Eu adoro essa passagem de Êxodo, capítulo 4. Porque quando Deus chama Moisés, sabe aquela passagem? Você vai lá falar com o faraó, Moisés fala assim: "Mas eu não posso, eu não sei nem falar". Ele fala: "Eu sou pesado de linha". Alguns falar que ele era gago. A Bíblia não diz que ele era gago, mas ele tinha uma despraxia da fala. Ele tinha, ele tinha um prejuízo. E ele, e o Moisés tá sendo honesto. Fala: "Deus, eu não sou a melhor pessoa, eu tô com medo, eu tô". E Deus vira para Moisés e fala assim: "Ô, meu filho, deixa eu lembrar um negócio para você. Quem fez o mudo? Quem fez o surdo? Quem fez o que vê ou o que não vê? Quem fez não fui eu. Então você vai e eu vou usar você. Aí Moisés fala: "Eu sei que foi o Senhor que fez, mas manda alguém melhor que eu." eu." Gente, ainda bem que eu não sou Deus, que eu já ia falar para Moisés, Moisés, tá bom. Eu acho que eu errei. Vou procurar um que seja melhor que você. Deus não abre mão de Moisés. Deus não errou o endereço. >> É exato. E ele coloca, por isso que eu falo que é o primeiro caso atípico é receber suporte, porque ele fala assim, sabe, o Arão, seu irmão, você vai chegar lá, o Arão vai ver o seu encontro. O Arão fala bem, se o seu problema falar, eu falo com você. Você fala com o Arão, ele vai ser o seu suporte e ele vai falar com com faraó, porque eu vou falar é com você. Deus não abre mão de pessoas atípicas. Deus não abre mão de pessoas, ainda que elas sejam não verbais, ainda que elas não consigam se comunicar, a vida delas é um instrumento na nossa vida e Deus não abre mão dessas pessoas. Paulo testemunha disso no seu ministério. Eu coloco, entre aspas, com pessoas atípicas. A Bíblia não é explícita, mas a gente começa a fazer uma exegese e a gente começa a perceber desafios que Paulo encontra que podem ser aplicados aqui. Quando ele fala assim: "Eu me fingo fraco com o fim de ganhar fraco". né? Eu me fiz de tudo para com todos. Ele tá falando de adaptação, ele tá falando de vivência, ele tá falando de às vezes mudar sua agenda para não deixar ninguém para trás. Agora ele faz tudo isso por causa do evangelho. evangelho. Então, nós não fazemos isso porque na nossa igreja tem essa demanda. Nós não fazemos isso porque agora é moda fazer na sociedade. Nós não fazemos isso por qualquer outra razão que não seja o evangelho de Jesus Cristo que nos alcançou, irmãos. Então, a igreja configura uma rede de apoio peculiar nessa história. A igreja, por natureza, é uma rede de apoio. Na igreja a gente se encontra, a gente abre coração, a, pelo menos esse é o pressuposto, né? A gente na igreja a gente encontra os nossos pares, na igreja a gente compartilha nossos desafios. Então, por natureza e principalmente pelo aspecto missional, a igreja é uma rede de apoio, não apenas um edifício, uma organização, é uma comunidade de pessoas unidas por fé em Cristo, eh, e seu compromisso de viver de acordo com os ensinamentos bíblicos. Isso torna a igreja relevante e eficaz, permitindo ela influenciar positivamente o mundo ao seu redor. Seja, a gente faz isso por vocação. Pedro fala assim na sua primeira carta, capítulo 2, versículo 9, ele fala assim: "Vós, porém, sois raceleita, vós a igreja, né? Sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus. A gente fala amém". Só que ele fala assim: "Find, esse aind é dentro de um propósito." O que significa dizer que sem cumprir esse propósito nós perdemos toda essa nossa prerrogativa. Nós só queremos ser igreja, nação santa, aleluia, sacerdócio. Nós som nós somos presos biterianos. Nós temos uma sarça ardente na nossa logo arca. logo arca. Nós Nós somos uma igreja bíblica reformada. E aí se não tiver a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz? E ele completa no versículo 20, diz assim: "Vós que antes não erais povo, agora sois povo de Deus, que não tinha alcançado misericórdia, agora alcançar misericórdia. Nós só somos quem somos dentro de um propósito. E o propósito é alcançar essas famílias, proclamar o evangelho, não apenas essas, mas todas, que é o que Pedro, o que João diz na primeira carta, capítulo 2, ele fala assim: "Felines, essas coisas vos escrev para que não pequeis". Depois de falar todo daquele negócio no primeiro capítulo, as violinas essas coisas que para que não pequeis. Se todavia alguém pecar, temos Jesus Cristo, o justo, e ele a propiciação pelos nossos pecados. E não somente os nossos, mas pelos do mundo inteiro. Aleluia. Todo mundo. Aleluia, né? Agora, como rede de apoio, a igreja, ela também pode colaborar na capacitação de líderes e voluntários, como promovendo palestras com profissionais da área do dessa área especificamente. Irmãos, a igreja ela é ela é um agente público de fomentação eh eh eh eh de influência poderosíssimo. promova na sua igreja, leva um médico, leva doutor aqui lá na igreja, leva um um terapeuta, leva um para falar do assunto, falar do assunto. A gente é muito bom para fazer culto, graças a Deus. Amém, irmãos. >> Mas não é só isso que a gente faz. A gente tem que aproveitar as oportunidades para trazer a realidade, para pra gente parar e pensar assim: "Como que nós podemos dialogar com isso?" isso?" Então, promova palestras, abre as portas da igreja, convida a sociedade, fala se o seu problema é meu, interesse por isso, sabe? sabe? E às vezes a gente vai ter que fazer isso por um caminho que não vai ser uma conferência sobre, sabe, sobre missão. Às vezes a gente tem que fazer isso através de uma palestra de conscientização de um assunto ou de outro, certo? Essas palestras podem oferecer orientação, apoio paraa sua liderança, pros voluntários, capacitar essas pessoas. Lembrando que a gente não é clínica, mas a gente precisa de informação. Se tem uma professora, um professor que tá lá na escola dominical deparando com isso, ele precisa ter informação, precisa saber o mínimo que ele faz ou pelo menos como que ele reage, né? E ele não vai aprender isso, sendo se a gente não se ele dizer até vai, mas esses eu tenho medo do que aparece na internet hoje em dia, que é cada absurdo. É, tem coisa boa também, mas a maioria não presta. Desculpa a minha sinceridade. A igreja é um espaço inclusivo, solidário, por definição, né? Ela oportuniza esse espaço de partilha, etc. Vamos avançar, gente, senão a gente não vai ter muito tempo. Os líderes, pastorei intencional e aquilo que eu tô chamando de capelania neurodivergente. A gente tem capelania escolar, tem capelania eh eh prisional, precisa considerar capelania neurodivergente. Eu começo a perceber a nossa vivência nas clínicas. tá nas clínicas todo dia. Gente, que oportunidade que eu tenho de naquela conversa, enquanto a gente espera ali o nosso filho sair de uma da intervenção, e aí como é que tá? Como é que foi essa semana? Quantas amizades nós fizemos nesse dia a dia, aproximações. Então, a igreja ela ela também pode ser uma ferramenta disso, de pastoreio, de cuidado com essas famílias em outras esferas, não apenas dentro da igreja, mas lá onde tudo acontece. E a gente chega no nosso ponto aqui que eu acho que é mais comum e mais eh factível pra gente, ainda que a gente tenha outros desafios aqui, que é o discipulado com essas famílias. Porque, irmãos, eu tô convicto, como eu acabei de dizer aqui, que a família tem o seu papel importante como suporte, a clínica, a escola, mas só o evangelho é capaz de levar esperança, ainda que esse eixo falte. Por isso, tão importante pra igreja quanto a gente encorajar uma família a procurar procurar uma uma um suporte médico terapêutico. Tão importante quanto a gente reportar pra família como é que é ali no dia a dia na escola dominical, por questões pedagógicas. Isso é muito importante. A gente faz isso quando vai entregar uma criança. criança. É muito importante, mas é tão importante quanto isso. E em algumas vezes até mais importante que você considere sentar com esses pais e e e e participar do processo de de de amadurecimento da fé dessas pessoas. Eu adorei essa definição no reverendo Ronaldo Lidor nessa última palestra, quando ele também diz que o discipulado é uma ferramenta para nos levar à maturidade, né? Ele não diz com essas palavras, mas o discipulado efetivo, ele tem essa prerrogativa de levar a gente a uma maturidade na fé. Uma coisa muito interessante começou a acontecer comigo como teólogo agora é que inevitavelmente quando a gente começa a ser muito afetado por uma dor, a gente começa a ler a Bíblia diferente, né? Por exemplo, esse texto de Moisés que eu acabei de citar, eu nunca tinha lido nessa perspectiva. Até que um dia eu falei: "Olha isso, Deus não abre mão de Moisés". Moisés era, tinha um prejuízo. Eu não posso dizer que ele era neurodivergente, né? A Bíblia não diz, mas eu no davinismo aqui diria. Não tem calvinismo, é o Davinismo, né? Agora, que eixo que é esse? o eixo do discipulado, que é nossa questão prática aqui, missão, comunhão e esperança, que significa uma igreja eclesi uma eclesiologia missional, uma espiritualidade comunitária, uma teologia realista com a queda e uma escatologia de restauração. O que que eu quero dizer com isso aqui? Vamos lá. Primeiro, nessa primeira parte aqui, ó, uma eclesiologia missional, eu tô falando que o discipulado começa com uma igreja que vai ao encontro dessas famílias. Às vezes, essas famílias não vão à igreja por questões óbvias, né? Lá em casa, por exemplo, né? Agora o José chegou aqui. A, a gente há um tempo já que a Lindan não frequenta o culto da noite e tem que ser ela porque curiosamente o marido dela é o pastor da igreja. Tem que ir no culto, né? Às vezes não quer ir. Às vezes ela tem que me acordar, ah, hoje eu não quero na igreja, amor o pastor. >> Não é piada, é verdade isso. Desculpa se isso frustra você, mas tem domingo assim chovendinho, você tem uma semana pesada, com uma feijoada no almoço, 4 horas da noite, você tá começando a sonhar porque você já não dormiu da tarde, você já não dormiu direito a semana inteira e a hora que todo mundo te dá sossego, vem a criatura divina te acordar 5 horas falando que tem culto, mas mas e ela não vai. Por quê? Porque se os nossos filhos não dormirem às 7:30, 8 horas da noite, porque eles têm que acordar 5:30, 6 horas da manhã, eles já acordam desregulado. Você não tem noção que quer uma criança acordar 6 horas da manhã os berros no condomínio e você toma advertência todo mês mês e você passa a ser indesejável ali. Sem contar que tem dia que você também acorda virar no giraia. Você não quer saber, você não tem aquela paciência dizer: "Vem cá, meu filho, faz aqui eu não quero saber". Desculpe se isso escandaliza você. Eu sou pastor, mas eu sou pai de umas duas crianças autistas. E tem dia que eu não tô com pavio curto, eu tô com pavio embutido lá dentro. Nem tem pavio, porque eu também sou neodivergente. Eu também preciso dormir, eu também preciso descansar. É o Imagina. Então, se a igreja ficar esperando que essa família vá, pode ser que ela nunca vá. vá. Ou quando vai, vai um. Cadê a ficou em casa ou no outro vai? Então, primeira coisa, é um movimento intencional. A gente tem que ir discipulado, não começa na sala de aula, numa no encontro, mas começa na escuta, no acolhimento. Tem que ir lá conhecer o universo dessa família, quais são os desafios dela lá no no seu núcleo familiar. começa a ir antes de ser um currículo, antes de ser qualquer coisa, é uma presença. Irmãos, Irmãos, explicitamente nosso Senhor Jesus sofreu uma carência. explica, ele fala uma única carência na humanidade e ele fala sobre isso pelo menos três vezes ou duas explicitamente. A única carência explícita, que é inclusive a última fala de Jesus, que parece que ele tá respondendo essa carência é a seguinte: companhia. Quando ele tá no Getseman, qual que é a crise dele? Primeiro ele chama Pedro, Thago e João. Fala assim: "Fica aqui comigo, gente, porque eu tô o quê? Agoniado. Não me deixa sozinho, gente. Não é isso que ele fala? Chega a sua a a suar sangue, tamanho agonia, não é isso? E qual que é a oração dele quando ele tá na agonia? na agonia? Pai, Pai, sou possível, tá agoniado. Aí ele tá na cruz. Qual que é o grito que ele dá na cruz pro pai? El Ani. El ani lamar ani. Deus meu, Deus meu, >> tô sozinho. E quando ele ressurge e tal, tal, lá em Mateus, como é que ele encerra a última fala de Jesus no evangelho de Mateus? Qual que é? >> Eis. >> Percebe? Uma vez uma senhora falou para mim lá em Curitiba, uma senhora chegou em mim e falou assim: "Isso é só para elucidar do que que eu tô dizendo fora do universo da neodivergência, mas falar da igreja". Uma senhora chegou e falou assim: "Pastor, fui convidado para dar uma palavra num velório amanhã de uma amiga, uma família de uma amiga e tal e eu não sei o que falar. Me dá uma palavra aí, dá um versículo para mim. O senhor tem um sermão pronto de velório?" [risadas] [risadas] E ela gosta de falar em velório, sabe? Eu peguei, comecei, daqui a pouco que eu lembrei assim, eu falei assor, meu irmã, deixa eu falar um negócio para você todo respeito. respeito. Esquenta a cabeça com isso, não. Primeiro porque você vai abrir a boca e Deus vai falar o que ele tiver que falar para as pessoas. É ele que põe a palavra dele na nossa boca. Segundo, a maioria nem lembra que que a gente falou no velório, porque a cabeça tá em outra coisa, tá lembrando ali da pessoa, sabe? Não lembra a maioria. Qual foi o último velório que você foi? Talvez seja seu pai, sua mãe. Você marcou mais, mas você lembra o que que o pastor falou no último velório? Eu não lembro. Agora tem uma coisa, a gente não esquece que você esteve lá. É ou não é verdade? Você pode não lembrar o que falou, mas você lembra que a pessoa teve lá, te deu um abraço, te deu um beijo? Você até se lembra que ela falou, sabe o que ela falou? Falou assim: "Tô aqui". Isso a gente não esquece. Então vai, abraça, beija, fica plantada do lado. Deus vai colocar uma palavra. Nada substitui a presença, irmãos. Nada. E ainda que falte a gente, Jesus supre, eu estou convosco. Mas a igreja resposta. Então, o discipulado começa aí. Segundo, o discipulado acontece numa comunidade ou na comunidade de uma aliança. A gente precisa estabelecer alianças com essas pessoas. O evangelho não chama pessoas para uma jornada individual, mas para uma vida compartilhada. A fé cristã floresce no contexto do corpo de Cristo. Famílias atípicas não precisam apenas de programa, preciso de pertencimento, tá certo? A igreja é chamada para carregar os fardos uns dos outros. Nós. Então o discipulado envolve amizade, envolve cuidado múo, envolve cuidado, apoio prático, envolve, envolve partilhar alegrias e tal. Ou seja, o objetivo quando a gente fala de discipulado não é apenas integrar essas, quando eu falo de discipulado com essas famílias, não é apenas integrar essas famílias da atividade da igreja, mas integrá-las à vida da igreja. Manuel Soares, que é um jornalista, eh, trabalhou na Globo, no Fantástico, não sei se vocês já viram, o Manuel Soares, ele é ele é autista e ele tem dois filhos autistas e ele tem dedicado agora praticamente a vida dele a falar sobre isso nas redes sociais. E ele, uma vez eu vi ele falando uma frase que é assim: "Neurodiversidade é você me chamar para festa". Não quer? Não quer? Eh, diversidade é você me chamar para festa. Inclusão é você me chamar para dançar. Bacana isso, né? Diversidade é você me convidar pra festa. Inclusão é você me tirar para dançar. dançar. Sabe? Quando a gente fala de inclusão, a gente fala não apenas a pessoa estar lá, mas ela experimentar o ambiente, né? Vamos lá que já subiu a placa dos 20 minutos. minutos. >> Ajuda aí, Zé. >> E travou o computador. Agora ficou bom, hein, gente? Foi, foi >> o discipulado oferece significado para o sofrimento presente. Como a gente já disse aqui, nós vivemos em um mundo marcado pelo pecado, suas consequências, doenças, limitações, transtorno, tudo isso aí marcam a nossa realidade. Então, um discipulado cristão não ignora a dor de quem sofre, né? Ele não ele não traz explicações simplistas. O evangelho, irmãos, ele não promete ausência de sofrimento para ninguém. O evangelho promete, como a gente já disse, a presença de Deus no sofrimento. Sabe o Salmo 23? Alguém já deve ter ouvido, me ouvido falar sobre isso aqui. Me perdoe ser redundante. Salmo 23 fala assim: "O Senhor é o meu pastor e >> amém, irmãos. >> Não vai faltar para você alegria, cuidar de Deus, provisão. Você crê nisso? Mas nada Mas nada é tudo. é tudo. >> Então não vai faltar para você também medo, angústia, solidão. Ué, Ué, >> não é nada. Senão ele tem falado assim: "Nada bom te faltará". Ele falou: "Nada, não vai faltar nada". Então fique tranquilo. tranquilo. É que o Salmo 23 não é o salmo do nada me faltará. Salmo 23 é o salmo do ainda que que que mais embaixo você vai ver, fala assim: "Ainda que eu ande pelo vale da soma da morte, não temerei." Por quê? >> Porque tu, >> ó o verbo aí de novo, estás comigo, né? discipulado ajuda famílias a interpretar as suas experiências à luz da história da redenção. O discipulado cultiva esperança escatológica, né? Acabei de dar aqui o testemunho da minha filha, né? Ah, teve uma outra experiência, o José, o José que tá aqui, lindão do pai, ele, o José ele o José ele teve um atraso de de fala e tal, no desenvolvimento da fala, e ele quando falava, falava pouquíssimas coisas. Teve um dia que eu tava agoniado no final da pandemia, já tinha diagnóstico, já tinha tudo aquilo. Eu tava agoniado, tava triste, era só eu e ele em casa, ele diante tinha saindo coisa aberta, fazer alguma coisa. E eu comecei a chorar sentado no sofá e o José brincando. Inclusive ele tá com o mesmo brinquedinho que ele, não mesmo, mas o mesmo personagem que ele tava no dia, que é o Wood do Toy Story. E ele não falava quase nada. E eu tô chorando. O José, ele tinha o quê? Eu tinha uns 3 anos, uns quatro aninhos. Ele chegou pertinho de mim com UD, começou assim: "Amigo, estou aqui. [limpando a garganta] >> Amigo, estou aqui. Se a fase é ruim e são tantos problemas que não tem fim, não se esqueça que ouviu de amigo estou aqui." Isso aí foi, gente. Isso não foi Deus usando esse menino para me lembrar que eu não tô sozinho. Ele não fala, ele pega o UD e chega. Essa esperança escatológica, irmãos, ela ressignifica a nossa dor. Ela não tira dor, >> mas ela lembra, a gente tá valendo a pena. Porque vingam os que com lágrimas semeiam. O que que a Bíblia diz? Com júbilo seifarão. Quem sai andando e chorando quando semeia voltará com júbilo trazendo seus feixes. Famílias atípicas vivem diariamente os efeitos da queda, mas também podem viver diariamente à luz da promessa da nova criação. Por fim, discipulando famílias atípicas, o discipulado forma testemunhas da esperança, que é aquilo que a gente acabou de dizer aqui. A igreja se torna uma antecipação de alguma forma daquilo que serai plenamente na consumação. Como é bom às vezes a gente ter testemunho de pessoas que entram na igreja e falam assim: "Aqui eu tenho refrigério. É 1 hora meia na minha semana que tem um suporte aqui do ministério infantil, que tem um pastor que me abraça, que olha para mim, ele vai voltar pro mesmo caos. Mas aquela 1 hora meia, pelo menos, foi assim um um bálsamo que lembrou as verdades do evangelho, que deu senso de pertencimento na comunhão. Então isso aí, irmãos, é incrível. Resumo, missão, comunhão e esperança. A igreja vai encontra essas famílias. A igreja caminha com essas famílias. A igreja aponta essas famílias para a restauração final em Cristo. Assim, o discipulado não é apenas acompanhamento espiritual, mas a inserção dessas famílias na história do evangelho. Uma história em que Deus nos encontra em nossa fragilidade, nos reúne em sua família nos conduz para a plena restauração de todas as coisas em Cristo Jesus. E tenho dito, irmãos, eu não se ainda tem mais cinco, só tem uns 10. né? Eh, eu tive que correr com conteúdo. Normalmente, quando a gente a gente tem tido o privilégio em algumas igrejas, isso é um seminário, às vezes um dia inteiro sobre isso, Lidiane vai junto, traz ferramentas de de mais pedagógicas e tal. A nossa intenção aqui é é muito mais dentro do universo do discipulado ou desse tema nosso fazer discípulos, perceber como nós temos um papel muito importante na vida dessas famílias. A a IPB tem vários materiais para isso e que são muito importantes, né? Eh eh ultimamente a gente tem falado do do do material do discipulado Vida, tem um stand aqui inclusive para você conhecer o material. Mas antes de a gente pensar no material, quando eu tô falando de discipulado, a gente tá falando, eu espero que tenha ficado claro, a gente tá falando de presença, de vivência, de partilha. E isso é uma coisa que qualquer um de nós pode fazer. Yeah.
Pontuação Geral
94
/100
Análise baseada na tradição Reformada / Calvinista
Um sermão profundamente pastoral e biblicamente fiel, que conecta a realidade das famílias atípicas com a esperança do evangelho, chamando a igreja a um discipulado marcado por presença, pertencimento e expectativa escatológica.
Tema principal:
Acolhimento de famílias atípicas (especialmente com autismo) na igreja à luz do evangelho
Pontuações de 0 a 100. Valores maiores indicam melhor desempenho.
Fidelidade Bíblica
A mensagem é fiel ao ensino bíblico geral sobre acolhimento, sofrimento e esperança. Nenhuma doutrina essencial é negada ou distorcida.
Hermenêutica
As passagens são usadas de forma contextualmente apropriada para ilustrar princípios pastorais. Algumas aplicações são mais livres (ex.: Gênesis 1:28), mas não forçam o texto de maneira grave.
Precisão Teológica
Totalmente alinhado com a teologia reformada e com a ortodoxia cristã histórica. O sofrimento é tratado à luz da queda e da redenção, sem promessas triunfalistas.
Compreensão Contextual
O pregador demonstra amplo conhecimento do contexto social e científico da neurodiversidade e o integra de forma bíblica e pastoral.
Aplicação Prática
Altamente prático e encarnado, com exemplos concretos de como a igreja pode agir (presença, palestras de capacitação, discipulado intencional).
Clareza do Evangelho
O evangelho da graça, cristocêntrico, incluindo arrependimento implícito e esperança da ressurreição, atravessa toda a mensagem, sem reduzi-lo a mero programa social.
Nestas dimensões, pontuações menores indicam melhor resultado.
Nível de Eisegese
Praticamente não há leitura de ideias externas ao texto; os poucos momentos de inferência são assumidos como tal.
Risco de Heresia
Inexistente. Nenhum ponto essencial da fé é ameaçado; o sermão é doutrinariamente seguro.
Moisés era, tinha um prejuízo. Eu não posso dizer que ele era neurodivergente, né? A Bíblia não diz, mas eu no davinismo aqui diria.
Problema: O pregador categoriza Moisés como 'o primeiro caso atípico' de forma coloquial, reconhecendo que o texto bíblico não afirma isso. Embora não seja um erro teológico, é uma leitura anacrônica que projeta categorias modernas sobre um personagem bíblico.
Risco pastoral: Mínimo, porque ele mesmo faz a ressalva e o usa apenas como ilustração; não há perigo de se cultivar uma hermenêutica fantasiosa.
Sugestão: Ficaria melhor dizer: 'Moisés sentia-se inadequado por sua fala, e Deus o acolheu em sua fraqueza, mostrando que o Senhor não despreza nossas limitações'.
Centralidade do evangelho e da esperança escatológica no cuidado pastoral
A Isabela entendeu que o que a define não é uma condição genética de prejuízo. O que a define é o Cristo ressurreto que há de conceder a Isabela um corpo glorificado... onde não haverá nem pranto, nem dor, nem luto.
Impacto: Aponta para a restauração final em Cristo como verdadeira consolação, sem prometer cura nesta vida ou negar a realidade do sofrimento.
Enfrentamento honesto do sofrimento sem respostas simplistas
O evangelho, irmãos, ele não promete ausência de sofrimento para ninguém. O evangelho promete... a presença de Deus no sofrimento.
Impacto: Protege a igreja de ensinos prejudiciais que atribuem culpa à falta de fé, oferecendo uma teologia bíblica do sofrimento.
Ênfase na presença e no pertencimento antes de programas
Nada substitui a presença, irmãos. Nada. E ainda que falte a gente, Jesus supre, eu estou convosco. Mas a igreja responde.
Impacto: Orienta o discipulado para a encarnação do amor, não para a mera execução de projetos, promovendo uma cultura de cuidado genuína.
Distinção clara entre a missão da igreja e a atuação clínica
A igreja não é clínica. [...] Nosso papel ali é levar essas crianças, a despeito da sua condição, levar essas crianças a Cristo.
Impacto: Evita que a igreja se desvie de sua vocação primária, ainda que mantenha parcerias com profissionais de saúde.
Tema principal:
Acolhimento de famílias atípicas (especialmente com autismo) na igreja à luz do evangelho
Tom pastoral:
Exortação pastoral prática com forte testemunho pessoal, visando sensibilizar e equipar a igreja para discipulado inclusivo e missionário
Famílias atípicas vivem uma realidade de sobrecarga extrema e necessitam de um suporte que ultrapassa as esferas familiar, escolar e clínica.
Suporte: Relato pessoal do diagnóstico, estatísticas de divórcio, depressão, suicídio, e o desgaste diário; menção ao tripé família-escola-clínica e a pergunta sem resposta que só o evangelho resolve.
A igreja ocupa um lugar central nesse acolhimento, pois tem o evangelho como recurso único para oferecer esperança e sentido ao sofrimento.
Suporte: Afirmações de que a igreja não é clínica, mas leva a Cristo; a história da filha que entendeu que no céu não será autista; referência à vocação da igreja em 1 Pedro 2:9.
Textos:
Deus não rejeita pessoas com limitações, mas as usa e provê suporte, como exemplificado em Moisés e na adaptabilidade de Paulo.
Suporte: Êxodo 4: Deus lembra Moisés que foi Ele quem fez o mudo, o surdo, e não abre mão dele; 1 Coríntios 9: Paulo se adapta por causa do evangelho.
O discipulado às famílias atípicas deve ser intencional, baseado em presença missional, comunhão de aliança e esperança escatológica.
Suporte: Descrição do discipulado como ir ao encontro, estabelecer pertencimento, e cultivar a visão da nova criação (Salmo 126, testemunho da Isabela); ênfase na presença de Jesus no sofrimento.
Uso Contextual
Usado como exemplo de que Deus não rejeita pessoas com dificuldades de comunicação e provê suporte (Arão) para cumprir seu propósito.
Questões Exegéticas
Nenhum erro doutrinário; o texto originalmente enfatiza a soberania de Deus ao equipar Moisés, mas a aplicação sobre acolhimento de pessoas com deficiências não distorce o sentido básico do cuidado divino pelos frágeis.
Leitura Sugerida
Manter a aplicação como exemplo de que Deus usa os que se sentem inadequados, sem afirmar categoricamente que Moisés era neurodivergente.
Uso Contextual
Utilizado para justificar a necessidade de adaptação da igreja para alcançar diferentes pessoas, inclusive as atípicas.
Questões Exegéticas
Uso adequado do princípio missionário paulino; a passagem não fala diretamente de neurodiversidade, mas o princípio de se fazer 'tudo para com todos' por amor ao evangelho é corretamente aplicado.
Leitura Sugerida
Continua válido como apelo à flexibilidade pastoral.
Uso Contextual
Lembra a vocação da igreja de proclamar as grandezas de Deus, associando-a ao chamado de acolher as famílias atípicas.
Questões Exegéticas
Aplicação direta e correta, sem forçar o texto.
Leitura Sugerida
Nada a corrigir.
Uso Contextual
Enfatiza a presença de Deus no sofrimento, mais do que ausência de problemas.
Questões Exegéticas
Leitura fiel à passagem; o 'vale da sombra da morte' é destacado como realidade do crente, mas com o pastor presente.
Leitura Sugerida
Nada a corrigir.
Uso Contextual
Aplicado ao conceito de que reproduzimos comportamentos e traumas, não apenas filhos.
Questões Exegéticas
É uma extensão ilustrativa; o texto original trata da multiplicação humana e domínio sobre a terra. O pregador faz uma ponte para a transmissão de padrões de comportamento, o que é uma inferência pastoral, não uma interpretação literal. Ele mesmo ressalva que não se trata de maldição hereditária.
Leitura Sugerida
Pode-se manter como ilustração, desde que se deixe claro o sentido original e se evite dar a entender que a Bíblia ensina psicologia geracional.
Diagnóstico geral:
Sólida
Evitar um tom ocasional de desculpa por ser pastor ao confessar cansaço extremo (ex.: 'Desculpe se isso escandaliza você'); o testemunho de fragilidade é bíblico e não precisa de pedido de perdão.
Ao usar textos como Gênesis 1:28 de forma ilustrativa, reforçar rapidamente o sentido original para não dar margem a interpretações psicologizantes da Escritura.
Na aplicação de Êxodo 4, é bom esclarecer que o ponto central é a suficiência de Deus que capacita os fracos, mais do que uma deficiência diagnosticável.
Incentivar a continuidade da elaboração de uma 'teologia da inclusão' fundamentada na criação, queda e redenção, para enriquecer a base doutrinária da igreja nesse tema.
Resumo em uma frase:
Um sermão profundamente pastoral e biblicamente fiel, que conecta a realidade das famílias atípicas com a esperança do evangelho, chamando a igreja a um discipulado marcado por presença, pertencimento e expectativa escatológica.
Esta análise foi realizada considerando a perspectiva teológica da tradição Reformada / Calvinista (Igreja Presbiteriana do Brasil). As pontuações refletem a fidelidade às doutrinas desta tradição específica.