E hoje nós falaremos sobre trabalho. Afinal de contas, pratic, eu tenho quase certeza que na maioria das pessoas que aqui estão, todo o dinheiro que chega nas suas mãos vem por causa do nosso trabalho. E a maneira como nós entendemos o trabalho, ah, impacta diretamente ou influencia diretamente em como nós nos relacionamos com o dinheiro e como nós nos relacionamos com a própria vida. É importante entender o que que a Bíblia diz a respeito de trabalho. Por isso, nós vamos começar lendo o texto de Gênesis, no capítulo 1, a partir do versículo 26. A partir do versículo 26, eu estou lendo na Nova Almeida Atualizada, mas você pode acompanhar aí na sua versão. E diz assim a palavra de Deus: "E Deus disse: "Façamos o ser humano a nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os animais que rastejam pela terra." Assim Deus criou o ser humano a sua imagem. Imagem de Deus o criou. Homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: "Sejam fecundos, multipliquem-se, enchaitem-la. Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo o animal que rasteja pela terra". Você vai virar uma página agora em Gênesis 2, capítulo 2, versículo 15. Um segundo relato da criação do ser humano. humano. O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Édenem para cultivar e o guardar. E o Senhor Deus ordenou ao homem: "De toda árvore do jardim você pode comer livremente, mas da árvore do conhecimento do mal você não deve comer, porque no dia em que dela comer, você certamente morrerá." Vamos orar. Pai, aqui está a tua palavra e nós pedimos que o Senhor nos oriente, fale conosco nesta manhã, nos ajude a entender qual é a relação que o Senhor deseja para nós com o nosso trabalho. No nome de Jesus é que nós pedimos. Amém. Como eu já disse, a maneira como nós entendemos o nosso trabalho influencia completamente a maneira como nós nos relacionamos com o dinheiro e a maneira como nós entendemos a própria vida. Porque no momento em que nós ligamos trabalho a dinheiro, nós na verdade estamos diminuindo o trabalho e a relação que Deus deseja que nós tenhamos com o trabalho. É muito comum nós vermos o trabalho sendo inteiramente ligado aos nossos recursos financeiros. Por que que eu trabalho? Eu trabalho porque tem que pagar boleto. Eu trabalho porque tem que pagar as contas. Eu trabalho porque eu preciso de dinheiro. E no momento que nós temos esse tipo de relacionamento com o trabalho, eu trabalho para conquistar dinheiro. E eu tenho um projeto de vida. Eu tenho sonhos de vida, mas eu só consigo viver os meus sonhos de vida por causa do trabalho. Nesse instante, o trabalho se torna simplesmente um meio, um meio para conquistar aquilo que eu tanto almejo. Nós acabamos diminuindo o trabalho. O trabalho encolhe. Ele deixa de ser uma parte integral da vida humana e passa a ser um preço, um preço que nós pagamos para poder viver a vida que nós desejamos. Ele vive, ele vira simplesmente um meio. Nós trabalhamos para receber. Tanto é que é muito comum nós termos um relacionamento com o trabalho do tipo que a gente tá doido para escapar dele, né? A gente fala de férias ou passar um final de semana fora, eu vou escapar. Eu vou escapar do trabalho. Seestou, graças a Deus. E é interessante que a gente coloca o graças a Deus justamente celebrando o fim do trabalho, né? Nós damos graças a Deus porque o trabalho acabou. E o trabalho na nossa visão muitas vezes se torna algo penoso. Não faz parte da nossa vocação, faz parte da nossa obrigação de pagar conta. O trabalho é uma sentença que nós cumprimos por obrigação. Muitos de nós entendemos, inclusive de maneira muito equivocada, que o trabalho é uma maldição que Deus nos deu por causa da queda. Eu nunca me esqueço, no primeiro dia de aula da minha primeira faculdade, análise de sistemas, eu trabalhei muito tempo com desenvolvimento de software e aí o professor era um desses professores muito entusiastas de um trabalho, né? era um cara muito visionário, que queria mexia com startup, com tecnologia, e ele era um cara meio agnóstico assim. Eu nunca lembro dele na aula ele falando por quê, gente? A os crentes aí, os cristãos dizem que o trabalho é uma maldição. O trabalho é maldição que Deus nos deu. Eu lembro que eu levantei a mão, eu falei: "Professor, isso não é verdade não. Eu vou explicar hoje aqui porque isso não é verdade". Mas essa é a relação que muitos nós temos com o trabalho. O trabalho é uma maldição que Deus nos deu por causa do pecado. Isso não vem de hoje. Isso é muito antigo. Os filósofos antigos, como Platão, por exemplo, viam o trabalho braçal, o esforço humano como um estorvo pra alma. Importante mesmo é a gente acabar com esse tipo de trabalho braçal e vamos viver uma vida de pensamento intelectual e se preocupar com a alma. Para Aristóteles, por exemplo, o trabalho manual era próprio de quem não é senhor de si. Ser livre de verdade é ser alguém que pensa. O trabalho é algo voltado para os escravos ou para aqueles que têm menos dignidade. Nós olhamos pro trabalho como algo pesado, como algo difícil, às vezes como uma maldição que Deus nos deu. E até mesmo como crentes em Jesus Cristo, a gente tem um relacionamento com o trabalho do tipo de obrigação. E aí a gente pensa assim: "Bom, eu sou cristão, então qual é o meu relacionamento com o trabalho eu sendo cristão?" Já sei, Deus me colocou lá para trabalhar, para evangelizar os meus colegas de trabalho. Essa, esse é o único propósito que muitos de nós conseguimos ver com o nosso trabalho. É ou não é verdade? Tem muita gente aqui que não consegue entender o próprio trabalho como uma vocação, como algo que traz dignidade, mas vê como uma oportunidade. Deus me colocou nesse escritório para ganhar os meus colegas para Jesus ou para evangelizar ou eu tenho que trabalhar para pagar as minhas contas. E as 8 horas de trabalho se tornam apenas um pretexto para poder encontrar uma vida ou viver meus relacionamentos. O bom mesmo trabalho aos amigos que eu fiz ali no trabalho, mas o trabalho em si é visto de uma forma um pouco distorcida. Mas quando nós abrimos logo na primeira página da Bíblia, nós vemos um outro tipo de relacionamento que Deus tem com trabalho e que ele desejava que nós tivéssemos com trabalho. Nós abrimos o primeiro versículo da Bíblia com Deus trabalhando. No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia. Havia trevas sobre a face do abismo e o espírito de Deus se movia sobre as águas. Então Deus disse: "Haja a luz e houve luz". E Deus viu que a luz era boa e fez separação entre luzes e trevas. E Deus chamou a luz de dia e chamou a e chamou as trevas de noite. Houve tarde, manhã e o primeiro dia. A Bíblia começa com Deus trabalhando. Deus fala, ele separa, ele ajunta, ele chama, ele faz, ele coloca a forma, ele planta, ele sopra, ele avalia o resultado do seu próprio trabalho, dizendo: "E viu Deus que era muito bom". Quando nós vamos para Gênesis 2, nós vemos Deus ainda se envolvendo mais artesanalmente com seu trabalho. Ele é oleiro, ele modela o homem como modela o barro. Ele é jardineiro, plantando, cuidando e cultivando do jardim, se é que a gente pode dizer, ele é até mesmo um cirurgião, né? Porque ele faz uma cirurginha ali em Adão para poder tirar a costela e fazer Eva. Depois de seis dias, ele descansa. E Deus não descansa porque está cansado. Porque nós descobrimos na própria Bíblia que Deus não se cansa, mas ele descansa no sentido de um trabalho concluído, terminado, de desfrutar da sua própria obra. Deus é um Deus que trabalha. O próprio Jesus diz isso no Evangelho de João, no capítulo 5, quando ele está falando a respeito de si e de Deus. Ele diz: "Olha, o meu pai trabalha até agora e eu também trabalho". É interessante que Gênesis é um contraponto, uma polêmica às cosmogonias que nós tínhamos no mundo antigo naquelas épocas. Por exemplo, no Enumeliche, que é uma das dos contos antigos, um dos mitos antigos babilônicos a respeito dos deuses e das da criação. É muito interessante é muito interessante que no Enumelich nós vemos o mundo sendo criado por meio de uma batalha, de uma guerra. Mardu luta contra Tiamat, mata a deusa Tiamate, rasga Tiamate em duas e com metade dela ele faz o céu, com a outra metade ele faz a terra. Isso é muito comum em todos os mitos antigos, o mundo sendo criado como consequência de uma batalha. E ao contrário disso, na Bíblia, nós temos um Deus se revelando como um Deus artesão, como aquele que cria a humanidade, não como consequência de uma batalha de guerra ou de desastre ou de sangue, mas cria a humanidade e o mundo como transbordar da sua bondade e do seu amor, sendo apresentado como um Deus artesão. Não apenas isso. Nos mitos antigos, o ser humano foi criado para substituir o trabalho dos deuses. É muito interessante que na epopeia de Atraases, que é um mito, um mito mesopotâmico antigo também, os seres humanos são criados literalmente para substituir o trabalho dos deuses que estavam cansados de cavar o rio Tigre e o rio Eufrates. E aí eles clamam aos deuses para criar o ser humano como um escravo que vai substituir o trabalho dos deuses. que os deuses, enfim, podem descansar no sentido de ficar repousando. E quem faz o trabalho duro, o trabalho pesado, é o ser humano. Em todos os mitos antigos, o ser humano é criado pelos deuses para trabalhar no lugar deles. Nesse sentido, o trabalho é, de certa forma, uma maldição. O trabalho é algo pesado. O trabalho é algo difícil. O que não acontece em Gênesis. Gênesis nos apresenta um Deus que é trabalhador, um Deus que trabalha e que cria o ser humano por sua misericórdia e bondade, como transbordar da sua graça a sua imagem e semelhança. E se Deus é um Deus que trabalha, ele cria o ser humano como um ser humano que trabalha não como uma maldição, mas como parte da sua vocação. Isso é muito interessante. Passa o ser humano a nossa imagem, conforme a nossa semelhança. A Bíblia nos apresenta um Deus que trabalha com prazer, faz o homem a sua imagem e o convida a trabalhar juntamente com ele, que é o que nós veremos. Nós nos aproximamos de Deus por meio do nosso trabalho. O início do trabalho, ele é glorioso e é interessante que o trabalho está no paraíso e não apenas depois da queda. Gênesis capítulo 2, que nós acabamos de ler, diz que o Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Édenem para o cultivar cultivar e guardar. Nós vemos aqui no jardim do Éden, antes da queda, antes do pecado, o ser humano recebendo uma vocação de trabalho. Nós temos duas palavras aqui, cultivar e guardar. A queda não introduziu o trabalho. A queda, na verdade, estragou o trabalho. O propósito de Deus no início era justamente que o ser humano vivesse um ciclo de trabalho e descanso. O trabalho humano, ele é uma necessidade básica. Da mesma forma que nós temos necessidade de comer, de nos alimentar, de nos relacionar, de fazer sexo, de nos casar, o ser humano foi criado como a necessidade básica de trabalhar. Isso é muito interessante. E talvez você já tenha percebido isso, que quando nós estamos ociosos, sem trabalho, e eu não tô falando de descanso, eu estou falando quando nós estamos sem trabalho, nós muitas vezes nos sentimos com grande vazio interior, com um sentimento de que a gente tá sobrando, de que eu tenho algum tipo de inutilidade, de que eu preciso fazer alguma coisa. A pior sensação de uma pessoa que está desempregada muitas vezes não é a falta de dinheiro, mas é a falta de significado de que eu não tô fazendo nada. justamente porque o trabalho faz parte das necessidades humanas. Deus criou o trabalho como algo tão fundamental que ele precisa, que ele não tem problema de ser feito, por exemplo, de uma forma em grande quantidade. Tanto é que a Bíblia vai colocar um padrão de que nós deveríamos trabalhar seis dias e descansar um. A Bíblia não diz para você trabalhar um dia e descansar seis, até porque com descanso demais a gente passa a ficar com uma profunda inquietude dentro de nós. Uma profunda inquietude dentro de nós. De acordo com a Bíblia, nós precisamos do trabalho não para obter recursos ou obter dinheiro, mas para sobreviver plenamente como ser humano. O trabalho é algo que estava ali no jardim antes da queda para cultivar e guardar. Essas duas palavras. Primeira palavra cultivar vem do hebraico evad, que significa trabalhar, desempenhar, servir, mas ela também significa adorar e honrar. Olha que interessante o trabalho, a palavra se refere não só ao esforço físico, mas também ao esforço litúrgico de adoração a Deus. O ato de trabalhar no jardim, de cultivar, trabalhar, é um ato litúrgico de adoração, de louvor, de honra. A segunda palavra aqui é justamente guardar. A palavra hebraica chamar significa guardar, vigiar, zelar, ter cuidado, que é o mesmo verbo usado para quando Deus pede para nós guardarmos o 10 mandamentos, guardar da criação que Deus nos deu. E aqui tem algo interessante. Quando Deus institui o tabernáculo e todo o ofício dos levitas, ali no livro de Êxodo, Levítico, a gente vê as leis sendo estabelecidas, os levitas e os sacerdotes recebem uma vocação com as mesmas duas palavras. Eles deveriam cultivar e guardar o tabernáculo, o serviço religioso, o serviço sacerdotal do templo, o do tabernáculo, era justamente o serviço de trabalhar, de guardar e de era era o o serviço de servir e guardar, de cultivar e guardar. E nós já falamos aqui em outras pregações que o jardim do Éden e nos é apresentado em Gênesis como um grande templo de Deus. A criação é o grande templo de Deus. E nós, seres humanos, somos apresentados como sacerdotes responsáveis por cuidar desse grande templo de Deus. E nós recebemos essa mesma vocação de cuidar e guardar, de cultivar e guardar. Ou seja, o nosso trabalho de cultivar, de trabalhar e guardar a obra de Deus é um trabalho sacerdotal, é um trabalho de adoração, é um trabalho de culto, é um trabalho de louvor. O jardim nos é apresentado como um templo e nós como os sacerdotes. E logo antes da queda, nós recebemos um mandato que nós chamamos do mandato cultural, uma missão, uma vocação. O texto diz que Deus os abençoou e lhes disse: "Sejam fecundos, multipliquem-se, enchaitem-la. tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo animal que rasteja sobre a terra. O primeiro mandamento que Deus nos deixa aqui é: "Echam a terra, multipliquem-se." Só que isso é interessante porque não se trata apenas de multiplicar os seres humanos de forma numérica. Não é só ter mais ser humano. Porque pensa comigo, se Deus quisesse só um monte de ser humano ao mesmo tempo, ele teria poder de criar não apenas Adão e Eva, mas toda uma humanidade junto ao mesmo tempo, não é mesmo? Interessante que a primeira ordem que Deus nos dá é uma ordem de trabalho. Multiplicar e encher a terra é trabalho. Não é só fazer filho. Deus não quer simplesmente a multiplicação da raça humana. Deus quer formar uma civilização, uma sociedade. Ele deseja mais do que aumentar a espécie humana. Ele quer que o mundo seja povoado com a sociedade humana. humana. A palavra que é apresentada logo em seguida: Multipliquem-se, façam sociedade, civilização, sujeitem à Terra. Talvez essa palavra pode causar um pouco de desconforto em algumas pessoas, trazendo a ideia de que o ser humano recebeu a missão de subjugar a terra, mas não no sentido de destruir ou de esgotar ou de explorar ou de destruir. Muito pelo contrário, se uma coisa, se tem uma coisa que a Bíblia nos apresenta é como nós devemos ter cuidado com o meio com o meio ambiente, com sustentabilidade. Quando Deus nos ordena sujeitar a terra, não é no sentido de explorar a terra, mas justamente de cuidar, de seguir adiante o trabalho do criador. E aqui é interessante, Deus cria o ser humano como sua imagem e semelhança. Nós somos colocados no jardim, de certa forma, como representantes de Deus. E quando ele pede para nós sujeitarmos a terra, só é possível sujeitar algo que ainda não está acabado. Você concorda comigo? Se já tá tudo pronto, tudo terminado, não há necessidade de sujeição, não é mesmo? Só há necessidade de sujeição se essa obra é inacabada. E aqui vem um princípio teológico e bíblico que nós afirmamos muito, não só aqui na igreja, mas teólogos ah e biblistas têm afirmado isso, que Deus cria o jardim, Deus cria o mundo como uma obra muito boa. Ele mesmo diz: "É muito bom". Mas de certa forma ele cria de forma inacabada. E ele chama o ser humano, ele convoca o ser humano, ele nos vocaciona a continuar com a sua obra. Olha que coisa maravilhosa. Ele nos dá a missão de sujeitar, de fazer cultura, de criar arquitetura, fazer tecnologia, literatura, arte. Ele nos vocaciona a, de certa forma, continuar a sua obra. Essa é a nossa grande vocação. Essa é a grande comissão que nós recebemos. Isso é o que a Bíblia está dizendo. O filósofo Al Walters, que é cristão, ele diz o seguinte, abre aspas, a terra antes era completamente sem forma e vazia. Nos seis dias do processo de criação, Deus formou e encheu a terra, mas não totalmente. Agora, as pessoas tinham de trabalhar para desenvolvê-la, sendo frutíferos. Os seres humanos enchem a terra ainda mais ao dominá-la, acabam por formá-la ainda mais como representantes de Deus. Continuamos de onde ele parou. Mas agora o desenvolvimento da terra tem de ser da terra tem de ser humano. A raça humana povoará a Terra com a sua própria espécie e formará a Terra para sua própria espécie. E de agora em diante o desenvolvimento da terra criada será de natureza social e cultural. O nosso trabalho não é de certa forma como um guarda florestal que pega o jardim pronto e não pode mexer em nada, né? Vai só preservar o jardim. Não foi essa a vocação que Deus deu a Adão e Eva. A vocação que Deus deu a Adão e Eva eram de trabalho como um jardineiro. O jardineiro não deixa a floresta intacta do jeito que tava. Ele trabalha, ele desenvolve, ele pode, ele arraca, ele ele junta sementes, [limpando a garganta] ele faz enxerto de criar novas espécies de planta. Ele eh novas espécies, não, de misturar espécies de planta, ele desenvolve tecnologia. É isso que Gênesis nos apresenta. Deus criou a árvore, mas ele não criou a casa pronta. Deus criou o minério, mas não criou a ponte. Deus criou o trigo, mas não criou o pão. O pão é obra de mãos humanas. E é interessante que o pão, um dos alimentos que tem o maior símbolo de provisão divina em toda a Bíblia, é necessariamente sempre algo ou obra de mãos humanas. O pão não foi criado por Deus. [roncando] [roncando] Deus criou o trigo. O ser humano aprendeu a arar a terra, a plantar o trigo, a colher na hora certa, a moer o trigo, a juntar com água, com fermento, colocar num forno com fogo quente, assar o pão e o pão ficar pronto. O pão é um trabalho humano, faz parte de um trabalho humano e é uma das maiores maiores símbolos de provisão divina, não é mesmo? Tanto é que Jesus nos ensinou a orar o pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Você já parou para pensar que quando você ora, o pão nosso de cada dia nos dá hoje? Nós estamos orando por uma cadeia inteira de trabalho? trabalho? Martinho Lutero diz que quando nós pedimos pelo pão diário, nós estamos pedindo por lavouras, moinhos, estradas e por todo um país que produz e transporta. Quando nós pedimos pelo pão nosso de cada dia dar-nos hoje, nós estamos pedindo por trabalho para Deus abençoar a obra, as obras das nossas mãos, a nossa vocação de fazer cultura, de cultivar o jardim. Toda vez, e esse é o princípio bíblico do trabalho, toda vez que alguém transforma uma matéria bruta em algo útil, que pega o minério, transforma em ferro e depois usa para construir pontes, essa pessoa está cumprindo, mesmo sem saber, uma ordem dada lá na primeira página da Bíblia, em Gênesis, no capítulo 1, de fazer cultura. Infelizmente, por muito tempo, a igreja medieval acabou dividindo os cristãos. Em duas esferas, nós temos os espirituais. Quem são os espirituais? São os padres, os monges, as freiras, os pastores, aqueles que vivem uma vida espiritual. E aí nós temos todo o resto. O resto é o trabalhador braçal. É aquele que cultiva, que planta, que ara a terra, que constrói, que faz tijolo. Mas esse tipo de distinção nunca existiu nas escrituras. Ser espiritual verdadeiramente envolve a nossa vocação de trabalhar, de fazer cultura. Martinho Lutero foi um dos homens que mais atacou esse tipo de dualismo, né, de o homem espiritual e o homem trabalhador. Tem até uma um um um uma frase que é atribuída a ele, mas nós não nós não temos fontes para saber se ele disse isso mesmo. Pode ser uma lenda, mas pode ser que ele tenha dito isso. Que um sapateiro chegou pro Martinho Lutero e fala: "Como que eu posso servir a Deus da melhor maneira possível? E o Lutero diz para aquele sapateiro: "Faça um sapato da melhor maneira possível, que glorifique a Deus dessa maneira". Quando a gente fala de um homem ou uma mulher usada por Deus, o que que vem na sua cabeça? Se alguém fala para você: "Olha, eu tenho aqui vários livros de homens e mulheres que foram usados por Deus". Talvez venha na sua cabeça, ó, deve ser um livro sobre um missionário, deve ser um livro sobre um pastor transcultural, deve ser um livro sobre uma irmã de oração que orou muito, mas nunca passa pela nossa cabeça que Deus usa homens e mulheres por meio do seu trabalho. Pense em José. Vocês creem que José foi um homem de Deus? Gênesis nos apresenta José como um homem de Deus. E tudo que José fez, qual foi a grande vocação de José? Ele foi político, ele foi um governador, um administrador, um excelente administrador. O engenheiro não precisa mudar de emprego para ter um ministério. Ele precisa entender que já tem o ministério. Como é que eu posso ser o melhor? Como é que eu posso servir a Deus sendo um piloto de avião? Pouse o avião de forma segura e deixe o avião pronto para voar outra vez. você vai estar glorificando a Deus por meio da sua vocação. Quando nós entendemos isso, nós entendemos que o trabalho não está ligado, por exemplo, à nossa dignidade ao nosso valor. Não existe mais esse negócio de que, por causa do meu trabalho, eu sou mais importante do que a diarista que limpa uma casa. Isso não faz sentido. Mas é óbvio que quando eu falo sobre tudo isso que Deus instituiu a respeito do trabalho, você inevitavelmente tem a sensação de que as coisas não funcionam bem assim, de que a sensação que você tem ao acordar amanhã, segunda-feira de manhã, para ir trabalhar é a sensação prática de que, na verdade, tem alguma coisa de errado com o trabalho. Eu não consigo sentir essa alegria toda que o Senhor tá dizendo aí, pastor, de olhar o meu trabalho como uma vocação, justamente porque o trabalho ele foi estragado. O trabalho ele foi afetado pelo pecado, pela queda. Logo depois da queda de Adão e Eva, nós vemos as consequências para o trabalho no versículo 16 lá do capítulo 3 do livro de Gênesis. E a mulher, ele disse: "Aumentarei em muitos dos seus sofrimentos na gravidez e com dor você dará luz a filhos. O seu desejo será para o seu marido e ele a governará. E Adão disse: "Por ter dado a por ter dado ouvidos a voz de sua mulher e comido da árvore que havia que o havia ordenado que não comesse, maldita é a terra por sua causa. Em fadigas você obterá dela o sustento durante os dias de sua vida. Ela produzirá também espinhos e ervas daninhas, e você comerá a erva do campo. No suor você comerá o seu pão até que volte à terra. Pois ela, pois dela você foi formado, porque você é pó e ao pó voltará. Nós vemos que o pecado, pecado, que nada mais é do que o anseio do ser humano de ser Deus de si mesmo, foi isso que aconteceu no Éden. Quando Adão e Eva comem daquele fruto, eles não estavam tentados simplesmente por causa do fruto. A grande tentação foi a tentação da serpente. O dia que vocês comerem desse fruto, vocês serão como Deus. Esse é o grande anseio humano, ser como Deus. ser independente de Deus. E a partir do momento que a queda entra na humanidade, ela danifica as coisas no mundo inteiro, inclusive o trabalho. O trabalho se torna pesado, doloroso, com espinhos. Não é que a terra não vai mais produzir, o trabalho continua produzindo. Nós continuamos vivendo do trabalho, nós continuamos comendo da erva do campo. Mas no meio disso tudo, o pecado estragou os relacionamentos entre o ser humano e Deus. O pecado afeta o nosso relacionamento uns com os outros. E o pecado afeta o trabalho, porque agora o trabalho é penoso. Nós fomos criados para amar a Deus e conhecer a Deus e servir a Deus acima de tudo. Só que por causa do pecado, nada funciona como deveria. Tudo é despedaçado e por causa do pecado, o trabalho está sob maldição. O trabalho não é uma maldição. O trabalho por causa do pecado, está sob maldição. E aí todo o esforço humano parece estar marcado por uma cadeia de insucesso e frustração. E agora talvez você já estejamos num terreno que é mais palpável paraa sua realidade, né? Parece que o nosso trabalho nunca é satisfatório. Nós nunca chegamos lá. Sempre está marcado por frustração. A gente sempre tá numa distância muito longa do lugar que nós realmente almejaríamos estar. A gente nunca tá plenamente satisfeito com o trabalho que nós temos, porque ele não nos satisfaz. Significa que tudo que nós fazemos agora exige mais. Por que que exige mais? Porque o pecado afetou o relacionamento humano, afetou o coração humano. E agora o ser humano vive relacionamento com o trabalho de forma egoísta, onde ele pensa mais em si mesmo do que nos outros, onde nós estamos trabalhando apenas para conquistar os nossos desejos, os nossos prazeres. Então a sensação que a gente tem no trabalho é sempre que tem alguém contra a gente, sempre tem alguém ali para puxar o nosso tapete, as coisas dão sempre errado, os prazos nunca dão certos, matérias primas nunca colaboram com a gente, o trabalho se torna pesado, parece que existe uma resistência do mundo. parece que as coisas não cooperam. Além disso, nós acabamos com um desgaste emocional muito grande por causa do trabalho. O resultado acaba, na verdade, nós não alcançamos os nossos resultados. Parece que nunca chega a oportunidade que a gente sempre quer. E quando chega a oportunidade que a gente sempre quer, a gente descobre que não era tudo aquilo que a gente imaginava. E a gente continua frustrado porque a gente descobre que a gente não é tão capaz quanto gostaríamos de ser. E mesmo que você conquiste tudo que você sonha, você descobre que nada é capaz de suprir o vazio existencial que existe dentro do seu coração. E a gente vive como o sábio em Eclesiastes dizendo que tudo é vaidade, é tudo como correr atrás do vento. Nada disso presta. Quando nós alcançamos alguma coisa, tudo que nós temos é frustração. De certa forma, nós precisamos aprender a encontrar algum tipo de consolo nesse trabalho, porque ele ainda continua nos dando o fruto da terra, né? Ele ainda continua nos dando nosso sustento. Nós descobrimos que o trabalho será tanto frustrante como gratificante. Nós vivemos numa intersecção, né, do que o trabalho deveria ser, do que ele não é e do que ele pode ser por meio de Jesus Cristo. Nós vivemos nesse tempo do já e ainda não. Do já e ainda não. Mas não apenas isso. Por causa do pecado, o trabalho se tornou egoísta. Quando, se você pular alguns capítulos do livro de Gênesis, lá no capítulo 11, a partir do versículo 3, nós temos a famosa história da Torre de Babel. E ali nós vemos qual é a consequência do pecado para o trabalho humano. No versículo 3, o texto diz: "E disseram uns aos outros: Venham, vamos fazer tijolos e queimá-los bem. Os tisolos lhe serviriam de pedra e o betume de argamassa. E disseram: "Venha, vamos construir uma cidade, uma torre cujo topo chegue até os céus, e nos tornemos e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra". terra". Interessante que o versículo 3 registra aqui uma inovação tecnológica. Eles descobriram como fabricar tijolos, como usar a betume como argamassa. Essa é uma tecnologia genuína que faz parte do mandato cultural de Deus. É vontade de Deus que o ser humano descubra como fazer tecnologia e construir tijolo e argamassa. Mas o problema aqui é outro. O problema é que agora o trabalho não é mais utilizado para servir a Deus, mas o trabalho aqui é utilizado para tornar célebre o nosso nome, para fazer famoso o nosso nome. Façamos para nós o nome. A ideia de nome aqui é a ideia de valor, de significado, de singularidade. Ou você recebe essa identidade, esse valor do próprio Deus, ou você tenta construir por meio das suas mãos, utilizando o trabalho. E essa foi a opção das pessoas ali na Torre de Babel. Eles construíram a torre de Babel. Eles deixaram ou eles planejaram construir a torre de Babel não para servir a Deus como era a vocação do trabalho que Deus nos deu, mas para fabricar o seu próprio valor. E a partir de então, o trabalho se torna egoísta por causa do pecado. O trabalho é utilizado por nós para formar a nossa identidade, o nosso valor, o nosso significado. Tanto é que quando nós conhecemos alguém hoje, qual é uma das primeiras coisas que você pergunta para saber se aquela pessoa tem um certo valor ou não tem valor? Que que você faz da vida? Você trabalha com quê? Você faz o quê? O trabalho virou uma cotação de valor. O trabalho virou uma moeda. O trabalho se tornou uma forma de distinguir eu do meu semelhante, de mostrar ao mundo que eu sou especial, de que eu tenho mais valor que você que trabalha como atendente de telemarketing. Como se isso, como se isso realmente fosse o que nos traz valor e dignidade. De fato, o trabalho deixou de ser uma grata administração dos nossos dons e talentos, das riquezas de Deus, como já foi falado aqui, e se tornou uma edificação neurótica da nossa autoestima. Foi isso que o trabalho se tornou. Eles desejaram construir uma torre que tocasse o céu. Qual é a ideia de tocar o céu aqui? É trazer o trabalho ou dar o trabalho um valor espiritual que só Deus deve ter. ou só Deus tem para que nós não sejamos espalhados? Ou seja, para que a gente encontre aqui a nossa tribo, os nossos coiguais, o nosso grupo. O problema é que quem se utiliza do trabalho ou vive o trabalho para construir o seu próprio nome, vai precisar viver uma vida inteira defendendo esse nome, né? E aí qualquer tipo de julgamento, qualquer tipo de feedback, qualquer tipo de colega que atrapalhe o seu trabalho é uma ameaça existencial a você. É por isso que você se ofende tanto quando você recebe uma crítica no seu trabalho, porque a gente coloca o nosso valor existencial no trabalho de quem nós somos. E o outro problema é que quem se apoia no trabalho para construir o seu próprio nome não consegue parar. Não consegue parar. E aí não existe mais descanso. descanso. Nós não temos mais condição de descansar. Quando você tira um dia de descanso, que é uma ordem bíblica, você não consegue ficar fora do celular, responder o e-mail. você fica angustiado achando que tá parado, que tem que fazer alguma coisa, justamente porque nós colocamos no trabalho o lugar onde nós construímos o nosso nome, fazer o nosso nome. Sempre que o trabalho for um ambiente para fazer o nosso nome, o resultado vai ser fragmentação. É justamente o que acontece na Torre de Babel, né? O castigo de Deus ali ou o julgamento de Deus ali é justamente confundir as línguas e separar as pessoas, fragmentá-las. Mas qual deve ser a nossa relação? Se o trabalho foi afetado pela queda e pelo pecado? Como é que nós podemos redimir isso? Ou qual deve ser a nossa posição diante desse trabalho que se tornou egoísta e uma forma de encontrar o nosso valor? Eu gostaria que vocês abrissem agora a Bíblia de vocês no livro de Isaías, profeta Isaías, capítulo 60. Isaías capítulo 60. Nós vamos ler esse texto até o versículo 11, depois do versículo 18 ao 20. Preste atenção. Nós temos aqui uma profecia do profeta Isaías falando a respeito do dia em que todas as nações viriam a Jerusalém trazendo as suas riquezas. Preste atenção. Levante-se, resplandeça, porque já vem a luz e a glória do Senhor está raiando sobre você. Isaías tá falando de Jerusalém, tá? A luz está raiando sobre você, porque eis que as trevas cobrem a terra e a escuridão envolvem os povos. Mas sobre você aparece resplandescente o Senhor, e a sua glória já está brilhando sobre você. As nações se encaminham para a luz, ó Jerusalém, os reis são atraídos para o resplendor do seu amanhecer. Levante os olhos ao redor e veja, todos se reúnem, vem até você. Os seus filhos chegam de longe, as suas filhas são trazidas nos braços. Ao ver isso, você ficará radiante de alegria. O seu coração baterá forte e se dilatará de júbilo, porque você receberá a abundância do mar. As riquezas das nações serão trazidas a você. O seu território que ficará coberto por uma multidão de camelos, dromedários de Midiã e de Efa. Todos virão de Sabá, trarão ouro e incenso e publicarão louvores do Senhor. Todas as ovelhas de Quedar se reunirão junto de você. Os carneiros de Nabaiote o servirão, serão aceitos ao serem oferecidos sobre o seu sobre o meu altar, e eu tornarei mais glorioso o templo da minha glória. Quem são estes que vêm voando como nuvens e como pombas voltando ao pombal? Certamente as terras do mar me guardarão. À frente virão os navios de Tarce, por trazerem de longe os seus filhos, ó Jerusalém, e com deles a prata, o ouro, para a santificação do nome do Senhor, seu Deus, e do Santo de Israel, porque ele revestiu você de glória. Estrangeiros edificarão as suas muralhas e os seus reis as servirão, porque no meu furor eu castigarei, na minha graça tive compaixão de você. Os seus portões estarão sempre abertos e serão fechados nem não serão fechados nem de dia nem de noite para que lhe sejam trazidas as riquezas das nações e conduzindo com elas os seus reis. Preste atenção no que tá acontecendo aqui. Essa é uma profecia pro futuro de Jerusalém na época que o povo de Deus estava no exílio, no cativeiro. Israel estava espalhado. Muitos estavam na Babilônia, alguns estavam no Egito exilados e outros estavam ao redor do mundo. E aqui o profeta Isaías promete que um dia todas as nações, todos os reis da terra seriam atraídos de volta para Jerusalém. Mas não apenas isso. O texto mostra que todos eles trariam até Jerusalém o seu trabalho, as suas riquezas. Veja, eles estão trazendo o ouro, os navios, os camelos, os dromedários, as suas riquezas, os seus trabalhos. Eles iriam reconstruir os muros de Jerusalém, os serviriam. Preste atenção. Isaías está dizendo que um dia todos viriam até Jerusalém, trazendo o seu trabalho e oferecendo isso como oferta ao santo nome do Senhor. Olha que interessante, que visão gloriosa. Isso ainda não se cumpriu plenamente, porque a partir do versículo 18, nós vemos que isso se trata de algo escatológico. Versículo 18. Nunca mais se ouvirá falar de violência em sua terra, nem de ruína ou destruição em seu território. Mas às suas muralhas você chamará salvação e aos seus portões louvor. Nunca mais o sol e a luz e o sol será sua luz durante o dia. O resplendor da lua nunca mais a iluminará. Pois o Senhor será a sua luz perpétua e o seu Deus será a sua glória. O seu sol nunca se porá e a sua lua nunca se minguará. Porque o Senhor será sua luz perpétua e os dias do seu luto chegarão ao fim. Isso é lindo demais. Nós vemos todas as nações da terra trazendo seus trabalhos, as suas riquezas diante do Senhor em um novo reino, um novo tempo, onde não é mais o sol que ilumina, não é mais a lua que ilumina, mas é o próprio Deus que é a luz de todo o seu povo. Interessante que neste dia a razão pelas quais eles trabalham não é para obter sustento ou identidade ou um nome próprio. A razão pelas quais eles trabalham é para proclamar o louvor do Senhor. A razão pela qual eles produzem as suas riquezas é para fazer uma oferta a Deus. A razão é para honrar o santo nome do Senhor. O próprio trabalho se torna uma oferta a Deus. O trabalho se torna uma forma de servir aos outros. E se todos no mundo trabalhassem assim, o mundo seria radicalmente diferente. O problema é que a gente acredita que o trabalho é capaz de nos trazer certa redenção, redenção, salvação. salvação. Mas como é possível, de certa forma antecipar esse dia? Esse dia onde todo o trabalho será para glória de Deus e oferta a Deus? Como nós podemos antecipar esse dia vindouro que Isaías prometeu? Nós precisamos trocar o ídolo. Nós precisamos derrubar o trabalho como a fonte da nossa identidade, nome, propósito, existência e descobrir isso em outro lugar ou encontrar em outro lugar. Como isso acontece? Nós temos a maior revelação de todas nas escrituras, que é por meio de Jesus Cristo de Nazaré, filho de Deus, Deus conosco, que habitou nessa terra como um peregrino, de certa forma exilado. Ele nos é apresentado como um trabalhador braçal, um carpinteiro ou provavelmente um pedreiro. Existe uma discussão a respeito do significado de carpinteiro aqui no Novo Testamento. É bem mais provável que esteja ligado à construção civil. Então Jesus seria aí um pedreiro. Tanto é que ele se utiliza muito de metáforas da construção civil nas suas parábolas. Já prestou atenção nisso? Jesus nos é apresentado como um trabalhador braçal. Mas não apenas isso. Quando Jesus veio à Terra, sendo perfeitamente Deus, nos amou até o fim e foi levado a uma cruz. E naquela cruz ele entregou a sua vida em nosso favor. E não apenas isso, mas levou sobre si uma coroa de espinhos. É interessante que, de certa forma, a consequência do pecado pro nosso trabalho é que o nosso trabalho seria cheios de espinhos. né? A terra, produziria espinhos junto com as ervas. E Jesus leva sobre si essa dor. Ele é recebido como uma coroa de espinhos. Ele sangre em nosso favor. E nós recebemos isso de graça, pela graça, justamente para que agora por meio de Cristo Jesus você possa encontrar o seu verdadeiro valor nele e o seu descanso nele. Jesus Cristo é o nosso perfeito descanso. E a partir do momento que Jesus se torna o nosso bem maior, o nosso valor supremo, o amor que nós recebemos pela graça, o nosso valor agora está centrado ou estabelecido, ancorado em Cristo Jesus, que nos deu um nome, é a reversão de Babel. Na verdade, o que Isaías promete aqui no capítulo que nós lemos é a reversão da torre de Babel. Enquanto em Babel Deus espalha o povo com confusão de línguas, agora por meio da redenção que Jesus Cristo traz, todas as nações são atraídas a ele, glorificando ao Senhor e entregando e dedicando a ele o seu trabalho. Porque o nosso nome agora não vem do nosso esforço, mas o nosso nome nos é dado por Jesus Cristo de Nazaré, o nosso supremo valor. A partir de então, você pode agora não trabalhar mais para si mesmo, mas trabalhar como oferta ao Senhor, como a vocação, como senso de vocação que você recebeu. Se você trabalhar para si mesmo, se o trabalho for para você uma um meio de alcançar a vida que você sonha, isso vai esmagar você. a nossa vida vai ser esmagada, porque o único lugar que nós podemos de fato encontrar esse valor, o único, não é nem o único patrão, o único líder que realmente não nos oprime de fato é somente Jesus Cristo de Nazaré. É como se Jesus dissesse a você: "Meu filho, se você trabalhar para si mesmo, se você trabalhar para ganhar dinheiro, se você trabalhar para encontrar um senso de valor, para se você buscar construir o seu próprio nome por meio do trabalho, isso vai te esmagar, isso vai acabar com a sua vida. Mas eu te amo." Ele morreu na cruz por você. Então agora trabalhe para Jesus, não trabalhe para si mesmo. Trabalhe para Jesus Cristo. Ele é o único mestre que não nos esmaga. É por meio, é apenas quando nós encontramos o nosso nome em Jesus Cristo de Nazaré, é que nós podemos, de certa forma começar a trazer de volta nesse tempo que nós ainda vivemos do Jaim ainda não, enquanto a promessa de Isaías não se cumpre. do dia que não haverá mais tristeza, choro, dor, do dia que não haverá mais espinhos no meio do nosso trabalho, enquanto esse dia não chega, nós podemos, de certa forma começar a antecipar esse reino vindouro por meio de Jesus Cristo, encontrando nele a nossa identidade e então aprendendo a viver o nosso trabalho como uma vocação, uma vocação de cuidar da nossa família, uma vocação de melhorar e servir ao meu próximo. É possível ver o seu trabalho como uma vocação de servir o próximo, de melhorar a vida de quem você atende, de quem você trabalha, de quem você liga, dos seus clientes, atendentes. Se você é uma maquiadora, você pode servir e melhorar a vida do seu próximo. Isso é uma vocação que Deus te deu. Se você é um engenheiro, um arquiteto, você pode trazer beleza pra cidade de Belo Horizonte, construindo boas edificações de maneira justa. Se você é um advogado, você pode ser justo de verdade, trazendo justiça ao mundo. Essa é a vocação que Deus nos deu. E aí nós conseguimos olhar pro nosso trabalho agora, não mais como um peso, uma maldição ou uma condenação ou um meio pelo qual eu preciso pagar os meus boletos. O trabalho é visto agora como uma vocação de Deus, porque a minha identidade, o meu nome de fato me foi dado por Jesus Cristo por meio da sua graça na cruz do Calvário. Embele a vida. Sirva o evangelho por meio do seu trabalho. Sirva o reino de Deus. sirva o próximo. E não existe diferença de dignidade entre o trabalho. Essa, esse conselho serve para todos, desde aquele que trabalha limpando o chão ao CEO de uma empresa multilionária, de entender o nosso trabalho como uma vocação que Deus nos deu. Quando nós conseguimos receber essa identidade, esse valor que vem do próprio Jesus Cristo, acordar amanhã de manhã numa segunda-feira não vai ser mais tão pesado assim. Você consegue entender o seu trabalho como uma vocação que Deus te deu, um propósito que Deus criou antes mesmo da queda. O trabalho é algo que glorifica a Deus. Feche seus olhos. Pai, obrigado por esse tempo, por essa palavra. [roncando] nos ajude, Deus, a receber e ter a nossa identidade muito bem estabelecida e firmada em Jesus Cristo de Nazaré, para que o nosso valor não dependa do nosso trabalho, que eu possa ter tranquilidade, Deus, que os conflitos, os problemas, os ataques, as coisas que nós vivemos no trabalho não me definem, não nos definem, porque nós estamos ancorados no teu evangelho e no Senhor Jesus. Nos ajude, Deus a ver o trabalho como uma vocação, vocação, uma vocação de honra e glória, de culto ao Senhor. Uma forma litúrgica de servir ao Senhor é o meu próximo. Não apenas um meio para obter sustento, mas um lugar onde nós vivemos plenamente no Senhor. No nome de Jesus é que nós oramos. Amém.